Além disso, aos 60 anos, Percília dos Santos Rosa carrega conhecimentos aprendidos desde a infância com a mãe, o pai, a avó, a bisavó e outras mulheres mais velhas da família. Dessa forma, moradora da comunidade quilombola Vão de Almas, no Território Kalunga, no município de Cavalcante, na região da Chapada dos Veadeiros, ela é raizeira, artesã, dançarina e puxadora de sussa, uma das manifestações culturais tradicionais dos Kalunga. Com isso, ao longo da vida, aprendeu a reconhecer plantas do Cerrado, preparar remédios tradicionais e acompanhar mulheres durante a gestação e o parto.
Nesse sentido, A relação de Percília com as plantas começou ainda na infância acompanhando os pais. Portanto, A mãe, Francisca da Silva, costumava levá-la para o rio e mostrar os “matinhos” usados como remédios. Foi assim que ela aprendeu, por exemplo, que o carrapicho-barba-de-saia era utilizado pela família em casos de febre e também para mulheres durante a menstruação. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a território Kalunga continuam sendo acompanhados com atenção.
Em seguida, O pai, Rosário dos Santos Rosa, também ensinava sobre plantas como o fedegoso, o mentrasto e o jaivão, usados tradicionalmente pela família para diferentes cuidados, como febre, gripe, resfriado e resguardo. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de território Kalunga nos últimos dias.
Contexto e detalhes sobre território Kalunga
“Fui aprendendo, e aí cada dia você aprende sobre mais uma raizinha, depois você aprende sobre outra, até que a gente conhece vários remédios”, contou Percília. Especialistas destacam que novas atualizações sobre território Kalunga devem surgir em breve.
De acordo com as apurações, O conhecimento foi construído aos poucos, pela observação e pela convivência com os mais velhos. Por outro lado, percília aprendeu a identificar folhas, raízes, cascas e outras partes das plantas encontradas no Cerrado e a preparar diferentes remédios tradicionais, entre eles chás e garrafadas. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a território Kalunga continuam sendo acompanhados com atenção.
Vale destacar que segundo ela, uma única garrafada pode reunir diferentes plantas. Sendo assim, quando tem uma pronta, Percília conta que costuma tomar pequenas doses ao longo do dia. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de território Kalunga nos últimos dias.
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Partos
Além disso, além dos conhecimentos sobre as plantas, Percília também aprendeu com as mulheres da família cuidados relacionados à gestação, ao parto e ao período de resguardo. Dessa forma, parteiras, benzedeiras e mulheres mais velhas exerciam papel importante no cuidado das famílias da comunidade. Especialistas destacam que novas atualizações sobre território Kalunga devem surgir em breve.
Com isso, O primeiro parto que Percília realizou sozinha aconteceu de última hora. Uma mulher já estava prestes a dar à luz e não havia outra parteira disponível na comunidade. Mesmo com pouca experiência, ela assumiu a situação e, antes de realizar o procedimento, conta que pediu força e sabedoria.
Percília já conhecia alguns dos cuidados transmitidos pelas parteiras, como os banhos de ervas e outros preparos utilizados pelas mulheres. Alguns conhecimentos, como determinadas rezas e benzimentos, ainda não haviam sido ensinados a ela pelas mulheres mais velhas.
Depois daquele primeiro nascimento, outros vieram. Ao todo, Percília conta que realizou três partos, e auxiliou em um, em diferentes anos. Todos terminaram bem, mas a experiência também mostrou a responsabilidade envolvida em acompanhar o nascimento de uma criança.
“Fazer parto é muito difícil para a gente fazer porque você está ali com a vida da criança e a vida da mulher em suas mãos”, afirmou.
Hoje, Percília não realiza mais partos. Segundo ela, as condições mudaram e as gestantes costumam se deslocar para a cidade para receber atendimento. Para ela, o trabalho se tornou mais arriscado diante da possibilidade de surgirem situações mais complexas durante o nascimento.
Os conhecimentos das antigas parteiras, porém, iam além do momento do parto. Faziam parte desse aprendizado os cuidados com a mulher depois do nascimento, os banhos, as massagens, as rezas e o uso de plantas medicinais.
Para Percília, esses saberes foram construídos na convivência com a família e com o território. O conhecimento sobre o Cerrado não se resume a reconhecer uma planta, mas também envolve saber onde encontrá-la, observar suas características e entender os usos que foram ensinados pelas gerações anteriores.
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Cultura
Além de raizeira e artesã, Percília é puxadora de sussa, uma das manifestações culturais tradicionais do povo Kalunga. Ao lado de outras mulheres da comunidade, participa de cantos e danças presentes nos festejos e encontros entre os moradores.
Nascida e criada no Vão de Almas, ela construiu a própria trajetória a partir dos ensinamentos recebidos dentro de casa e da relação cotidiana com o Cerrado. São conhecimentos transmitidos entre gerações e que continuam presentes na maneira como ela cuida de si e da comunidade.
Uma das formas que Percília encontrou para preservar essa memória foi o cinema. Parte dessa história foi registrada em um documentário que leva o nome dela. O curta foi gravado em 2025 e acompanha o cotidiano da raizeira, sua relação com o território e os saberes tradicionais que aprendeu ao longo da vida.
A produção foi dirigida por Percília e pela Fotógrafa e Documentarista Bianca de Carvalho. As duas se conheceram no Grande Encontro Raízes, evento anual que reúne benzedeiras, parteiras, raizeiros e pajés da Chapada dos Veadeiros.
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Bia, como é conhecida, contou ao Mais Goiás que viu Percília vendendo produtos em uma feira e se interessou pela forma como ela defendia o valor do próprio trabalho. A partir daí, surgiu a vontade de conhecer e contar a história da raizeira em um documentário. O projeto foi aprovado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
Percília participou da produção como codiretora. Segundo Bia, ela ajudou a definir o que seria mostrado, quais familiares participariam e como sua história seria contada.
O filme acompanha a rotina de Percília, a relação com a família e o território e registra conhecimentos sobre plantas medicinais, além de cantos, rezas, festas e outras manifestações da cultura Kalunga.
“Meu sonho era eu escrever, era eu ter um documentário falando sobre algumas erva, sobre algum xarope […] pra passar pro mundo inteiro ver, meus neto, meus outros parente, meus sobrinho conhecer como foi eu que fiz e falei pra passar no mundo inteiro, isso pra mim foi uma honra”, disse Percília ao Mais Goiás.
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