Suzane von Richthofen compareceu à 27ª Delegacia de Polícia, no Campo Belo, zona sul de São Paulo, em 11 de janeiro de 2026, para solicitar a liberação do corpo do tio materno, Miguel Abdala Netto, de 76 anos. O médico foi encontrado morto em sua residência dois dias antes, e o caso é tratado como morte suspeita pela Polícia Civil.
A presença dela no local gerou surpresa entre os policiais, pois se trata da mesma unidade que registrou o assassinato dos pais de Suzane, Manfred e Marísia von Richthofen, em 2002. Na ocasião, ela prestou depoimentos acompanhada pelo próprio tio.
O pedido de liberação foi negado pela delegacia. Suzane alegou ser a parente consanguínea mais próxima, como sobrinha de primeiro grau, e demonstrou interesse em administrar os procedimentos para sepultamento.
Descoberta do corpo e registro inicial
Vizinhos acionaram a polícia em 9 de janeiro de 2026 após notarem a ausência prolongada de Miguel Abdala Netto em sua casa na rua Baronesa de Bela Vista, em Vila Congonhas. Policiais encontraram o corpo no interior da residência, sem sinais externos de violência.
O boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita na 27ª Delegacia de Polícia. Exames periciais e toxicológicos foram solicitados para determinar a causa do óbito, que permanece sob investigação.
Tentativa de liberação e negativa policial
Suzane von Richthofen apresentou-se na delegacia afirmando ser a única familiar apta a autorizar a liberação do corpo para sepultamento. Ela buscava formalizar os trâmites necessários junto às autoridades.
Os policiais negaram o pedido imediatamente. Uma prima de Miguel, Sílvia Magnani, ex-companheira do médico, também tentou os procedimentos no dia seguinte e conseguiu apenas reconhecer o cadáver no Instituto Médico Legal.
Sílvia não comprovou parentesco suficiente para liberação direta. O corpo permaneceu no IML enquanto os procedimentos legais avançavam.
Disputa por herança e pedido judicial
Miguel Abdala Netto não era casado, não tinha filhos e não possuía pais ou irmãos vivos. Seus parentes consanguíneos mais próximos são Suzane e o irmão dela, Andreas von Richthofen.
Estimativas indicam que o patrimônio deixado pelo médico chega a cerca de R$ 5 milhões. Suzane ingressou com pedido de tutela no fórum para tentar reverter a negativa da delegacia e assumir a administração dos bens.
- Miguel atuou como tutor legal de Andreas após o assassinato dos pais.
- Ele também foi inventariante inicial dos bens do casal Richthofen.
- Em 2005, foi afastado do cargo a pedido de Andreas ao completar 18 anos.
Contexto do caso Richthofen de 2002
Manfred e Marísia von Richthofen foram assassinados em 31 de outubro de 2002, na residência da família, no Brooklin. Suzane, então com 18 anos, foi condenada como mandante do crime, junto com Daniel e Cristian Cravinhos.
A pena inicial de Suzane foi fixada em 39 anos e seis meses de prisão. Ela progrediu para regime aberto e cumpre o restante da condenação em liberdade monitorada.
O crime foi registrado exatamente na 27ª Delegacia de Polícia. Durante as investigações iniciais, Suzane compareceu várias vezes ao local acompanhada de Miguel Abdala Netto, que prestou apoio familiar.
Investigação atual da morte
A Polícia Civil mantém o inquérito aberto para apurar as circunstâncias do falecimento de Miguel Abdala Netto. Não há indícios iniciais de crime violento, mas a classificação como morte suspeita exige análises complementares.
Peritos realizam exames no corpo para identificar possíveis causas naturais ou externas. Resultados devem ser divulgados nas próximas semanas, conforme protocolo do Instituto Médico Legal.
A residência do médico recebeu pichações nos dias seguintes à descoberta do corpo. As inscrições foram removidas rapidamente pelas autoridades locais.
Relações familiares e histórico de Miguel
Miguel Abdala Netto mantinha vida reservada e morava sozinho há anos. Ele exerceu papel importante na família após o crime de 2002, assumindo responsabilidades legais sobre Andreas.
Andreas von Richthofen não mantém contato com a irmã desde o período do julgamento. Ele reside fora de São Paulo e não foi localizado imediatamente para comunicação do falecimento.
Sílvia Magnani relatou proximidade afetiva com Miguel nos últimos anos. Ela expressou desejo de que eventuais disposições testamentárias sejam respeitadas nas partilhas futuras.
Procedimentos legais em andamento
O pedido de tutela apresentado por Suzane tramita no fórum competente da capital paulista. Juízes analisam documentação de parentesco e condições para administração provisória dos bens.
O corpo de Miguel Abdala Netto segue no Instituto Médico Legal à espera de autorização final para sepultamento. Familiares aguardam definição judicial para prosseguir com os ritos fúnebres.
Autoridades policiais reforçam que todos os procedimentos seguem normas legais. Qualquer liberação depende de comprovação formal de legitimidade dos requerentes.
Detalhes sobre a residência e vizinhança
A casa de Miguel Abdala Netto localiza-se em área residencial tranquila do Campo Belo. Vizinhos descreveram o médico como pessoa discreta que raramente recebia visitas.
Policiais isolaram o imóvel imediatamente após a descoberta do corpo. Perícias internas foram realizadas para coletar elementos que auxiliem a investigação.
Progressão penal de Suzane von Richthofen
Suzane obteve progressões regimentais ao longo dos anos de cumprimento de pena. Ela passou por regimes fechado, semiaberto e agora aberto, com monitoramento eletrônico.
Atividades laborais e estudos contribuíram para reduções de pena. Ela reside na capital paulista e mantém rotina controlada pelas autoridades judiciais.
O crime de 2002 permanece como referência em discussões sobre parricídio no Brasil. Diversos livros e produções audiovisuais retrataram os fatos julgados.
Expectativas sobre o inquérito
Investigadores aguardam laudos definitivos para encerrar ou aprofundar o inquérito. Causas naturais são consideradas possibilidade principal diante da ausência de lesões visíveis.
Familiares e autoridades mantêm discrição sobre detalhes do processo. Atualizações oficiais devem ocorrer por canais da Polícia Civil de São Paulo.


