Presidente da CBF, Samir Xaud – Foto: rafaelribeirorio / CBF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, nesta quarta-feira (1º de outubro de 2025), em evento na sede da entidade no Rio de Janeiro, o avanço de um projeto de fair play financeiro para o futebol nacional. O presidente Samir Xaud informou que as regras serão divulgadas em novembro, visando equilibrar as finanças dos clubes e evitar gastos acima da arrecadação. A medida surge para promover sustentabilidade, com implementação prevista para janeiro de 2026 de forma gradual.
O anúncio ocorreu durante a divulgação do novo calendário do futebol brasileiro para o triênio 2026-2029, que inclui reduções em estaduais e ampliações em competições. Xaud destacou a necessidade de um ecossistema financeiro autônomo, sem endividamentos excessivos.
- Principais sanções previstas: transfer ban, perda de pontos e multas financeiras.
- Base do modelo: análise pós-temporada, adaptada à realidade brasileira.
- Participação: clubes e federações contribuíram em reuniões desde junho.
Avanços no modelo de fair play financeiro
O projeto de fair play financeiro da CBF progrediu com pouca resistência dos clubes, após reuniões que reuniram 34 times das Séries A e B e 10 federações. A proposta foca em limites de gastos equivalentes à receita, inspirada em ligas europeias, mas com ajustes locais.
Implementação escalonada começa em janeiro de 2026, com período de adaptação para os times.
Detalhes das sanções e aplicação
Sanções como impedimento de contratações e dedução de pontos serão aplicadas após análise dos balanços anuais. O modelo evita projeções preventivas, priorizando dados reais da temporada.
Clubes terão 15 dias após o Summit para sugestões finais. A CBF estima que o sistema sane dívidas acumuladas, que ultrapassam bilhões no setor.
O foco recai em transparência, com auditorias obrigatórias para todos os participantes.
Reuniões que moldaram o projeto
Desde junho, o Grupo de Trabalho da CBF realizou encontros no Rio de Janeiro para debater o fair play financeiro. Representantes de federações como as de Alagoas e Bahia apresentaram ideias iniciais.
A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, elogiou o compromisso coletivo durante as discussões. O grupo priorizou soluções práticas, excluindo demandas tributárias externas.
Uma terceira reunião em outubro finalizará os pontos técnicos antes da apresentação oficial.
O processo incluiu consultores em governança esportiva para alinhar o modelo ao contexto nacional.
Preparação para o Summit em São Paulo
O Summit CBF Academy, marcado para 26 de novembro na capital paulista, sediará a divulgação completa das regras. O evento reunirá dirigentes para debater a versão preliminar do fair play financeiro.
A escolha da data permite ajustes finais até dezembro, com foco em equilíbrio entre receitas e despesas dos clubes.
Mudanças no calendário que acompanham a novidade
O novo calendário para 2026 inicia o Brasileirão em 28 de janeiro e encerra em 2 de dezembro, com pausas para a Copa do Mundo masculina em junho e julho. Estaduais reduzem para 11 datas, liberando espaço para competições nacionais. A Copa do Brasil ganha 126 clubes e final única em 6 de dezembro, em campo neutro.
- Ampliação da Série D: de 64 para 96 times, com início em abril.
- Criação da Copa Sul-Sudeste: regional para times de acesso.
- Clubes da Série A entram na 5ª fase da Copa do Brasil.
Essas alterações visam reduzir o número total de jogos para times em competições continentais, promovendo descanso e planejamento. A CBF ajustou o cronograma de 2025 para viabilizar a Copa Intercontinental em dezembro.
Cronograma de implementação gradual
A implementação do fair play financeiro inicia em janeiro de 2026 para as Séries A e B, com monitoramento anual de balanços. Clubes endividados terão prazos para regularização, sob pena de sanções progressivas. O sistema exige relatórios trimestrais de receitas, incluindo direitos de transmissão e patrocínios. Em 2027, estende-se às Séries C e D, com adaptações para divisões menores. A CBF planeja treinamentos para gestores financeiros dos clubes antes do lançamento.
Integração com competições nacionais
O fair play financeiro se alinha ao novo formato da Série C, que muda para fase de grupos e mata-mata único a partir de 2026. Times promovidos da Série D, agora com 96 participantes, enfrentarão regras iniciais de limite de gastos. A CBF monitorará impactos na Copa do Brasil ampliada, garantindo que mais times acessem recursos sem desequilíbrios. Federações estaduais adaptarão estaduais reduzidos às normas financeiras nacionais.


