Sete chefes do tráfico do CV são transferidos – Reprodução/Tv record
Sete líderes do Comando Vermelho tiveram suas transferências executadas para presídios federais nesta quarta-feira (12), saindo do Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro. A ação ocorreu sob escolta reforçada do Grupamento de Intervenção Tática, com destino inicial ao Aeroporto do Galeão, de onde prosseguiram em aeronaves da Polícia Federal. O governo estadual solicitou a medida para isolar figuras de alta influência da facção, reduzindo riscos de coordenação de ações criminosas a partir das prisões locais. Autorizada pela Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça, a operação atende a uma estratégia integrada com o Ministério da Justiça, visando estabilidade no sistema penitenciário.
A iniciativa responde diretamente aos eventos violentos registrados após a megaoperação nos Complexos do Alemão e da Penha, em 28 de outubro, que resultou em 121 mortes e 113 prisões. Esses confrontos destacaram a necessidade de segregar líderes que mantinham controle sobre atividades ilícitas mesmo encarcerados.
- Roberto de Souza Brito, conhecido como Irmão Metralha, atuante no Complexo do Alemão;
- Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho, responsável pela administração financeira da facção em Resende;
- Alexander de Jesus Carlos, apelidado Choque ou Coroa, ligado ao tráfico no Alemão.
Esses detentos representam parte da cúpula que emite ordens para pontos de distribuição de drogas e monitoramento em comunidades controladas pelo grupo.
Escolta e logística da transferência
Agentes do Grupamento de Intervenção Tática mobilizaram cerca de 40 policiais para conduzir os presos de Bangu 1 até o Galeão. O comboio seguiu rotas monitoradas para evitar interferências, com passagem de custódia para a Polícia Federal no aeroporto.
A aeronave partiu com destino ao presídio federal de Catanduvas, no Paraná, servindo como ponto de triagem inicial. Dali, os indivíduos serão redistribuídos para unidades em Mossoró (RN), Brasília (DF), Campo Grande (MS) e Porto Velho (RO), sem contato entre si.
Detalhes das condenações acumuladas
Os sete transferidos acumulam sentenças totais de 428 anos, 6 meses e 21 dias, todas relacionadas a tráfico de drogas e associação para o crime. Cada um ocupa posição estratégica na estrutura da facção, como administração de fundos ou comando em comunidades específicas.
Marco Antônio Pereira Firmino, o My Thor, integra a comissão executiva do Comando Vermelho e atuava no Morro Santo Amaro. Fabrício de Melo de Jesus, o Bicinho, de Volta Redonda, também faz parte desse núcleo decisório.
Carlos Vinícius Lírio da Silva, o Cabeça, controlava a comunidade do Sabão, em Niterói, enquanto Eliezer Miranda Joaquim, o Criam, liderava ações na Baixada Fluminense.
Contexto da operação Contenção
A megaoperação Contenção, deflagrada em 28 de outubro, envolveu 2.500 agentes das polícias Civil e Militar nos Complexos do Alemão e da Penha. Durante 18 horas de ação, forças como o BOPE e o Batalhão de Choque avançaram por entradas múltiplas, apreendendo 118 armas, incluindo 91 fuzis.
O foco recaiu sobre o avanço expansionista do Comando Vermelho, que transformou essas áreas em centros de decisão nacional para o tráfico. A ação cumpriu 51 mandados de prisão, mas resultou em confrontos intensos na Serra da Misericórdia, divisa entre os complexos.
Autoridades relataram que os alvos usavam drones para monitoramento e emitiam ordens de dentro de presídios estaduais, justificando a transferência para isolar comunicações.
Posicionamento das autoridades estaduais
O governador Cláudio Castro destacou a transferência como medida para fortalecer políticas de segurança pública. Em nota, enfatizou o compromisso em impedir que organizações criminosas operem a partir de unidades prisionais.
A secretária de Administração Penitenciária, Maria Rosa Nebel, descreveu a ação como técnica e integrada, parte da Operação Contenção. Ela mencionou que, no mandato atual, 42 lideranças já foram removidas para o sistema federal.
Desde o início de 2025, o Rio registrou 19 inclusões no Sistema Penitenciário Federal, elevando o total de custodiados de alta periculosidade para 66, o maior número nacional.
Lei que regula envios para unidades federais
A transferência cumpre a Lei nº 11.671/2008, que prevê o envio de presos de alta periculosidade para presídios federais. Essa norma busca interromper comunicações ilícitas e garantir segregação qualificada.
O juiz Rafael Estrela Nóbrega, da Vara de Execuções Penais, autorizou a medida após análise de riscos, incluindo potencial para novos ataques. Inicialmente, o pedido abrangia 10 nomes, mas pendências em três casos, como julgamentos pendentes, impediram a inclusão imediata.
Unidades federais como as de Catanduvas operam com protocolos rigorosos, isolando detentos para prevenir articulações. Essa estrutura, inaugurada em 2006, já abrigou figuras como Fernandinho Beira-Mar, sem contato entre presos de facções rivais ou internas.


