Resultados sólidos, guidance conservador: o que fez a ação da Embraer cair 8% após 4T – InfoMoney

Redação
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Resultados sólidos, guidance conservador: o que fez a ação da Embraer cair 8% após 4T – InfoMoney

A fabricante de aeronaves Embraer (EMBJ3) reportou nesta sexta-feira (6) seu balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25) e, no mesmo dia, as ações da companhia fecharam com queda de 8,05%, a R$ 80,14, liderando as perdas do Ibovespa.

Na visão do Itaú BBA, o resultado do quarto trimestre da Embraer foi impactado por uma combinação de volumes elevados de entregas, boa dinâmica operacional e disciplina financeira, permitindo à companhia superar o topo do seu guidance (projeção) de rentabilidade.

Para os analistas, o guidance para 2026 foi considerado conservador. A empresa projeta receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões (em comparação com a estimativa do BBA de US$ 8,9 bilhões, ligeiramente abaixo devido ao menor número esperado de entregas na aviação comercial). Além disso, a margem Ebit é esperada entre 8,7% e 9,3% (versus 9,1% do BBA), com geração de fluxo de caixa livre estimada em US$ 200 milhões (ou superior).

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Viva do lucro de grandes empresas

“O guidance para 2026 veio abaixo das expectativas do mercado em receita, principalmente por uma postura mais conservadora na aviação comercial. Por outro lado, a rentabilidade projetada e a geração de caixa seguem sólidas, com potencial adicional caso a isenção de tarifas para o setor aeroespacial nos Estados Unidos se confirme”, avalia.

Para o BBA, apesar de desafios ainda presentes na cadeia de suprimentos (fornecimento de peças e componentes), custos logísticos mais altos e impactos de tarifas nos Estados Unidos, a empresa beneficiou-se de alavancagem operacional, mix favorável em alguns segmentos e forte geração de caixa, encerrando o trimestre com posição líquida de caixa. Assim, reitera recomendação de “compra” para EMBJ3, com preço-alvo de R$ 98,20 o fim de 2026

O Goldman Sachs classificou como sólidos os resultados da Embraer no quarto trimestre de 2025, destacando que a receita e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) vieram 4% acima do consenso de mercado.

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O fluxo de caixa livre ajustado (excluindo a Eve) foi de US$ 738 milhões, também acima das estimativas do mercado. Além disso, o guidance inicial para 2026 divulgado pela empresa ficou em linha com o consenso.

O JPMorgan também considerou os resultados positivos, com destaque para a forte geração de fluxo de caixa, que resultou em posição líquida de caixa. O lucro antes de juros (EBIT) ajustado foi de US$ 231 milhões, com margem de 8,7%, impactada em US$ 27 milhões relacionados a tarifas dos Estados Unidos. Excluindo esse efeito, a margem EBIT teria sido de 9,7%, acima da estimativa dde 9,5% do JPMorgan e ligeiramente superior ao consenso de mercado de 8,6%.

O JPMorgan destacou, após a teleconferência de resultados, que as parcerias estratégicas da Embraer estão focadas em sustentar o crescimento de longo prazo. No segmento de defesa, a cooperação com a Mahindra pode resultar em pedidos potenciais de 40 a 80 aeronaves, possivelmente já neste ano. Já na aviação comercial, a parceria com o grupo indiano Adani para o modelo E175 pode gerar encomendas a partir de 2026, com entregas previstas a partir de 2028.

Nos Estados Unidos, a fabricante também busca ampliar sua presença ao demonstrar as capacidades do KC-390 como complemento à frota de aviões-tanque do país, embora ainda não haja detalhes sobre tamanho ou prazo de possíveis pedidos.

Sobre o guidance, o banco ressaltou que as projeções da companhia ainda não incorporam o impacto positivo do fim das tarifas dos Estados Unidos, ocorrido no fim de fevereiro. Mesmo assim, a empresa vê mais riscos positivos do que negativos para as estimativas. No ponto médio do guidance, o EBIT deve crescer cerca de 15% na comparação anual, enquanto a meta para geração de caixa é converter aproximadamente 50% do Ebitda em fluxo de caixa livre (FCF).

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Em relação às margens, a Embraer avalia que, sem as tarifas americanas, o nível poderia ficar entre 75 e 100 pontos-base acima da faixa de 8,7% a 9,3% de margem EBIT projetada para 2026. A companhia também mantém o objetivo de alcançar margens de dois dígitos no segmento de defesa. Atualmente, cerca de US$ 25 milhões em tarifas já estão embutidos nos estoques, referentes a peças adquiridas com incidência tarifária. Em 2025, o impacto total foi de cerca de US$ 50 milhões, sendo que aproximadamente dois terços desse valor podem aparecer no resultado de 2026.

No que diz respeito às entregas, a expectativa é de leve crescimento na aviação comercial, com 80 a 85 aeronaves previstas para 2026, ante 78 em 2025. A companhia pretende operar próxima ao ponto médio da faixa superior do guidance e busca elevar as entregas para até 100 aeronaves entre 2027 e 2028. Na aviação executiva, a estratégia envolve ampliar a capacidade produtiva para atingir até 200 aeronaves entregues por ano.

O JPMorgan reiterou classificação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 108. O Goldman Sachs também manteve recomendação de compra e preço-alvo de US$ 78 por ADR.

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