Prédio muda fachada após fechamento do Instituto Delta Proto em Rio Verde

Além da remoção da identidade visual, alunos relatam interrupção de turmas e falta de diplomas; defesa alega processo de transição administrativa

Imagem da fachada

Alunos relatam surpresa com a remoção da identidade visual (Foto: cedida ao Mais Goiás)

Inglid Martins

Proprietário do prédio que abrigava o Instituto Delta Proto, em Rio Verde, fez questão de mudar a fachada do empreendimento imediatamente após o fechamento da instituição. O local, antes ocupado pela empresa do delegado Dannilo Proto e esposa Karen, ambos presos por desvio de recursos públicos, foi descaracterizado com a remoção de identidade visual e pintura da faceta externa da construção. O fechamento definitivo da unidade ocorreu na última sexta-feira (13/2), quando alunos foram convocados para recolhida de documentos, mas se depararam com processo de mudança em andamento.

Estudantes agora cobram um endereço para buscar diplomas e validar horas de estágio que não constam nos históricos. A incerteza deles aumentou com a interrupção abrupta dos serviços administrativos. Frequentadores de cursos como Enfermagem, Perícia Criminal e Necropsia detalham prejuízos acadêmicos e dificuldades para recuperar documentos. O cenário de instabilidade se agravou desde a prisão dos proprietários em operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). Ambos são investigados também por fraude em concursos e contratos educacionais, além de coação.

Sem registro profissional

Um ex-estudante, que preferiu o anonimato por receio de retaliações, explicou que a falta de suporte impede o exercício da profissão. “Quem concluiu cursos técnicos em junho de 2025 enfrenta impedimentos profissionais, pois os registros não foram inseridos no sistema do Ministério da Educação (MEC). Sem isso, não conseguimos tirar o registro profissional”, desabafou. Segundo ele, no dia da desocupação, familiares obtiveram apenas declarações provisórias, sob a justificativa de que os certificados definitivos dependiam de códigos de validação da diretoria. Há registros de graduações finalizadas em 2024 que permanecem sem titulação oficial.

Imagem da mudança
Após ultimato para entrega de documentos, instituto é flagrado em mudança (Foto: cedida ao Mais Goiás)

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Fim dos cursos e falta de pagamento

Os sinais de crise na organização se intensificaram uma semana antes do fechamento definitivo. Na terça-feira (10), houve o encerramento abrupto das turmas de Radiologia e Necropsia que estavam em andamento, sem oferecer alternativa para a conclusão das disciplinas.

Além da interrupção pedagógica, a unidade registrava problemas na gestão operacional. Relatos de ex-colaboradores indicam que o imóvel possuía pendências financeiras de aluguel, o que motivou uma possível ordem de despejo. A crise administrativa também atingiu o fornecimento de água e energia elétrica. No corpo docente, professores afirmam que a saída do prédio ocorreu sem o pagamento de salários atrasados.

Imagem dos alunos no fim dos cursos
Instituto Delta Proto fecha turmas e expõe colapso após investigações contra seus donos (Foto: cedida ao Mais Goiás)
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Alunos cobram canal de atendimento

Até o momento, os estudantes não foram notificados sobre um canal oficial de comunicação ou endereço físico para a retirada de documentos. O Mais Goiás procurou a defesa de Dannilo e Karen Proto, além da administração do Instituto Delta Proto. Em nota enviada na segunda-feira (16), o advogado Cil Farney que representa a antiga gestão afirmou que a instituição passa por um processo de transição administrativa e mudança de endereço, garantindo que todas as obrigações assumidas serão cumpridas. No entanto, os nomes dos novos gestores e o local da nova sede ainda não foram divulgados.

Imagem do casal
Danilo Proto e sua esposa Karen de Souza Santos Proto são investigados pelo MPGO (Foto: reprodução)

Leia na íntegra a nota da defesa

“Em relação a preocupação com a movimentação recente na sede do Instituto Delta Proto. O que posso te garantir é que o Instituto está, de fato, passando por uma fase de transição, que inclui mudanças em sua gestão e também de localização.

Essa realocação e as mudanças administrativas são parte de um processo natural de reestruturação interna.

Quero assegurar que conforme dizeres da instituição, todos os compromissos e responsabilidades assumidos pelo Instituto serão rigorosamente cumpridos, sem qualquer interrupção prolongada.

Sobre os novos gestores e detalhes mais específicos desse processo, no momento, não estou autorizado a divulgá-los.

Assim que for o momento adequado, e em total transparência, a nova direção fará as comunicações necessárias.

Como advogado dos antigos gestores, continuo à disposição para repassar informações conforme orientações da antiga gestão.

Agradecemos a compreensão neste período de ajustes.”

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