Usados para atentado em Goiás, drones com explosivos são comuns em guerra na Ucrânia

Tentativa de atentado em Itaberaí expõe uso de tecnologia comum em conflitos no exterior

Usados para atentado em Goiás, drones com explosivos são comuns em guerra na Ucrânia Tentativa de atentado em Itaberaí

Imagem: FreePik

O uso de drones com explosivos, comum em conflitos armados como a guerra na Ucrânia, passou a chamar atenção também em Goiás após uma tentativa de atentado em Itaberaí. No município goiano, aeronaves não tripuladas carregadas com granadas foram usadas em uma ação criminosa contra um empresário e sua família, em um método que lembra táticas adotadas em cenários de guerra.

Na guerra entre Rússia e Ucrânia, os drones deixaram de ser apenas ferramentas de vigilância e passaram a ocupar papel central no campo de batalha. Equipamentos de última geração vêm sendo usados para atacar infraestruturas críticas, como aeroportos, hospitais, comandos militares e redes de energia elétrica, ampliando o alcance das operações sem a exposição direta de soldados.

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Dados da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia indicam que houve um aumento significativo no uso de drones no conflito. Um estudo que analisou ataques entre junho de 2022 e abril de 2025 aponta que 379 pessoas morreram e 2.635 ficaram feridas em decorrência direta de ações com drones, incluindo civis e militares.

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Drone usado no atentado em Itaberaí foi adaptado para transportar granada de uso militar (Divulgação PCGO)
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Quando comparados ao total de baixas da guerra, os números mostram que os drones ainda não causam o mesmo volume de mortes que armamentos tradicionais, como mísseis, tanques e aviões.

Apesar disso, especialistas apontam que o impacto dos drones vai além dos números. Eles mudaram a lógica da guerra ao combinar baixo custo operacional, alta precisão e capacidade de vigilância constante. Na Ucrânia, os drones são usados não apenas para ataques, mas também para inteligência, correção de artilharia, transporte e monitoramento, moldando um novo paradigma baseado no controle aéreo de baixo custo e na informação.

O avanço dessa tecnologia também gera tensões políticas e jurídicas. Incursões de drones russos próximas à fronteira com países da Otan, como a Polônia, elevaram o alerta no continente europeu e levaram à discussão sobre a criação de um “muro de drones” defensivo em aeroportos próximos à Rússia. Além disso, o uso remoto dessas armas levanta questionamentos no Direito Internacional, já que dificulta a responsabilização por ataques a civis e instalações sensíveis.

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Componentes eletrônicos do drone ajudaram a polícia a identificar os suspeitos presos na operação em Itaberaí (Divulgação PCGO)

Caso de Itaberaí

Em Goiás, a Polícia Civil investiga um grupo suspeito de usar drones armados com explosivos em uma tentativa de homicídio ocorrida no dia 17 de janeiro, em Itaberaí. As aeronaves, carregadas com granadas, seriam utilizadas para atingir um empresário e sua família dentro da residência onde moram.

O ataque só não foi consumado porque os drones colidiram com uma palmeira no jardim da casa, caindo antes da detonação. Após o incidente, a área foi isolada e o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) realizou a detonação controlada dos artefatos, devido ao alto poder destrutivo.

A investigação levou à prisão de três suspeitos, apontados como executores diretos da ação, responsáveis por operar os drones. Segundo a Polícia Civil, o grupo é investigado por extorsão, utilizando armas e explosivos para forçar vítimas a realizar depósitos financeiros. A Operação Cobrança Final, deflagrada em Goiás e no Mato Grosso, segue em andamento para identificar mandantes e financiadores.