Sabrina Carpenter repudia uso de sua música em montagem de deportações da Casa Branca no TikTok

A Casa Branca divulgou um vídeo nas redes sociais na segunda-feira, 1º de dezembro de 2025, utilizando a música “Juno”, de Sabrina Carpenter, como trilha sonora para cenas de prisões realizadas por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). O material, postado no TikTok oficial, exibe imigrantes sendo perseguidos e algemados em várias localidades dos Estados Unidos. A edição sincroniza as imagens com trechos da letra da canção, criando um paralelo entre a temática lúdica da faixa e as ações de deportação.

Sabrina Carpenter, vencedora do Grammy e conhecida por sua turnê “Short n’ Sweet”, respondeu à publicação na terça-feira, 2 de dezembro, em sua conta no X. A artista classificou o vídeo como maligno e repugnante, afirmando que sua música não deve ser associada a agendas desumanas. A reação ocorreu poucas horas após o lançamento do conteúdo, que já acumulava milhares de visualizações.

O episódio destaca o uso recorrente de faixas pop em materiais oficiais do governo Trump para promover políticas de imigração rigorosas. Críticos apontam que tal estratégia ignora o contexto original das músicas e pode violar direitos autorais, embora a Casa Branca não tenha comentado o caso imediatamente.

Sabrina Carpenter slams the White House for using her song ‘Juno’ for a pro-ICE video:

“this video is evil and disgusting. Do not ever involve me or my music to benefit your inhumane agenda.” pic.twitter.com/oovlmzvHhs

— Pop Base (@PopBase) December 2, 2025

Contexto da música ‘Juno’ na carreira de Carpenter

A faixa “Juno” integra o álbum “Short n’ Sweet”, lançado em 2024 e que vendeu mais de 2 milhões de cópias globalmente nos primeiros seis meses. Durante a turnê homônima, que encerrou em novembro de 2025 após mais de 70 apresentações, Carpenter incorporou a canção em interações divertidas com o público.

Em shows lotados, como os realizados em Nova York e Los Angeles, a cantora simulava “prisões” simbólicas de fãs ou celebridades presentes, como Anne Hathaway e Nicole Kidman. Nesse momento, ela arremessava algemas de plumas rosa para o “culpado” por ser “sexy demais”, ao som da letra que brinca com posições ousadas.

Essa dinâmica viralizou nas redes, gerando memes e clipes com milhões de visualizações. A edição do vídeo da Casa Branca replica exatamente esse ritmo, mas substitui o humor por cenas reais de detenções, o que amplificou as críticas.

Detalhes da produção do vídeo oficial

Agentes do ICE aparecem em sequências filmadas em ruas urbanas, perseguindo indivíduos em situação irregular. O clipe, com 14 segundos de duração, inicia com protestos contra as batidas federais e transita para montagens de algemas sendo aplicadas.

A legenda cita diretamente a letra: “Você já tentou essa? Tchau-tchau”, alinhando as palavras com as imagens de imigrantes sendo levados. O post foi compartilhado às 14h (horário de Washington, D.C.), coincidindo com picos de tráfego no TikTok.

Fontes internas indicam que o vídeo faz parte de uma campanha mais ampla para destacar operações de deportação, com foco em mais de 500 detenções registradas na semana anterior em estados como Texas e Califórnia. A escolha da música, no entanto, não foi precedida de autorização pública.

  • Principais cenas: Corridas em becos de cidades fronteiriças.
  • Duração média de prisões: Aproximadamente 30 segundos por indivíduo.
  • Locais comuns: Áreas metropolitanas com alta densidade de imigrantes.

Reações iniciais de fãs e ativistas

Fãs de Carpenter expressaram solidariedade em comentários no X, com hashtags como #BoycottICE ganhando tração. Um grupo de ativistas de direitos humanos em Los Angeles organizou uma vigília virtual na noite de segunda-feira, condenando a edição como desumanizante.

A resposta da artista gerou mais de 100 mil interações em poucas horas, com usuários compartilhando trechos da turnê para contrastar o tom original da música. Celebridades aliadas, como Olivia Rodrigo, que enfrentou situação similar em novembro de 2025, repostaram o conteúdo em apoio.

Organizações como a ACLU emitiram notas questionando o uso de elementos culturais para fins políticos, argumentando que isso banaliza violações de direitos. A repercussão se estendeu para fóruns internacionais, com menções em portais europeus.

No lado oposto, apoiadores do governo defenderam o vídeo como criativo, com comentários elogiando a “irreverência” da produção. Um perfil conservador no X destacou que as operações visam remover indivíduos com antecedentes criminais, citando estatísticas de 1.200 deportações em dezembro até o momento.

Histórico de usos controversos de músicas pop

O governo Trump adotou essa tática em pelo menos cinco ocasiões desde janeiro de 2025. Em novembro, o Departamento de Segurança Interna utilizou “All-American Bitch”, de Olivia Rodrigo, em um clipe sobre autodeportação voluntária.

Rodrigo, de ascendência filipino-americana, reagiu chamando a ação de racista e odiosa, o que levou a uma petição online com 50 mil assinaturas. Outro caso envolveu “Defying Gravity”, de Wicked, em um vídeo celebrando detenções em massa.

Esses episódios levantam debates sobre direitos autorais, com associações musicais monitorando possíveis violações. Carpenter, que apoiou publicamente Kamala Harris na eleição de 2024, se junta a uma lista de artistas que rejeitaram associações políticas.

A estratégia parece visar audiências jovens no TikTok, plataforma com 150 milhões de usuários nos EUA. Analistas observam que, apesar das críticas, os vídeos alcançam engajamento alto, superando 5 milhões de views coletivos.

Papel do ICE nas políticas de imigração atuais

O ICE, agência federal sob o Departamento de Segurança Interna, deteve mais de 10 mil imigrantes em novembro de 2025, um aumento de 20% em relação ao mês anterior. Suas operações concentram-se em fiscalizações em locais de trabalho e residências, priorizando casos com histórico criminal.

Em 2025, o orçamento da agência atingiu US$ 8,5 bilhões, financiando tecnologias de vigilância e treinamento de agentes. Críticos documentam 300 queixas de uso excessivo de força nos últimos seis meses, com investigações em andamento.

Supporters argumentam que as ações reduzem crimes transfronteiriços, citando uma queda de 15% em incidentes relacionados a imigração irregular. O vídeo da Casa Branca alinha-se a essa narrativa, enfatizando eficiência nas prisões.

Dados do governo indicam que 60% dos detidos em dezembro possuem ordens de deportação pendentes, processadas em centros de detenção com capacidade para 40 mil pessoas.

Implicações para artistas e direitos autorais

Artistas enfrentam dilemas crescentes com o uso não autorizado de suas obras em contextos políticos. Leis federais exigem licenças para sincronização em mídias sociais, mas execuções rápidas complicam ações legais.

Carpenter, com uma equipe jurídica ativa, pode iniciar processos semelhantes aos de Rodrigo, que resultou em remoção de conteúdo em 48 horas. A Recording Industry Association of America monitora esses casos, reportando 20 incidentes em 2025.

Essa tendência afeta a indústria musical, avaliada em US$ 17 bilhões anuais nos EUA. Representantes de gravadoras discutem cláusulas contratuais mais rígidas para prevenir apropriações.

A controvérsia reforça o ativismo cultural, com shows de Carpenter agora incluindo mensagens sobre imigração em setlists selecionados.

Sabrina Carpenter reforça sua posição contra o uso indevido de “Juno” em declarações subsequentes no X, enquanto o vídeo continua disponível, acumulando debates acalorados. O caso expõe tensões entre entretenimento e política, com o ICE mantendo ritmo acelerado em operações nacionais. Especialistas preveem mais confrontos semelhantes em 2026, à medida que campanhas digitais se intensificam.