Sonda chinesa revela aceleração incomum de cometa interestelar em observação inédita perto de Marte

A sonda chinesa Tianwen-1, em órbita de Marte, realizou um registro detalhado do cometa interestelar 3I/ATLAS em 3 de outubro de 2025. Os dados coletados a cerca de 30 milhões de quilômetros do objeto indicam uma aceleração que não é explicada unicamente por forças gravitacionais, segundo comunicado da Agência Espacial Nacional da China (CNSA).

A observação foi planejada para coincidir com a passagem do cometa, o terceiro visitante de outro sistema estelar já confirmado, pelo nosso Sistema Solar. A captura de imagens em alta resolução da coma e do deslocamento do objeto visa aprofundar o estudo de materiais com origem extrassolar.

As informações obtidas pela sonda chinesa foram integradas a observações das missões europeias ExoMars TGO e Mars Express, validando as descobertas e fornecendo uma análise mais completa do fenômeno.

Integração de dados com missões europeias

As sondas ExoMars TGO e Mars Express, operadas pela Agência Espacial Europeia (ESA), registraram o cometa 3I/ATLAS de ângulos distintos durante o mesmo período. A combinação dos dados fotométricos das três espaçonaves permitiu um refinamento significativo na análise da morfologia da coma e da cauda do objeto, revelando variações de brilho que seriam imperceptíveis a partir de um único ponto de observação.

A colaboração entre as agências espaciais foi fundamental para confirmar que a aceleração detectada não se deve apenas à influência gravitacional do Sol e dos planetas. O fenômeno é atribuído ao empuxo gerado pela ejeção de gases do núcleo do cometa, um processo que pôde ser medido com precisão inédita neste visitante interestelar, fortalecendo a compreensão sobre o comportamento de tais corpos celestes ao adentrarem nosso sistema. [[PROTECTED_BLOCK_0]

Detalhes da operação de captura

Engenheiros da CNSA iniciaram os ajustes na câmera de alta resolução da Tianwen-1 em setembro, utilizando cálculos precisos da trajetória do cometa.

A estratégia de observação envolveu exposições curtas para evitar borrões nas imagens, garantindo a nitidez necessária para a análise científica.

Testes de telemetria foram realizados para assegurar a transmissão estável dos dados de Marte para o centro de controle em Pequim.

A operação validou os protocolos de rastreamento de alvos móveis desenvolvidos pela agência para futuras missões de exploração.

Composição e origem do objeto

Descoberto em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS, no Chile, o cometa 3I/ATLAS possui uma idade estimada entre 3 e 11 bilhões de anos, o que o torna potencialmente mais antigo que o Sol. As variações de cor observadas em sua coma sugerem uma composição química rica, com possíveis traços de elementos formados em regiões próximas ao centro da Via Láctea. Sua passagem pelo periélio, ponto mais próximo do Sol, está prevista para 29 de outubro de 2025, oferecendo uma oportunidade única para estudar material interestelar bruto, essencial para a compreensão dos processos de formação planetária em outras partes da galáxia.

Estrutura revelada pelas imagens

Os registros da Tianwen-1 mostram a coma do cometa, uma nuvem de gás e poeira, com gradientes de brilho que indicam emissões ativas de material.

A sequência de fotografias permitiu medir o vetor de deslocamento do objeto com precisão em relação às estrelas de fundo.

A análise morfológica preliminar aponta para uma atividade complexa, possivelmente com jatos de material sendo expelidos do núcleo devido à sublimação de gelo pela radiação solar.

Implicações para futuras explorações

A operação de rastreamento serviu como um teste crucial para os métodos de navegação e mira de alvos em movimento, capacidade indispensável para a missão Tianwen-2, lançada em maio de 2025 para coletar amostras de asteroides.

A experiência adquirida prepara a equipe chinesa para a observação de objetos ainda mais tênues e distantes, aprimorando sistemas de controle térmico e de estabilidade da sonda.

Próximos passos da análise

A reconciliação dos dados da Tianwen-1 com as observações europeias permitirá refinar a estimativa da orientação do eixo de rotação do cometa e quantificar com maior precisão as forças não gravitacionais que atuam sobre ele. [[PROTECTED_BLOCK_0]