Talibã força menino de 13 anos a fuzilar assassino de 13 familiares em estádio de Khost

Redação
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Talibã força menino de 13 anos a fuzilar assassino de 13 familiares em estádio de Khost

Um menino de 13 anos executou um homem condenado por matar 13 membros de sua família em um estádio na província de Khost, no Afeganistão, na terça-feira, 2 de dezembro de 2025. O Talibã impôs a retaliação sob o princípio do Qisas, da lei islâmica, após a família recusar o perdão. Cerca de 80 mil pessoas assistiram ao ato, que recebeu condenação da ONU por violar direitos humanos.

O crime ocorreu em janeiro de 2025, quando o condenado invadiu uma residência nos distritos de Alisher e Terezio, matando Abdul Rahman e outros parentes, incluindo nove crianças e uma mulher. A Suprema Corte afegã confirmou a sentença após revisões em três instâncias judiciais, com aprovação final do líder Hibatullah Akhundzada.

Autoridades talibãs relataram que o evento reforça a aplicação da Sharia, com proibições a filmagens no local. Relatos locais indicam que a multidão, composta por familiares e moradores, se deslocou em massa para o estádio central de Khost.

Detalhes do crime e do julgamento

O assassino, identificado como Mangal, filho de Tala Khan e residente nos distritos afetados, enfrentou acusações de homicídio deliberado. Tribunais de primeira instância examinaram evidências em fevereiro de 2025, confirmando a culpa com base em testemunhos e provas materiais.

Apelações ocorreram em março, mantendo a decisão inicial sem alterações. A Suprema Corte revisou o caso em abril, ratificando a pena de morte sob Qisas, que permite retaliação equivalente ao crime.

Akhundzada assinou a ordem de execução em novembro, após consultas à família das vítimas. Dois outros suspeitos do mesmo massacre aguardam sentenças semelhantes, adiadas por exigência de presença de parentes no exterior.

50,000 people gathered today, to witness the implementation of Qisas on the murderer of 13 people in Khost province, Afghanistan.

According to unconfirmed reports, the killer was shot by a 13 year old boy, whose family members were kiIIed in front of him. pic.twitter.com/njBA5mB8Tk

— Muslims Posting Their W’s (@MuzlimsPostingW) December 2, 2025

Aplicação da lei Sharia no Afeganistão

Desde a retomada do poder em 2021, o Talibã impõe interpretações estritas da Sharia, incluindo punições como execuções e amputações para crimes graves. Essa execução marca o 11º caso público desde então, com foco em homicídios e adultério.

Autoridades locais destacam que o Qisas oferece opções de reconciliação, mas a família optou pela retaliação. O porta-voz do governador de Khost, Mostaghfar Gurbaz, confirmou que o ato ocorreu sem incidentes, com orações finais pela segurança nacional.

Críticos apontam falta de transparência no sistema judicial talibã, que opera sem júris independentes. Relatórios indicam aumento de 20% em sentenças capitais desde 2023, concentradas em províncias fronteiriças.

Reações internacionais à execução

Richard Bennett, relator especial da ONU para o Afeganistão, classificou o evento como desumano e contrário ao direito internacional. Ele destacou a presença de crianças na plateia como agravante, em postagem no X na data do ocorrido.

Amnesty International exigiu o fim imediato de execuções públicas, chamando-as de afronta à dignidade humana. A organização documentou 12 mortes por esse método desde 2021, com apelos para sanções contra o regime.

Governos ocidentais, via comunicados conjuntos, reiteraram preocupações com direitos humanos no país. Bennett já havia alertado em outubro sobre o uso da pena capital sem devido processo.

Multidão e medidas de segurança no estádio

Cerca de 80 mil espectadores lotaram o estádio de Khost, superando eventos anteriores em escala. Cartazes proibiam celulares com câmeras e armas, com policiais talibãs revistando entradas desde o amanhecer.

Moradores relataram chegada gradual da multidão a partir das 8h locais, com pico às 10h. Ambulâncias posicionadas fora do local transportaram o corpo após o ato, concluído com gritos de “Allahu Akbar”.

Espectadores como Javid, de 30 anos, expressaram aprovação à demonstração de autoridade talibã. Imagens externas capturaram filas extensas, mas gravações internas foram bloqueadas.

Contexto das execuções sob o Talibã

Execuções públicas eram rotina no primeiro governo talibã, de 1996 a 2001, com centenas de casos registrados. Após 2021, o número caiu inicialmente, mas subiu para 11 em quatro anos, segundo balanço da AFP.

Províncias como Khost, na fronteira com o Paquistão, concentram 40% desses eventos devido a disputas locais. O Talibã justifica as punições como dissuasórias para crimes violentos.

  • Aumento de 15% em homicídios reportados em Khost desde 2024.
  • 70% das sentenças envolvem famílias em reconciliação falha.
  • Presença média de 50 mil pessoas por evento, variando por local.

Impacto na população local

Moradores de Khost veem as execuções como reforço à ordem, com relatos de redução em roubos na região. No entanto, ativistas locais notam trauma em testemunhas jovens, incluindo o executor.

O evento ocorreu em meio a tensões fronteiriças, com acusações mútuas entre Afeganistão e Paquistão por ataques recentes. Em novembro, bombardeios paquistaneses mataram nove crianças em Khost, elevando alertas de segurança.

Famílias afetadas recebem apoio talibã limitado, como auxílios alimentares, mas sem programas de reabilitação psicológica. O Supremo Tribunal enfatizou orações pelo acesso a direitos islâmicos.

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