Foto: Discussão e votação de propostas legislativas. Dep. Laura Carneiro (PSD-RJ)
No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, uma voz no Congresso Nacional se levantou para propor uma mudança estratégica fundamental na abordagem da imunização no país. O deputado federal Dorinaldo Malafaia (PDT-AP), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Vacina, enfatizou a urgência de o Ministério da Saúde adotar uma tática de vacinação ativa para frear e reverter a preocupante queda nas taxas de cobertura vacinal em todo o território brasileiro.
A iniciativa, que busca levar os imunizantes diretamente aos lares das famílias, surge como uma resposta direta ao cenário de recuo na proteção coletiva, que já permite o ressurgimento de doenças controladas. O parlamentar argumenta que a estratégia atual, predominantemente passiva, não tem sido suficiente para engajar a população e garantir que crianças e adolescentes estejam com suas cadernetas de vacinação em dia, um fator crucial para a saúde pública.
No mesmo tema: Homem de 31 anos é diagnosticado com sarampo em São Paulo após viagem ao Paraná
Desafios históricos e a nova face da hesitação vacinal
Malafaia fez um paralelo entre o presente e o passado, lembrando que a data do Dia Nacional da Saúde homenageia o sanitarista Oswaldo Cruz, figura que também enfrentou grandes desafios para implementar a vacinação no Brasil. Contudo, o contexto atual apresenta nuances distintas em comparação com a Revolta da Vacina de 1904, quando a resistência popular era impulsionada pela obrigatoriedade e pela falta de conhecimento sobre os benefícios da imunização.
Hoje, a hesitação ou a recusa em se vacinar muitas vezes estão enraizadas no negacionismo científico e na proliferação de notícias falsas, as chamadas “fake news”, amplamente disseminadas pelas redes sociais. Esse ambiente de desinformação cria um obstáculo significativo para as campanhas de saúde pública, minando a confiança da população nos imunizantes e nos profissionais que os aplicam. A necessidade de construir uma narrativa sólida e positiva sobre as vacinas torna-se, assim, um pilar essencial na estratégia de reversão.
Leia mais
Mais sobre o assunto: Proposta na Câmara busca priorizar acesso de mulheres vítimas de violência a tratamentos no SUS
A urgência da busca ativa e o papel das equipes de saúde
A proposta central do deputado Malafaia foca na necessidade de uma estratégia de vacinação ativa, que se contraponha ao modelo passivo, onde o cidadão precisa se deslocar até uma unidade de saúde. Para o parlamentar, o modelo passivo tem demonstrado resultados insatisfatórios, incapaz de atingir as metas necessárias para garantir a imunidade de rebanho e proteger a população de forma abrangente.
Ele defende que as equipes de Saúde da Família, que já possuem um mapeamento e acompanhamento de cerca de 1.000 a 1.500 famílias em suas áreas de atuação, são os agentes ideais para essa missão. Levar os imunizantes diretamente às residências, por meio dessas equipes, seria o método mais eficaz para realmente elevar as coberturas vacinais. Essa aproximação direta com a comunidade facilitaria o acesso e a adesão, superando barreiras como a falta de tempo, o desconhecimento sobre as datas ou a dificuldade de locomoção.
- Aumento do alcance: A vacinação porta a porta permite alcançar indivíduos que, por diversos motivos, não procuram as unidades de saúde.
- Quebra de barreiras: Diminui obstáculos como distância, horários de funcionamento e dificuldades de transporte.
- Fortalecimento da confiança: O contato direto com profissionais de saúde pode ajudar a desmistificar informações falsas e construir uma relação de confiança.
- Monitoramento mais eficaz: Facilita a atualização das cadernetas e o acompanhamento de grupos vulneráveis.
Combate à desinformação e a campanha nacional em andamento
Além da estratégia de busca ativa, o coordenador da frente parlamentar ressaltou a gravidade da propagação de desinformação, especialmente quando parte de profissionais de saúde. Segundo ele, é crucial que o Parlamento e a sociedade trabalhem para estabelecer uma “narrativa hegemônica” sobre os benefícios das vacinas, neutralizando os discursos que geram medo e incerteza na população. A Frente Parlamentar em Defesa da Vacina tem se dedicado a um intenso “exercício de educação e saúde”, buscando esclarecer dúvidas e combater a disseminação de informações incorretas.
Paralelamente a essa discussão, o Ministério da Saúde já implementou uma campanha nacional de multivacinação. A iniciativa visa atualizar as cadernetas de crianças e adolescentes com menos de 15 anos em todo o país, prolongando-se até 1º de setembro. A mobilização contará com um “Dia D” nacional em 22 de agosto, um sábado, para ampliar ainda mais o acesso e garantir que as doses em atraso sejam aplicadas, reforçando a importância da imunização completa para todas as faixas etárias elegíveis.
Saiba mais: Eleições 2026: Tribunal Superior Eleitoral estabelece novas regras para redes sociais e inteligência artificial
Repercussões da baixa cobertura e a urgência da medida
A preocupação com a queda nos índices de vacinação não é infundada. O Brasil, que já foi referência mundial em programas de imunização, tem assistido ao retorno de doenças graves que estavam sob controle ou erradicadas, como o sarampo. A reintrodução dessas enfermidades representa um sério risco à saúde pública, especialmente para as crianças e os grupos mais vulneráveis da sociedade, destacando a importância de ações imediatas e eficazes.
A implementação de uma estratégia mais proativa e a intensificação do combate à desinformação são vistas como medidas indispensáveis para proteger a população e reafirmar o compromisso do país com a saúde preventiva. A proposta do deputado Malafaia, ao focar na proximidade e na educação, busca não apenas elevar os números da vacinação, mas também reconstruir a confiança da sociedade na ciência e nas políticas públicas de saúde.


