Edmilson Marques de Oliveira, conhecido como Cria – Foto: reprodução
Edmilson Marques de Oliveira, conhecido como Cria ou Di Ferro, morreu nesta sexta-feira (26) durante uma operação emergencial da Polícia Civil no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro.
A ação visava impedir um ataque planejado por criminosos contra uma comunidade rival.
Equipes policiais identificaram movimentação suspeita na Vila do João e Vila dos Pinheiros por volta das 9h.
No confronto, houve revide armado, resultando na neutralização do traficante.
A operação ocorreu após monitoramento de 60 dias sobre atividades do grupo.
Dois suspeitos foram presos, e as forças de segurança apreenderam um fuzil, pistolas e explosivos.
A Linha Amarela ficou interditada em trechos entre a Linha Vermelha e a Avenida Brasil para facilitar o acesso das equipes.
🚨URGENTE: A Polícia Civil do RJ confirma que o traficante “Cria ou Di Ferro”, uma das lideranças do TCP no Complexo da Maré, foi morto durante a operação no CPX da Maré pic.twitter.com/NTpgq6AuGm
— Diego mello (@hdiegorj) September 26, 2025
Ascensão rápida no comando
Cria assumiu a liderança do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Maré em maio, logo após a morte de Thiago da Silva Folly, o TH, em confronto com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Ele dividia o controle com outros integrantes da facção, como Michel de Souza Malveira, conhecido como Bill.
Investigações apontam que Cria já figurava em relatórios desde julho de 2024, ligado à morte de dois policiais do Bope na Vila do João.
A transição ocorreu em meio a disputas territoriais na região, que abriga mais de 140 mil habitantes em 15 comunidades.
Aliança interestadual revelada
Na última semana, um vídeo circulou mostrando Cria encapuzado, de camisa branca e com um fuzil em mãos, cercado por cerca de 20 homens armados.
Ele anunciou a união do TCP com a Guardiões do Estado (GDE), facção do Ceará, para atuar contra o Comando Vermelho.
No registro, Cria declarou que os grupos operariam em conjunto e convidou criminosos de outros estados a se juntarem.
A integração das GDE e outra organização local ao TCP-CE foi confirmada em comunicados divulgados em 15 de setembro.
Episódios de violência atribuídos
Investigadores registram que Cria acumulava mais de 200 anotações criminais, incluindo homicídios por motivos triviais.
Ele ordenou execuções de moradores, adolescentes e até uma pessoa idosa na comunidade.
Um caso relatado envolveu a morte de um homem após discussão em jogo de cartas, com imposição de restrição domiciliar antes do crime.
Cria planejava invasões a áreas rivais e usava unidades escolares para treinar homens com armas.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, descreveu-o como responsável por guerras territoriais na Maré.
Monitoramento e planejamento policial
A Polícia Civil atuou com base em inteligência que detectou reunião para ataque iminente.
Criminosos usavam barricadas com caminhões, compactadores de lixo e veículos de mudança para bloquear acessos.
A ação evitou confrontos que poderiam afetar civis, segundo as autoridades.
Serviços de saúde na região tiveram interrupções durante o tiroteio.
Baixas recentes na estrutura
Em seis meses, o TCP na Maré perdeu três figuras chave na hierarquia:
- Chocolate, preso em março por tráfico de drogas.
- TH, morto em maio durante operação do Bope.
- Cria, neutralizado nesta sexta em confronto policial.
Essas perdas enfraquecem o comando local da facção.
Outras lideranças, como Bill, assumem papéis de substituição imediata.
A facção mantém disputas com o Comando Vermelho em territórios vizinhos.
Perfil do neutralizado
Edmilson Marques de Oliveira, o Cria, era considerado um dos narcotraficantes mais perigosos do Rio de Janeiro.
Ele tinha três mandados de prisão em aberto por homicídio e associação ao tráfico.
Relatos indicam envolvimento na morte de policiais militares em junho de 2024, no Morro do Timbau.
Cria atuava desde jovem na Maré, escalando posições por ações violentas e planejamento de ações armadas.
Contra ele, a Delegacia de Homicídios da Capital investigava cinco traficantes, incluindo seu nome, por emboscada a agentes.


