Reajuste do salário mínimo em 2026 eleva valor para R$ 1.631 e afeta 60 milhões de brasileiros

Redação
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Reajuste do salário mínimo em 2026 eleva valor para R$ 1.631 e afeta 60 milhões de brasileiros

Governo federal enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual para 2026, que estabelece o salário mínimo em R$ 1.631 a partir de janeiro do próximo ano. O valor representa um aumento de 7,44% em relação aos atuais R$ 1.518, calculado com base na inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor acumulada até novembro de 2025, mais um ganho real de 2,5%. Essa medida atende à regra aprovada em 2023, que combina o INPC com o crescimento do Produto Interno Bruto de dois anos anteriores, limitado pelo arcabouço fiscal para garantir sustentabilidade das contas públicas.

A definição final ocorre por decreto presidencial no fim de dezembro de 2025, após análise parlamentar do orçamento. Caso o INPC acumulado supere as projeções, um ajuste adicional pode ser aplicado em fevereiro de 2026. O piso salarial serve de referência para cerca de 60 milhões de pessoas, incluindo trabalhadores formais, aposentados e beneficiários de programas sociais.

Cálculo do reajuste

O reajuste considera o INPC projetado em 4,78% para os 12 meses até novembro de 2025.

Adiciona-se o crescimento do PIB de 2024, registrado em 3,4%, mas limitado a 2,5% para evitar expansão excessiva de despesas.

Essa fórmula resulta no acréscimo de R$ 113, aplicado aos R$ 1.518 vigentes desde janeiro de 2025.

Setores afetados pelo aumento

Varejo registra elevação nos custos operacionais devido à mão de obra intensiva.

Serviços e restaurantes enfrentam reajustes em folha de pagamento para manter competitividade. Logística e construção civil incorporam o valor em contratos e negociações sindicais.

Agroindústria ajusta remunerações para equipes de campo e processamento.

dinheiro
dinheiro – Foto: AndreaGoldschmidt/iStock.com

Projeções orçamentárias para 2026

O Projeto de Lei Orçamentária Anual estima despesas primárias em R$ 2,428 trilhões para o ano seguinte.

O crescimento econômico projetado fica em 2,44%, com inflação pelo IPCA em 3,6%.

A taxa Selic sobe para 13,11% ao ano, influenciando o custo da dívida pública.

Esses parâmetros orientam a alocação de recursos para saúde, educação e infraestrutura.

O documento prevê R$ 83 bilhões em investimentos públicos, priorizando obras essenciais.

Impactos nos benefícios sociais

Aposentadorias e pensões do INSS atreladas ao mínimo sobem para R$ 1.631, beneficiando 35 milhões de segurados.

O Benefício de Prestação Continuada ganha R$ 113 mensais para 5,5 milhões de idosos e deficientes.

Abono salarial PIS/Pasep eleva o pagamento médio de R$ 1.518 para R$ 1.631 por trabalhador elegível.

Seguro-desemprego ajusta parcelas iniciais ao novo piso, totalizando R$ 25 bilhões em desembolsos.

Cada real de aumento gera despesa adicional de R$ 430 milhões nas contas públicas.

Evolução recente do piso salarial

De 2023 a 2025, o salário mínimo acumulou ganhos reais acima da inflação, recuperando perdas de anos anteriores.

Em 2024, o valor fixou-se em R$ 1.412, com reajuste de 6,97% baseado no INPC de 2023 mais PIB de 2021.

O patamar de 2025, em R$ 1.518, incorporou 7,51% de elevação, incluindo ganho real de 2,61%.

Para 2026, a projeção mantém a tendência, com foco em equilíbrio fiscal e estímulo ao consumo.

O Dieese calcula que o valor ideal para suprir necessidades básicas de uma família de quatro pessoas chega a R$ 7.158 em 2025.

Aplicação prática do novo valor

Trabalhadores formais recebem o reajuste no salário de fevereiro de 2026, referente a janeiro.

Empresas de pequeno porte recalculam obrigações trabalhistas até o fim de 2025.

Programas como Bolsa Família mantêm valores fixos, mas o mínimo influencia critérios de elegibilidade.

O governo realiza auditorias no BPC para otimizar R$ 20 bilhões em despesas projetadas até 2026.

Essa estrutura assegura que o reajuste circule na economia sem comprometer metas fiscais.

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