Sobre o tema envolvendo aeroporto de Riade,
O presidente dos EUA havia recusado pedido de príncipe saudita de ataques aéreos americanos aos houthis; escalada pode empurrar maior exército do mundo para o conflito
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Além disso, O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a jornalistas neste sábado (10) que o ataque que deixou ao menos 12 mortos no aeroporto internacional de Riade é “inaceitável”. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a aeroporto de Riade continuam sendo acompanhados com atenção.
Dessa forma, trump anunciou que “vai conversar” com o líder da Arábia Saudita, o príncipe-herdeiro Mohammed bin Salman, após o ataque atribuído aos houthis do Iêmen. “O que aconteceu na Arábia Saudita é inaceitável”, acrescentou o republicano. Com isso, entre os mortos estaria um cidadão dos EUA, segundo a rede americana ABC. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de aeroporto de Riade nos últimos dias.
Contexto e detalhes sobre aeroporto de Riade
Nesse sentido, A repórteres na saída da Casa Branca, o presidente americano confirmou que o maior exército do mundo pode entrar no conflito e atacar os rebeldes houthis. “Nós vamos analisar. Portanto, acabamos de ficar sabendo do último ataque, mas tomaremos uma decisão. Em seguida, nos movimentamos muito rapidamente”, garantiu aos jornalistas em vídeo divulgado pela rede catari Al Jazeera.
De acordo com as apurações, O enviado das Nações Unidas para o Iêmen, Hans Grundberg, também condenou o ataque letal neste sábado. Para ele, a operação contra o aeroporto de Riade “constitui uma grave escalada” do conflito.
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“Ações como essas representam uma grave ameaça à segurança regional, perpetuam os ciclos de violência e complicam ainda mais os esforços de paz para o Iêmen”, declarou Grundberg em um comunicado, conclamando os houthis a “colocar fim a esses ataques” contra alvos civis na Arábia Saudita.
O que querem os houthis – e o que EUA e Arábia Saudita têm a ver com isso?
O reaquecimento do conflito no Iêmen começou em julho, cinco meses após o início da guerra de EUA e Israel contra o Irã, país que apoia os rebeldes houthis. Em fevereiro, os governos de Trump e Benjamin Netanyahu mataram o então líder-supremo iraniano, Ali Khamenei, em um ataque aéreo a Teerã.
Desde então, o grupo armado religioso xiita que controla o norte do Iêmen — mas busca tomar totalmente o país e ser reconhecido como seu governo de fato — realiza ofensivas para ampliar seu alcance do território.
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Autodeclarados parte do “eixo de resistência” contra os EUA e Israel, assim como o palestino Hamas e o libanês Hezbollah, os houthis voltaram também a atacar a Arábia Saudita por seu apoio e financiamento do atual governo iemenita, reconhecido internacionalmente.
No mês passado, os houthis haviam conquistado grandes áreas do litoral e aumentaram seu controle sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, a principal “rota alternativa” para o comércio de petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz devido à guerra entre EUA e Irã. Nesta semana, o governo iemenita iniciou uma contraofensiva com o suporte de aviões de guerra sauditas para retomar dos houthis um território estratégico ao longo do Mar Vermelho. Enquanto isso, os rebeldes dizem ter avançado sobre a cidade de Taiz, um reduto do governo.
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Trump havia negado ajuda militar aos aliados sauditas
Os ataques contra Riade aumentaram a pressão sobre o príncipe-herdeiro Mohammed bin Salman para encontrar uma solução para o conflito, já que os combates ameaçam seus planos de transformar o país em um polo de negócios e turismo. A capital saudita deve sediar vários eventos internacionais nas próximas semanas, incluindo uma cúpula anual de investimentos organizada pelo príncipe, que costuma reunir líderes mundiais, bilionários e altos executivos de empresas globais.
Por isso, a Arábia Saudita anunciou nesta semana uma nova campanha de bombardeios no Iêmen contra os houthis, que prometeram reagir atacando os aeroportos e infraestrutura energética, como na operação que matou 12 pessoas neste sábado.
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Os combates podem envolver mais países, depois que Paquistão e Turquia ativaram, nesta semana, um pacto de defesa para fornecer apoio militar ao reino. Um alto funcionário militar paquistanês, que falou ao jornal The New York Times sob condição de anonimato, garantiu na quarta-feira que caças paquistaneses estavam sendo usados em ataques contra os houthis.
Já o presidente dos EUA, Donald Trump, havia rejeitado anteriormente os pedidos do governo saudita para ordenar ataques aéreos americanos. Mas isso não quer dizer que não haja colaboração com seus aliados: mais de 200 analistas de inteligência e militares dos EUA estão auxiliando a Arábia Saudita em centros de comando dentro do reino, analisando e selecionando alvos em apoio a seus aliados iemenitas, segundo um atual e um ex-funcionário americanos ouvidos pelo Times.
Washington fornece ainda reabastecimento aéreo para aviões de guerra sauditas que realizam patrulhas aéreas defensivas, mas agora os EUA poderão entrar nos combates.
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No mês passado, o Reino Unido também prometeu oferecer reabastecimento aéreo limitado aos aviões de guerra sauditas para fins defensivos. Não está claro se isso se estenderá à nova campanha iniciada por bin Salman. A França, por sua vez, anunciou também em setembro que enviaria tropas e outros recursos militares para proteger a infraestrutura energética saudita no Mar Vermelho.
A mais recente rodada de combates que colocou novamente a Arábia Saudita e os houthis em conflito aberto já deslocou 200 mil iemenitas desde a escalada de setembro, segundo as Nações Unidas.
Em 2015, a Arábia Saudita havia liderado uma desastrosa campanha contra os houthis em uma tentativa de restaurar o governo do Iêmen, expulso da capital Sana pela milícia. A guerra provocou centenas de milhares de mortes e criou uma das piores crises humanitárias do mundo, até que os dois lados concordaram com uma trégua frágil em 2022.
Guga Chacra
Análises dos grandes acontecimentos internacionais
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