Duas mulheres registraram um boletim de ocorrência contra o presidente da Associação da Feira Hippie de Goiânia, Waldivino da Silva, por suspeita de assédio e importunação sexual. A informação foi repassada pelo advogado delas, Philippe Lasmar, nesta segunda-feira (20). Os casos se juntam a uma denúncia feita pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), que também inclui ameaça, divulgada pelo Mais Goiás em 27 de maio deste ano.
Waldivino, por sua vez, nega todas as denúncias e afirma haver interesse político. “Nego veementemente qualquer tipo de acusação desta natureza. Tenho absoluta confiança de que a verdade virá à tona ao fim das investigações. Estou sendo vítima de reiteradas denúncias caluniosas às vésperas de processo eleitoral, todas elas sem o menor indício probatório. Sigo trabalhando de forma séria e honesta em prol dos feirantes da Feira Hippie, que seguem me apoiando em sua grande maioria”, afirmou ao Mais Goiás.
Novos registros na Polícia
Quanto às denúncias recentes, elas foram feitas em 29 de maio e 19 de julho, ou seja, após a reportagem. Na primeira, a vítima, que é feirante, afirma que, no segundo semestre de 2024, sofreu assédio sexual do homem. Ela relata que estava na sala de Waldivino, ocasião em que ele disse palavras obscenas para ela.
Entre as frases, estariam “você é muito gostosa” e “você tem a bunda grande”. A vítima alega que pediu respeito e alertou que era casada. Ao sair do local, o homem teria dito a ela que não contasse nada, pois ninguém acreditaria nela.
Já a segunda suposta vítima narrou que, desde 2024, tem sido importunada sexualmente pelo presidente. No começo dos casos, ela ainda tinha 16 anos. Segundo a jovem, o acusado a abraçava por trás, passava a mão em seus cabelos e colo, sem autorização.
Ainda conforme esta denunciante, o suspeito debochava quando ela pedia para parar e chegou a perguntar se ela gostaria de ter relações sexuais com ele por dinheiro. Ela afirma que, em 20 de janeiro deste ano, estava na Associação dos Feirantes, quando foi “encantoada” por Waldivino, que a segurou pelo braço, a encurralou na parede e disse que ninguém acreditaria nela. Após esse episódio, ela parou de trabalhar na Feira Hippie.
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Uma das vítimas disse ao Mais Goiás que tem sido difícil até pensar neste momento. “Estou sendo ameaçada constantemente. Não foi fácil tomar coragem para denunciar.” Ela emendou: “Inclusive, recentemente sofri uma violência na feira, fui atacada por uma mulher que acertou o celular no meu olho e correu. Eu também fiz um boletim contra ela.”
Já a outra denunciante desabafou que se sentiu como se fosse “um nada”, devido a tudo que ouviu. “Eu tive crises de ansiedade, passei noites sem dormir, me senti uma pessoa sem valor.” Segundo ela, outras denúncias a encorajaram a procurar a polícia. “Eu quero Justiça.”

Denúncia anterior
No começo de maio deste ano, o MPGO denunciou o presidente da Associação da Feira Hippie de Goiânia, Waldivino da Silva, por suspeita de importunação e coação contra uma funcionária da entidade. Consta no documento que ele teria feito contato físico sem consentimento, como tentativas de beijo forçado e apalpamentos à mulher.
Conforme a denúncia do promotor José Divino da Silva, os casos ocorreram entre 2018 e o fim de 2023 nas dependências da associação, que fica na Avenida Goiás, no Setor Central. O promotor argumenta que o acusado passou a se aproveitar de sua posição de superioridade hierárquica, a partir do ano de 2018, para constranger a vítima de forma contínua.
Ainda conforme o documento, o denunciado “condicionou a concessão de um ponto de venda a um beijo e chegou a oferecer a quantia de R$ 5 mil para que a ofendida passasse a noite com ele”. Com as recusas, ele teria passado a exercer coação moral no ambiente de trabalho, com ameaças de prejudicar a funcionária profissionalmente e transferi-la de quadra como punição, além de cortar benefícios laborais.
Ele também teria realizado contatos físicos forçados e até apalpado as nádegas da vítima, segundo o Ministério Público. Narra o promotor que, em outubro de 2023, o acusado “levou a vítima para uma sala reservada na rádio da feira, trancou o local, segurou-a firmemente pelos braços, puxou-a contra seu corpo e tentou beijá-la novamente à força, cessando a agressão apenas quando um terceiro bateu à porta do cômodo”.
A vítima, em decorrência das violências sofridas, desenvolveu quadro psiquiátrico, inclusive tentando tirar a própria vida e passando por internações hospitalares prolongadas.
Nota do advogado sobre a vítima que fez a denúncia em 29 de maio:
“A defesa da vítima informa que, no curso da investigação, foram deferidas medidas protetivas de urgência, posteriormente revogadas após pedido da defesa do investigado, com manifestação favorável do Ministério Público e decisão judicial nesse sentido, em razão de os fatos investigados remontarem ao ano de 2024, dentre outros fundamentos inconsistentes.
Entretanto, a vítima continua se sentindo ameaçada. Nas últimas semanas, o investigado se aproximou da banca onde ela trabalha, fato registrado por gravações que serão apresentadas às autoridades competentes.
Além disso, uma apoiadora do investigado causou tumultuos e agrediu a vítima, fato que gerará novas investigações, suspeita-se que houve participação indireta do investigado, mas ainda estamos captando provas acerca disso.
Ademais, embora as medidas protetivas tenham sido revogadas, o inquérito policial permanece em andamento.
Diante da persistência da sensação de risco e dos novos fatos, a defesa requererá a adoção de medidas cautelares para garantir a segurança da vítima e assegurar que ela possa exercer suas atividades profissionais e seguir sua vida sem medo ou intimidação.“
Cordialmente, Dr. Philippe Lasmar – OAB/GO 49.103
Nota do advogado sobre a vítima de 19 de julho:
“A defesa da terceira vítima informa que os fatos por ela narrados tiveram início quando ainda era menor de idade, circunstância que reforça a necessidade de rigorosa apuração pelas autoridades competentes. O registro da ocorrência já foi formalizado perante a Polícia Civil.
Diante da gravidade dos relatos, a defesa foi constituída e requererá a instauração do inquérito policial, bem como a adoção de medidas cautelares para garantir a proteção da vítima e assegurar a regular instrução das investigações.
A defesa confia no trabalho das instituições e espera que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos e comprovados, com a responsabilização plena do envolvido.“
Cordialmente, Dr. Philippe Lasmar – OAB/GO 49.103




