Segundo o professor, o engajamento dos estudantes é um dos principais resultados observados
Professor usa robótica educacional para estimular aprendizado em escola de Aparecida de Goiânia (Foto: Reprodução)
No Colégio Estadual Presidente Artur da Costa e Silva, em Aparecida de Goiânia, o professor Eurípedes Garcia tem utilizado a robótica educacional como ferramenta para estimular o aprendizado dos estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II. Em entrevista ao Mais Goiás, ele explicou que a metodologia contribui para o desenvolvimento do raciocínio lógico, pensamento computacional, alfabetização tecnológica e conhecimento de conceitos de física, como atrito e velocidade.
Segundo o professor, o engajamento dos estudantes é um dos principais resultados observados. Os desafios práticos são as atividades nas quais eles mais se envolvem, já que tendem a competir entre si com o objetivo de demonstrar quem consegue executar melhor a tarefa em menos tempo. “Percebo entusiasmo e pertencimento quando eles entregam o robô montado pronto para uso”, explica Eurípedes.
O docente também observa que, por estar sempre à disposição das equipes durante as atividades, cria-se uma relação de maior proximidade com os estudantes. Mesmo aqueles que apresentam dificuldades de aprendizagem ou problemas disciplinares passam a enxergar o professor com mais respeito e companheirismo. Para Eurípedes, essa interação contribui diretamente para a melhora no comportamento e no desempenho escolar.
As aulas começam com conteúdos teóricos, utilizando livros que vão do nível iniciante ao avançado. Os estudantes aprendem sobre os diferentes tipos de robôs, suas aplicações na vida real e os componentes utilizados nas montagens. Depois, são divididos em grupos de cinco integrantes, recebem manuais e kits com peças para iniciar os projetos práticos.
Durante as atividades, o docente propõe desafios e acompanha de perto o desenvolvimento de cada grupo. Quando necessário, os robôs são programados para executar funções específicas. Ao final do semestre, os alunos apresentam os projetos.
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Além dos kits estruturados, como os de LEGO educacional, também são utilizados materiais alternativos, como motores, fios, conectores e itens recicláveis, a exemplo de garrafas PET, latas e peças reaproveitadas de carrinhos de controle remoto.
Eurípedes explica que a robótica pode ser aplicada tanto nas disciplinas do núcleo comum quanto no Núcleo de Integração Curricular, como Protagonismo Juvenil e Iniciação Científica. Nessas áreas, os projetos podem se estender por até 12 meses, ampliando as possibilidades pedagógicas. A abordagem dialoga com o modelo STEAM, que integra Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática.
A iniciativa faz parte da proposta das escolas de tempo integral da rede estadual, que recebem kits de robótica por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc/GO). A disciplina é ofertada como eletiva, componente da Parte Diversificada do currículo. A cada semestre, os alunos escolhem as áreas que desejam cursar e, após a matrícula, são organizados em turmas com média de 35 estudantes para a Eletiva de Robótica.
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