Eduardo Tagliaferro – Arquivo – Reprodução/LinkedIn
Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, foi detido pela polÃcia italiana nesta quarta-feira, 1º de outubro de 2025, em Roma. A ação atende a um pedido de extradição formulado pelo STF, relacionado a denúncias de vazamento de informações sigilosas. Tagliaferro, que residia na Itália há meses, foi levado a uma delegacia local para aplicação de medida cautelar de restrição de circulação.
A defesa do ex-assessor confirmou o episódio e informou que ele deve retornar à residência após formalidades. O caso ganhou destaque por envolver acusações mútuas entre Tagliaferro e Moraes, com o primeiro alegando irregularidades em procedimentos judiciais. Autoridades brasileiras enviaram o pedido formal em agosto, via Ministério da Justiça e Itamaraty.
Tagliaferro atuou como chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no Tribunal Superior Eleitoral durante a presidência de Moraes em 2022.
Antecedentes da denúncia contra o ex-assessor
A Procuradoria-Geral da República denunciou Tagliaferro em agosto de 2025 por suposto vazamento de mensagens internas entre servidores do gabinete de Moraes.
As conversas, trocadas em 2024, tratavam de relatórios sobre disseminação de fake news e ataques ao STF. Segundo investigações da PolÃcia Federal, Tagliaferro repassou petições confidenciais à imprensa, violando sigilo funcional.
Ele foi indiciado em abril e teve contas bancárias bloqueadas por ordem judicial. Após o episódio, Tagliaferro deixou o Brasil e obteve cidadania italiana, o que complica o processo de extradição.
O Ministério Público Federal argumenta que os vazamentos visavam desestabilizar instituições.
Acusações de Tagliaferro contra procedimentos do TSE
Tagliaferro apresentou denúncias em audiências no Congresso por videoconferência em setembro de 2025.
Ele alegou adulteração de datas em documentos para justificar operações da PolÃcia Federal contra empresários em 2022. Os relatórios teriam sido produzidos após ações policiais, mas retrodatados para evitar questionamentos.
- A assessoria do TSE recolheu dados de perfis em redes sociais suspeitos de conteúdo golpista.
- Relatórios foram enviados a Moraes, que presidia o tribunal na época.
- Tagliaferro sustentou que o objetivo era ocultar influência de notÃcias de imprensa nas buscas.
Moraes rebateu as alegações em nota oficial, afirmando que todos os procedimentos seguiram ritos legais.
Em outra audiência, Tagliaferro mencionou produção de relatórios sob pressão para monitorar opositores. A Comissão de Segurança Pública do Senado ouviu as acusações pela terceira vez.
Processo de extradição e trâmites internacionais
O pedido de extradição foi protocolado em 20 de agosto de 2025 pelo Ministério da Justiça ao Itamaraty.
Autoridades italianas localizaram Tagliaferro em Roma, onde ele vivia desde julho. A detenção visa aplicar restrições de locomoção enquanto o governo italiano avalia o repatriamento.
- Brasil e Itália mantêm tratado de extradição desde 1989, com foco em crimes graves.
- Vazamento de sigilo funcional é enquadrado como delito extraditável.
- Decisão final cabe ao Ministério da Justiça italiano, com possÃvel recurso à Corte Europeia.
A defesa de Tagliaferro planeja contestar o pedido, alegando perseguição polÃtica. Ele havia anunciado novas revelações em depoimento na Câmara dos Deputados, marcado para o mesmo dia da detenção.
O caso envolve cooperação bilateral, com autoridades brasileiras fornecendo provas documentais.
Histórico profissional de Tagliaferro no Judiciário
Tagliaferro, engenheiro e advogado formado pela Universidade Paulista, ingressou no TSE em 2022 como perito.
Nomeado por Moraes, ele chefiou a equipe responsável por análises técnicas de desinformação durante as eleições. O órgão monitorou conteúdos em redes sociais, resultando em remoções de perfis.
Em maio de 2023, Tagliaferro foi exonerado após incidente de violência doméstica em Caieiras, São Paulo. Ele prestou depoimento à polÃcia e deixou o cargo.
Posteriormente, tornou-se figura central em debates sobre liberdade de expressão no Congresso. Suas declarações geraram inquéritos no STF e audiências em comissões parlamentares.
Reações polÃticas ao episódio na Itália
PolÃticos da oposição reagiram à detenção com crÃticas ao STF.
O senador Flávio Bolsonaro, presidente da Comissão de Segurança Pública, chamou o caso de exemplo de perseguição a denunciantes. Ele havia convocado Tagliaferro para audiências recentes.
Deputados alinhados à direita questionaram a rapidez do processo de extradição. Outros parlamentares defenderam a soberania judicial, sem comentários especÃficos.
A Procuradoria-Geral da República monitora o desdobramento internacional.
Tagliaferro expressou, em entrevistas anteriores, intenção de revelar mais documentos sobre o gabinete de Moraes.

