bebida metanol – Foto: reprodução globo
A Polícia Federal e o Ministério da Agricultura realizam fiscalização em depósitos de distribuição de bebidas na Grande São Paulo e interior do estado nesta quinta-feira. A ação visa investigar locais suspeitos de comercializar produtos contaminados por metanol, após denúncias e indícios obtidos em apurações preliminares. O Brasil registra 43 notificações de intoxicação pela substância até quarta-feira, com maioria dos casos em São Paulo.
Equipes partiram de sedes em São Paulo e Sorocaba para inspecionar os pontos. Um depósito em Embu das Artes funciona como atacadão de garrafas suspeitas de adulteração. Outro local em Pilar do Sul opera como carvoaria, mas apresenta indícios de produção e distribuição clandestina de bebidas.
- 10 casos confirmados de intoxicação por metanol em bebidas em São Paulo;
- 29 casos sob investigação no estado;
- Uma morte confirmada e cinco em apuração localmente;
- Quatro notificações em Pernambuco ainda em análise.
Autoridades destacam que o metanol, usado industrialmente, causa danos graves ao fígado, cérebro e visão quando ingerido em bebidas alcoólicas.
Locais visados pela operação
Agentes da Polícia Federal acessaram o depósito em Embu das Artes pela manhã. O local recebe grandes volumes de garrafas de gin, vodca e whisky com suspeita de contaminação. Equipes do Ministério da Agricultura verificam rótulos, selos fiscais e condições de armazenamento.
Em Pilar do Sul, a fachada de carvoaria mascara atividades irregulares. Investigações apontam para produção não autorizada de destilados. A operação ocorre sob determinação do ministro da Justiça para mapear a cadeia de distribuição.
Efeitos da substância no organismo
O metanol transforma-se em toxinas que afetam múltiplos sistemas. Sintomas incluem dor abdominal, tontura e confusão mental, surgindo entre 12 e 24 horas após ingestão. Tratamento precoce com antídotos pode mitigar danos, mas complicações como cegueira e falência de órgãos ocorrem rapidamente.
Casos graves demandam internação em UTI. Profissionais de saúde recebem orientações para notificação imediata de suspeitas. O consumo de bebidas sem lacre ou selo fiscal aumenta riscos.
Casos confirmados em São Paulo
Rafael Anjos Martins, 28 anos, entrou em coma após consumir gin em adega da Cidade Dutra. Amigos relataram sintomas semelhantes, com visão afetada e mal-estar. Ele permanece em UTI em Osasco.
Radharani Domingos, 43 anos, perdeu visão após caipirinhas em bar nos Jardins. O estabelecimento foi interditado, com apreensão de 100 garrafas suspeitas. Ela recebeu alta da UTI, mas segue internada.
Bruna Araújo de Souza, 30 anos, agravou quadro após vodca em show de pagode em São Bernardo do Campo. Transferida entubada para hospital, apresenta falta de ar e dor intensa. Namorado também foi internado.
Wesley Pereira, 31 anos, sofreu complicações como pneumonia e AVC após whisky em festa na Zona Sul. Perdeu visão e luta por recuperação em hospital de Campo Limpo.
Marcelo Lombardi, 45 anos, morreu por falência de órgãos após vodca comprada em adega do Sacomã. Atestado confirma metanol como causa.
Números nacionais de notificações
O Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde registra 39 casos em São Paulo. Pernambuco tem quatro em investigação, com duas mortes sob análise. O aumento é atípico, superando a média anual de 20 ocorrências no país.
Autoridades apreenderam milhares de garrafas em operações recentes. Seis estabelecimentos foram interditados cautelarmente na capital e ABC. Fiscalizações continuam para rastrear fornecedores.
- Evite bebidas sem rótulo ou lacre de segurança;
- Verifique selo do Imposto sobre Produtos Industrializados em destilados;
- Procure atendimento imediato com sintomas persistentes após consumo.
O Ministério da Saúde emite alertas para profissionais e consumidores. Testes laboratoriais confirmam presença da substância.


