Foto: Márcio Jerry recomendou a aprovação do projeto, com mudanças – Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência deu um passo significativo em direção a uma educação mais inclusiva ao aprovar um projeto de lei que assegura a estudantes com deficiência o direito de utilizar uniformes escolares adaptados às suas condições específicas. A medida visa eliminar obstáculos diários que podem dificultar o acesso, o conforto e a plena participação desses alunos nas atividades pedagógicas e sociais.
A proposta estabelece que o vestuário escolar poderá ser modificado, substituído ou ter peças dispensadas sempre que o modelo padrão apresentar barreiras. Essa flexibilidade é considerada essencial para garantir que o ambiente educacional seja verdadeiramente acolhedor e propício ao desenvolvimento de todos os estudantes, independentemente de suas necessidades.
Mais sobre o assunto: Projeto de lei propõe reconhecimento e combate ao audismo contra pessoas surdas e usuárias de Libras
Avanço na inclusão escolar: Detalhes da proposta
O texto aprovado pela comissão é uma versão do Projeto de Lei 4359/25, originalmente apresentado pelo ex-deputado Romero Rodrigues, e foi relatado pelo deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA). Uma das inovações trazidas pelo relator foi a inclusão das instituições de ensino particulares de todos os níveis na nova regra, ampliando consideravelmente o alcance da legislação e reforçando o princípio da equidade no acesso à educação.
A iniciativa sublinha a importância de reconhecer e atender às diversas necessidades dos estudantes com deficiência, promovendo um ambiente escolar onde o uniforme, em vez de ser um impedimento, torna-se um elemento de conforto e pertencimento. A legislação busca ir além da padronização, focando na individualidade e no bem-estar de cada aluno, um conceito fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Saiba mais: Câmara aprova medida que protege pessoas com deficiência de multas por perturbação do sossego em condomínios
Leia mais
Barreiras sensoriais e motoras: O impacto do uniforme padrão
A justificativa para a necessidade de uniformes adaptados reside na compreensão das barreiras invisíveis que o vestuário padrão pode impor a alunos com deficiência. Tecidos específicos, etiquetas que coçam, costuras ásperas ou modelos com cortes restritivos podem causar grande desconforto, que vai além de uma simples irritação.
Esse desconforto pode se manifestar de diversas formas, impactando diretamente o desempenho e a permanência do estudante na escola. O deputado Márcio Jerry enfatizou que a adaptação é crucial para remover impedimentos sensoriais ou motores que podem prejudicar o aprendizado e a interação social. “A adaptação do uniforme deve ocorrer sempre que o modelo padrão constituir barreira à permanência e ao conforto do estudante”, explicou o relator, destacando a centralidade da proposta.
Os desafios enfrentados por esses estudantes com o uniforme inadequado incluem:
No mesmo tema: Proposta legislativa avança para garantir inclusão plena em seleções de ensino superior
- Sofrimento físico e psicológico devido a texturas e materiais específicos.
- Ansiedade e estresse causados pelo desconforto constante.
- Desatenção em sala de aula, com o foco desviado para a irritação do vestuário.
- Dificuldade de mobilidade para alunos com deficiência motora devido a cortes rígidos.
- Barreiras sensoriais que impedem a concentração e a participação ativa.
O papel das escolas e a importância da flexibilidade
Com a aprovação desta proposta, as escolas, tanto públicas quanto privadas, serão incentivadas a adotar uma postura mais flexível e proativa na adequação dos uniformes. Isso implica em um diálogo mais aberto com pais, responsáveis e os próprios alunos para identificar as necessidades específicas e encontrar soluções personalizadas que garantam o bem-estar e a inclusão.
A medida não visa abolir o uso de uniformes, mas sim promover a sua maleabilidade, reconhecendo que um modelo único não se encaixa em todas as realidades. A adaptação pode variar desde pequenas alterações em tecidos e cortes até a dispensa de peças em casos extremos, sempre buscando a melhor condição para o aluno. Essa abordagem reflete um avanço na compreensão de que a inclusão não se faz apenas com acesso físico, mas também com a adequação de todos os elementos do ambiente escolar.
Próximos passos: O caminho para a sanção presidencial
Para que a proposta se torne lei, ela ainda precisa percorrer outras etapas importantes no processo legislativo. Após a aprovação na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, o Projeto de Lei 4359/25 seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Na CCJ, o texto será avaliado em caráter conclusivo, o que significa que, se aprovado, ele não precisará passar pelo plenário da Câmara dos Deputados, a menos que haja recurso de deputados para que seja votado por todos. Contudo, mesmo após a aprovação na Câmara, a matéria ainda precisará ser apreciada e aprovada pelo Senado Federal antes de seguir para a sanção presidencial, tornando-se efetivamente uma lei federal. Esse trâmite garante que a proposta passe por todas as instâncias de revisão e debate antes de sua implementação.

