O Campeonato Brasileiro iniciou sua edição de 2026 já na última semana, marcando uma mudança significativa no calendário do futebol nacional e impondo novos desafios aos clubes que conciliam competições estaduais, torneios eliminatórios e a longa maratona dos pontos corridos.
Inserido nesse cenário, o Corinthians deu o pontapé inicial no torneio nacional no dia 28 de janeiro, na derrota para o Bahia, por 2 a 1, ainda em meio às disputas do Paulistão, o que amplia a necessidade de planejamento e atenção ao longo da temporada.
Em entrevista concedida no CT Dr. Joaquim Grava, o técnico Dorival Júnior adotou um discurso cauteloso ao analisar o grau de dificuldade do Brasileirão. Para o treinador, o início antecipado da competição exige vigilância constante e afasta qualquer possibilidade de acomodação, mesmo após um período de conquistas importantes, como a Copa do Brasil e a Supercopa.
“É justamente por isso que eu disse anteriormente: se não estivermos atentos e não focarmos na melhora do nosso grupo, correremos riscos. O Campeonato Brasileiro é muito perigoso e complicado — o próprio Paulista já se mostra dessa maneira. Não podemos cair na ilusão de que as coisas estão resolvidas ou que 2026 será automaticamente melhor que 2025. O futebol é dinâmico e precisa ser monitorado constantemente para não perdermos o caminho dos nossos objetivos“, iniciou.
Ao projetar o desempenho do Corinthians no torneio nacional, Dorival também lembrou o desempenho aquém do esperado na edição passada, quando o Timão terminou apenas na 13ª colocação, sendo o pior colocado entre os clubes paulistas. Segundo ele, a nova temporada traz consigo um nível de cobrança maior, tanto interna quanto externamente, o que obriga o elenco a buscar evolução contínua em todos os aspectos.
“Temos a obrigação de estar ligados, buscando melhorias a todo momento, tanto dentro quanto no entorno do centro de treinamento. As cobranças serão ainda maiores este ano, e precisamos estar preparados para que elas caibam dentro daquilo que está ao nosso alcance, entregando sempre algo melhor ao torcedor“, comentou.
O treinador reforçou que o processo de crescimento do elenco passa, necessariamente, por uma análise constante das carências existentes e pela disposição de enfrentá-las de maneira direta. Para Dorival, esse diagnóstico é essencial para que o Corinthians consiga, ao longo da temporada, se colocar em condições reais de disputar objetivos mais ambiciosos.
“Devemos continuar trabalhando dessa forma, insistindo e apontando as nossas carências e necessidades. O objetivo é que, se Deus quiser, tenhamos futuramente um grupo ainda mais forte e em plenas condições de brigar por metas cada vez maiores e melhores”, disse.
Questionado sobre o desafio específico dos pontos corridos e o fato de ainda não ter conquistado um título de Campeonato Brasileiro ao longo da carreira, Dorival tratou o tema com naturalidade, mas fez questão de contextualizar seus trabalhos anteriores. O técnico relembrou campanhas consistentes em cenários adversos, destacando que resultados expressivos também dependem das condições estruturais e do momento em que os projetos são assumidos.
“Não é algo que me incomode, mas é natural que todos queiramos resultados. Tive dois vice-campeonatos brasileiros marcantes: um assumindo o Flamengo na 14ª colocação e outro com o Santos, brigando até as últimas rodadas contra Palmeiras e Flamengo. Naquele ano de 2016, perdemos jogadores nos meses mais importantes do ano, julho e agosto. Mesmo perdendo peças essenciais, fomos vice-campeões. Isso prova que, quando tenho equipes de qualidade nas mãos, eu conheço os caminhos e sei como se chega ao topo. Na maioria das vezes, porém, assumi trabalhos de ‘composição’ ou peguei grandes equipes em zonas de rebaixamento“, ressaltou.
“Em 2022, quando assumi o Flamengo no Brasileiro, estávamos em 16º e chegamos ao 2º lugar, até o momento em que precisei priorizar as copas (Libertadores e Copa do Brasil). Por isso digo: me deem um grupo em condições e eu lutarei por coisas grandes, não tenho dúvidas disso. Temos um grupo que está se mostrando forte no Corinthians, mas se tivermos os reforços para as necessidades que já pontuamos, poderemos fazer um campeonato bem diferente“, reforçou o pedido por reforços.
O tema das contratações também foi tratado como central no planejamento alvinegro para o restante da competição. Dorival alertou que o campeonato já está em andamento e que os rivais diretos chegaram mais preparados ao início da disputa, o que aumenta a urgência por ajustes no elenco.
“Para isso, precisamos nos recompor rapidamente. O campeonato já está em andamento, as equipes rivais já estão montadas e todas contrataram muito, tornando-se mais fortes do que no ano anterior. É por esse motivo que a nossa atenção e o nosso planejamento precisam ser muito mais precisos daqui para frente”, disse.
Ao ampliar a análise para o cenário geral do Brasileirão, Dorival comentou sobre as disparidades financeiras entre os clubes, citando exemplos recentes de investimentos milionários feitos por equipes brasileiras, como a contratação do meia Lucas Paquetá junto ao Flamengo por 42 milhões de euros (cerca de R$ 260 milhões). Para o treinador, esse movimento reflete uma mudança estrutural positiva do futebol nacional no cenário internacional.
“É mérito dos clubes que se prepararam antecipadamente e hoje vivem uma realidade onde atletas em evidência no futebol europeu podem ser comprados por equipes brasileiras. Há quanto tempo não víamos um jogador resgatado da Europa ainda com mercado lá fora e sem estar programando um retorno?! Isso é um ponto altamente positivo e mostra que o Brasil se preparou para viver este momento de protagonismo financeiro”, avaliou.
Apesar disso, Dorival ponderou que essa vantagem econômica tende a impactar diretamente o equilíbrio competitivo do torneio. Segundo ele, organização e planejamento prévio se tornam fatores determinantes para quem deseja permanecer no topo da tabela.
“Em termos de competição, estamos desenhando uma situação semelhante ao que foi previsto lá atrás: os clubes que saíram na frente pela percepção e organização, naturalmente, terão uma possibilidade maior de se manterem no topo. Os demais terão que trabalhar muito para encontrar regularidade e traçar um novo caminho. Não será simples; o cenário mudou e exige uma gestão muito mais assertiva para diminuir essa distância“, pontuou.
Por fim, o treinador reforçou que, no futebol moderno, a regularidade financeira e esportiva tende a criar uma hierarquia mais estável dentro das competições de pontos corridos, ainda que exceções possam surgir ao longo do caminho.
“Na prática do futebol moderno, as equipes estabelecidas e com regularidade financeira levarão uma vantagem muito grande pelo que produziram e investiram. Eventualmente, uma equipe de menor expressão ou em dificuldades pode chegar, mas isso não será a regra. Aqueles que tiveram o mérito de se organizar primeiro hoje colhem os frutos de estarem naturalmente à frente das demais“, finalizou.
O Corinthians estreou no Campeonato Brasileiro no dia 28 de janeiro, com derrota para o Bahia por 2 a 1, em partida disputada na Vila Belmiro, e ocupa atualmente a 18ª colocação na tabela.
Antes de voltar a campo pelo torneio nacional, o Timão encara o Capivariano nesta quinta-feira, às 20h30, na Neo Química Arena, pela sexta rodada do Campeonato Paulista. Pelo Brasileirão, a equipe alvinegra retorna aos gramados no dia 19 de fevereiro, quando enfrenta o Athletico-PR, às 19h30, na Arena da Baixada, em Curitiba.
Veja mais em: Dorival Jnior, Campeonato Brasileiro e Prximos jogos do Corinthians.


