Trump confirma autorização para CIA em Venezuela e ignora concessões de Maduro sobre petróleo e ouro

Donald Trump

Donald Trump – Foto: noamgalai / Shutterstock.com

A Casa Branca publicou uma mensagem provocativa dirigida ao presidente venezuelano Nicolás Maduro nesta sexta-feira, 17 de outubro de 2025, em Washington. O post incluiu o acrônimo ‘FAFO’, que significa ‘f–k around and find out’, acompanhado de um vídeo em que o presidente Donald Trump confirma uma oferta de concessões econômicas por parte de Caracas. A ação ocorre em meio a uma escalada de pressão militar americana contra o regime de Maduro, considerado ilegítimo pelos EUA.

O vídeo mostra Trump respondendo a uma pergunta sobre relatos de que Maduro propôs acesso preferencial a recursos naturais venezuelanos, incluindo petróleo e ouro, para aliviar sanções e tensões. Trump afirmou que Maduro ‘ofereceu tudo’, mas enfatizou que o líder venezuelano busca evitar confrontos diretos com os Estados Unidos.

A oferta, revelada por fontes próximas às negociações, previa abertura de projetos de óleo e ouro a empresas americanas, além de redução de contratos com China, Irã e Rússia. Apesar disso, a administração Trump encerrou as discussões diplomáticas, priorizando ações contra o que classifica como um ‘narco-estado’.

Mensagem da Casa Branca assusta Caracas

O post da conta oficial da Casa Branca no X gerou reações imediatas em Caracas. Autoridades venezuelanas classificaram a provocação como ‘guerra psicológica’, mas confirmaram a existência das propostas de diálogo.

Trump, durante uma reunião com o presidente ucraniano Volodymir Zelensky, usou linguagem direta para reforçar a posição americana. Ele indicou que as manobras visam forçar mudanças no regime de Maduro, sem aceitar compromissos parciais.

Detalhes da oferta de recursos ignorada

Funcionários do governo Maduro apresentaram a proposta em discussões que duraram meses, segundo fontes envolvidas. A iniciativa buscava reverter exportações de petróleo para a China em favor dos EUA e conceder contratos prioritários a companhias americanas em mineração.

  • Abertura total de projetos existentes e futuros de óleo e ouro para firmas dos EUA.
  • Reversão do fluxo de exportações energéticas de Caracas para Pequim.
  • Corte em acordos de energia e mineração com Irã e Rússia.

A recusa veio após os EUA acumularem tropas no Caribe e realizarem ataques a embarcações ligadas ao tráfico de drogas. Maduro, em resposta, mobilizou forças armadas e milícias civis para exercícios de defesa.

A proposta também incluía uma transição gradual de poder, com Maduro deixando o cargo em três anos e passando a autoridade para a vice-presidente Delcy Rodríguez, que completaria o mandato até 2031. Washington rejeitou o plano por questionar a legitimidade do governo atual.

Maduro
Maduro – Foto: StringerAL / Shutterstock.com

Autorização para CIA marca nova fase

O presidente Trump confirmou, em 15 de outubro, a autorização para operações letais da CIA dentro da Venezuela. A diretiva secreta permite ações unilaterais ou coordenadas com forças militares, visando remover Maduro do poder.

Fontes americanas indicam que o objetivo final é desmantelar o que chamam de ‘cartel narco-terrorista’ liderado pelo regime. A agência de inteligência pode atuar em território venezuelano e no Caribe, com foco em alvos ligados ao tráfico.

Essa medida segue uma série de cinco ataques aéreos a barcos no Caribe desde setembro, que resultaram na morte de 27 pessoas. Os EUA alegam que as embarcações transportavam narcóticos, sem apresentar evidências públicas.

Trump evitou detalhes sobre possíveis execuções, mas afirmou que ‘a Venezuela está sentindo o calor’. A recompensa pelo arresto de Maduro por tráfico de drogas foi elevada para US$ 50 milhões em agosto.

Movimentos militares no Caribe

Helicópteros de operações especiais voaram a menos de 160 km da costa venezuelana na quinta-feira, 16 de outubro. Um oficial americano esclareceu que se tratavam de treinamentos rotineiros, não preparativos para invasão terrestre.

B-52 bombardeiros sobrevoaram a região na semana passada, enquanto mais de 6.500 tropas foram posicionadas no sul do Caribe. Maduro respondeu reposicionando tropas e ativando 284 frentes de batalha em todo o país.

  • Mobilização de 123 mil membros das Forças Armadas Bolivarianas.
  • Ativação de milícias civis, estimadas em um milhão de voluntários.
  • Exercícios em favelas e áreas urbanas para defesa interna.

O Departamento de Estado dos EUA manteve a classificação de Maduro como ‘fugitive from American justice’, reforçando sanções econômicas.

Resposta de Maduro busca diálogo

Maduro divulgou um vídeo em inglês apelando por paz, afirmando ‘not war, yes peace’. Ele negou intenções de confronto no Caribe ou na América do Sul e pediu negociações diretas com Trump.

O líder venezuelano acusou os EUA de usar alegações de narcotráfico como pretexto para mudança de regime. Seu governo planeja levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, alegando violações à Carta da organização.

A comunicação incluiu uma carta a Trump, contestando que apenas 5% da produção de drogas colombiana passa pela Venezuela, com 70% interceptados pelas autoridades locais.

Acúmulo de forças eleva riscos regionais

A presença naval americana representa cerca de 10% da frota dos EUA, com destroyers e porta-aviões no horizonte. F-35 caças foram destacados para patrulhas aéreas, ampliando a demonstração de força.

Venezuela declarou estado de emergência em setembro, preparando defesas em costas, montanhas e instalações urbanas. Analistas observam que o impasse pode unificar a base política de Maduro internamente.

O acúmulo ocorre após o Prêmio Nobel da Paz de 2025 ser concedido à opositora Maria Corina Machado, vista como aliada de Washington. Maduro denunciou a premiação como interferência externa.

Propostas iniciais de diálogo fracassam

Em julho, o enviado americano Richard Grenell negociou voos de deportação e contratos energéticos, mas Trump ordenou o fim das conversas em outubro. A frustração veio da recusa de Maduro em aceitar demandas plenas de transição.

Intermediários em Qatar transmitiram ideias de uma ‘alternativa aceitável’ via Delcy e Jorge Rodríguez, mas sem avanço. Os EUA priorizaram a campanha contra cartéis, com inteligência questionando ligações diretas ao regime.

A Venezuela exportou volumes recordes de petróleo este mês, após alívio parcial de sanções em fevereiro, mas as tensões persistem.

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