Relator da CPMI do INSS pede indiciamento de ex-assessor de Alcolumbre

Redação
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Relator da CPMI do INSS pede indiciamento de ex-assessor de Alcolumbre

Apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) nesta sexta-feira (27/3), o relatório final da CPMI do INSS pede o indiciamento do ex-chefe de gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

O relator do colegiado apontou Paulo Augusto de Araújo Boudens como beneficiário de um repasse de R$ 3 milhões de uma empresa investigada por participação em fraudes na Previdência. Segundo Gaspar, a companhia foi utilizada pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS“, para dissimular a origem dos valores.

No parecer, o deputado classificou o ex-assessor de Alcolumbre como um “operador de influência política de alto nível”.

“Seu indiciamento reflete a gravidade de sua conduta ao utilizar cargos de confiança no Legislativo para dar vazão e proteção a um esquema de fraude bilionária contra aposentados, justificando o aprofundamento das quebras de sigilo para mapear a extensão total de seu proveito econômico”, afirmou.

Boudens entrou na mira da CPMI em outubro do ano passado, quando o colegiado analisou um pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal. A medida, no entanto, foi barrada por uma articulação da base governista. Ele esteve lotado no gabinete de Alcolumbre até 2023 e, atualmente, aparece vinculado ao Conselho de Estudos Políticos do Senado.

No relatório, Alfredo Gaspar sugeriu o indiciamento de Boudens por quatro crimes: organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e advocacia administrativa.

A CPMI discute nesta sexta-feira (27/3) o parecer final de Gaspar. Caso o relatório seja aprovado, o texto será encaminhado a órgãos responsáveis por avaliar e decidir sobre a apresentação de denúncias, com base nas conclusões do colegiado. Entre as instituições que podem receber o documento estão o Ministério Público Federal e a Advocacia-Geral da União (AGU).

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“Destinatário estratégico”

Em seu parecer, Alfredo Gaspar apontou que as transferências a Boudens ocorreram entre 2023 e 2024, período em que Boudens ocupava o cargo de assessor parlamentar no Senado e já havia exercido a chefia do gabinete de Alcolumbre. “Cargo que lhe conferia trânsito político privilegiado durante o auge da implementação dos descontos indevidos nos sistemas do INSS”, escreveu.

Para o relator da CPMI, Paulo Boudens atuou como um “destinatário estratégico de recursos no núcleo político-financeiro da organização criminosa”.

Ainda de acordo com o relator, Boudens funcionava como um “duto para a integração de ativos ilícitos enquanto exercia funções de alta relevância no Poder Legislativo”.

O relator da CPMI do INSS argumentou que, ao receber esses valores, Paulo Boudens ajudou a dissimular a “origem dos recursos, uma vez que o capital extraído de aposentados era pulverizado por empresas de consultoria (Prospect, Brasília e Acca) antes de chegar às suas contas pessoais”.

“A participação de Paulo Boudens foi determinante para assegurar o proveito econômico da organização. Ao absorver R$ 3 milhões de uma estrutura comprovadamente abastecida pelo líder do esquema de descontos e conectada a redes de branqueamento de capitais, o indiciado garantiu a integração de recursos ilícitos à esfera de influência política, justificando o encaminhamento de sua responsabilização penal por esta CPMI”, afirmou.

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