Ciclone – Foto: Triff/Shutterstock.com
Três ciclones extratropicais devem se formar no Atlântico Sul até o final de novembro de 2025, conforme previsões de especialistas em meteorologia. Esses sistemas vão gerar frentes frias que afetam principalmente as regiões Sul e Sudeste do país, promovendo quedas de temperatura e condições de tempo instável. O fenômeno ocorre em um período de transição climática na primavera, quando massas de ar quente e frio colidem, elevando os riscos de chuvas intensas e ventos fortes.
Os eventos seguem uma sequência de instabilidades recentes, incluindo tornados no Paraná que causaram sete mortes e mais de 700 feridos no início do mês. Meteorologistas destacam que, embora os novos ciclones não atinjam a mesma intensidade, eles contribuem para um novembro acima da média em número de frentes frias, com cinco a sete sistemas polares afetando o Sul. Essa frequência resulta em acumulados de chuva que podem superar 300 mm em áreas do Sudeste e Centro-Oeste.
- São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais: impacto principal do primeiro ciclone em 16 de novembro, com precipitações fortes e rajadas de vento até 80 km/h.
- Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná: afetados pelo segundo em 19 de novembro, com possibilidade de granizo e mar agitado no litoral.
- Centro-Oeste parcial: influência indireta do terceiro, previsto para o final do mês, com linhas de instabilidade gerando tempestades isoladas.
Formação dos ciclones e padrões climáticos
A primavera facilita esses eventos devido à alternância entre ar quente úmido e massas polares frias. Sistemas de baixa pressão atmosférica abaixo de 1000 hPa impulsionam os ventos, concentrando nuvens carregadas.
O La Niña, fenômeno que resfria o Pacífico Equatorial, intensifica as frentes frias no centro-sul do Brasil. Essa configuração global explica o resfriamento atípico observado, com temperaturas médias 3°C abaixo do normal no Sul.
Regiões mais vulneráveis aos ventos e chuvas
Rajadas acima de 100 km/h preocupam litorâneas do Sul e Sudeste. Estruturas costeiras e embarcações enfrentam riscos de danos.
O primeiro ciclone, em 16 de novembro, avança do oceano para o continente, gerando ressacas e erosão em praias. Áreas urbanas como Porto Alegre e Florianópolis registram alertas para alagamentos rápidos.
No Sudeste, o sistema afeta corredores industriais, com chuvas que podem interromper o tráfego em rodovias federais. Previsões indicam 150 mm de precipitação em 24 horas em Belo Horizonte.
O segundo ciclone, dias 19 e 20, reforça a instabilidade no Paraná, onde recentes tornados deixaram marcas. Ventos noroeste precedem a chegada, sinalizando a aproximação.
Sinais precoces de instabilidade atmosférica
Nuvens baixas e cumulonimbus escuros surgem horas antes das tempestades. Mudanças no vento, de noroeste para sudeste, indicam a frente fria.
Animais alteram comportamentos, como pássaros voando baixo, e o ar fica mais úmido e pesado. Esses indícios permitem preparo em comunidades rurais.
Pressão barométrica cai rapidamente, mensurável por aplicativos meteorológicos. Observação diária ajuda em alertas locais.
O terceiro ciclone, ainda em modelagem, pode se formar entre 26 e 27 de novembro. Modelos globais apontam para uma trajetória similar, com efeitos no litoral paulista e mineiro.
Persistência do frio e variações regionais
Temperaturas caem para mínimas de 10°C no Sul até 20 de novembro. Períodos quentes voltam após essa data, mas com intervalos curtos de instabilidade.
No Norte e Nordeste, calor acima de 35°C domina, contrastando com o centro-sul. Umidade elevada mantém o padrão equatorial, sem influência direta dos ciclones.
Linhas de instabilidade se deslocam rapidamente, provocando trovoadas noturnas. Esses sistemas lineares afetam o Centro-Oeste, com 200 mm previstos em Brasília.
Ciclones extratropicais diferem de tropicais por seu núcleo frio e formação em latitudes médias. No Brasil, ocorrem mensalmente, mas novembro de 2025 registra excesso devido à transição sazonal. Frentes frias associadas avançam do Uruguai e Argentina, cruzando o continente em 48 horas. Essa dinâmica polar explica 70% das chuvas no Sul durante a primavera, segundo dados históricos. Previsões de longo prazo, com incerteza de 30%, baseiam-se em modelos como o do Inmet, que monitoram pressões oceânicas. A combinação de calor residual e ar polar cria condições ideais para esses eventos, alterando rotinas em seis estados afetados.
Medidas de monitoramento e preparação
Alertas do Inmet emitem avisos 72 horas antes. Comunidades costeiras reforçam amarras em barcos.
Defesa Civil recomenda estoques de água e alimentos para 48 horas em áreas de risco. Aplicativos como o do Cemaden enviam notificações em tempo real.
Agricultura no Sul monitora plantações de soja, sensíveis a ventos fortes. Prejuízos potenciais estimam-se em 5% da safra em zonas expostas.


