Odete Roitman em ‘Vale Tudo’ – Foto: Reprodução/Tv Globo
Polêmica envolvendo a autora Manuela Dias e a atriz Taís Araújo agitou as discussões sobre o remake de Vale Tudo nesta semana. Na sexta-feira, 26 de setembro de 2025, Dias repostou uma imagem de Odete Roitman, vivida por Débora Bloch, rotulada como protagonista da novela exibida pela Globo. O gesto ocorreu no Rio de Janeiro, onde as gravações acontecem, e gerou críticas imediatas do público por desconsiderar o papel central de Raquel, interpretada por Taís Araújo.
A reação surgiu porque Raquel representa a heroína principal da história, uma empresária que luta pela ascensão honesta em meio a corrupção e desigualdades. Diferente da versão original de 1988, onde Regina Duarte manteve o foco até o fim, o remake alterou a trajetória da personagem, que perdeu sua empresa e voltou à pobreza.
Nas redes sociais, fãs apontaram o post como reforço a um padrão de enfraquecimento da protagonista.
- Usuários destacaram o ícone de Odete, mas defenderam Raquel como eixo narrativo.
- Críticas mencionaram a ausência de menções a Taís em publicações recentes da autora.
- Debates trouxeram à tona questões de representatividade para atrizes negras.
Taís Araújo já havia expressado desconforto em entrevista à revista Quem, publicada em 28 de agosto de 2025.
Encontro inicial entre rivais
Raquel e Odete se deparam pela primeira vez nos capítulos iniciais da novela, ambientados no Rio de Janeiro. A tensão surge quando Odete descobre o romance de sua sobrinha Heleninha, interpretada por Paolla Oliveira, com Ivan, vivido por Renato Góes, que mantém relação com Raquel. Odete, empresária poderosa da Transcontinental Airlines, vê na cozinheira uma ameaça aos planos familiares.
O confronto marca o início da rivalidade, com Odete planejando sabotagens contra a Paladar, empresa de catering de Raquel. A vilã usa sua influência para comprar ações e fechar o negócio, forçando Raquel a recomeçar vendendo sanduíches na praia.
Essa dinâmica difere da original, onde o embate era mais equilibrado.
Alterações na trama principal
A adaptação de Manuela Dias introduziu mudanças que impactam o arco de Raquel desde o início da exibição, em abril de 2025. Originalmente, a personagem de Regina Duarte conquistava estabilidade financeira e desmascarava Odete no final. No remake, Raquel perde tudo após traição de sua sócia Celina, interpretada por Malu Galli, que vende sua parte para Odete.
Taís Araújo revelou surpresa com essa virada em entrevista recente. A atriz esperava uma narrativa ascendente para sua personagem, destacando dedicação ao trabalho em um contexto de desigualdades. A produção manteve o mistério da morte de Odete para 6 de outubro, mas excluiu Raquel da desmascaração da vilã, algo central na versão de 1988.
Essas decisões geraram debates sobre o equilíbrio entre vilã e heroína. A novela, com direção de Paulo Silvestrini, prioriza temas como corrupção e ambição, mas críticos notam redução de cenas da protagonista nas últimas semanas.
Confronto físico marca tensão
Em agosto de 2025, uma cena exibida em 13 de agosto elevou a rivalidade entre as personagens. Após Odete sabotar a maionese da Paladar com veneno, o plano falha e Raquel confronta a vilã no hotel onde ela se hospeda. Odete faz comentário racista, levando Raquel a dar um tapa na face da empresária.
A sequência, gravada no Rio, foi elogiada por parte do público pela força de Taís Araújo. No entanto, internautas criticaram a direção por simplicidade, comparando a tramas de outras autoras como Glória Perez.
Poliana, vivido por Matheus Nachtergaele, intervém para conter a briga. A cena reforça o ódio mútuo, com Odete prometendo vingança.
Declarações de Taís sobre o papel
Taís Araújo assumiu o papel de Raquel após convite de Paulo Silvestrini e José Luiz Villamarim, em janeiro de 2025. A atriz, conhecida por papéis em Da Cor do Pecado e Amor de Mãe, viu na personagem chance de representar mulheres negras em ascensão. Em entrevista à Quem, ela descreveu o susto ao saber da volta à pobreza: “Recebi com um susto, porque não era a trama original”.
A frustração veio da expectativa de uma curva ascendente, contrastando com o empobrecimento forçado. Taís enfatizou respeito às mulheres que Raquel simboliza, defendendo o personagem até o fim apesar das mudanças.
Padrão em obras de Manuela Dias
Manuela Dias trabalhou com Taís em Amor de Mãe, de 2019, onde a atriz viveu Vitória. Inicialmente advogada poderosa, a personagem sofreu arco de perda de centralidade e empobrecimento, similar a Vale Tudo. Taís manifestou incômodo na época, apontando padrão problemático.
A autora defendeu as escolhas em entrevistas, afirmando foco na briga mãe-filha, não no país. No entanto, pesquisas como Datafolha de 17 de setembro de 2025 mostram que 38% do público vê temas sociais como centrais, incluindo honestidade versus corrupção.
Reações do público nas redes
O post de Manuela Dias gerou repercussão imediata em 26 de setembro. Usuários no X questionaram o rótulo de protagonista para Odete, lembrando o equilíbrio na original com Beatriz Segall.
Taís foi apoiada por fãs que criticaram o apagamento. A novela acumula audiência média de 25 pontos no Ibope, mas perde força na reta final.
- 6203 curtidas em post questionando o protagonismo de Odete.
- Debates sobre representatividade negra somam milhares de interações.
- Memes comparam a ausência de Raquel à “morte” da personagem.
A trama encerra em 17 de outubro, com mistério da morte de Odete resolvido no último capítulo.


