O policial militar (PM) aposentado que é proprietário da caminhonete envolvida no atropelamento do casal atingido por adolescente embriagado em Goiânia, já foi preso durante operação contra propina e lavagem de dinheiro, em Caldas Novas. A detenção do sargento da reserva ocorreu em 2018, em investigação, denominada Operação Negociata, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) para apurar um esquema de favorecimento de empresas e empresários. Na época, ele ocupava o cargo de diretor da Secretaria Municipal de Administração do município, na gestão do então prefeito Evandro Magal (PSDB). Ao todo, foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão e nove de prisão.
Matéria veículada pelo Mais Goiás na época aponta que a investigação ocorreu após informações levantadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) de que a Prefeitura de Caldas Novas teria facilitado a alteração de um trecho rodoviário do perímetro urbano para favorecer uma empresa de turismo. Ao todo, foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão e nove de prisão. A quantia de US$ 120 mil em espécie foi apreendida, com cheques, documentos e um revólver calibre 38 naquele contexto e relacionados pelo MP ao suposto pagamento de propinas.
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O órgão revelou em coletiva de imprensa, também em 2018, que o prefeito seria líder do esquema, composto por fraude de licitações cedidas a empresas fantasmas ligadas ao gestor. Documentos apontavam rendimento de R$ 1 milhão a esses estabelecimentos. Parte dos valores obtidos irregularmente teriam financiado campanha eleitoral de Magal em Caldas Novas.
A reportagem tenta contato com o sargento da reserva da PM, com o ex-prefeito de Caldas Novas Evandro Magal e com a Prefeitura de Caldas Novas. O espaço segue aberto para manifestação.
O caso vem à tona após o acidente registrado no último domingo (16), na Avenida Perimetral, Setor Campinas, quando o casal formado por Fábio Alves Barbosa e Neifa Freitas de Farias Alves, ambos de 50 anos, foi atingido pela caminhonete do PM aposentado, que era guiada por um adolescente de 17 anos, bêbado. O Mais Goiás revelou com exclusividade, nesta quinta-feira (20), que a mulher entrou em protocolo de morte cerebral, enquanto o marido continua internado na UTI do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol).
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Logo após a colisão, o proprietário afirmou à polícia que teria emprestado o veículo aos pais do adolescente, para que levassem tecidos a uma feira que ocorria no Centro de Convenções. Testemunha declarou a este portal que o PM revelou temor com a repercussão do caso e a possível relação do veículo dele com a campanha política de uma candidata a deputada federal ligada a Caldas Novas.

“Ele chegou ao local cerca de uma hora depois do acidente, dizendo ter emprestado o veículo ao pai do jovem para que levassem roupas a uma feira que acontecia no Centro de Convenções. Ele ficou preocupado com a repercussão e com a possibilidade de o veículo ser ligado a uma candidata”, disse, em condição de anonimato. O relato da testemunha também foi reforçado ao delegado Rômulo Matos, Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai).
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Caminhonete do PM pode ter sido adulterada
Imagens analisadas pela investigação também mostraram uma mudança na aparência da caminhonete. Segundo Rômulo, o veículo circulava durante a semana com dois adesivos, que já não estavam presentes no dia do atropelamento. “Eu notei pelas imagens que nós pegamos do veículo que, no decorrer, no meio da semana, o carro estava com dois adesivos, né? E no dia do acidente já não estava mais. Também notei isso”, afirmou o delegado.
Rômulo, porém, não afirmou que a retirada dos adesivos tenha relação com o atropelamento ou que tenha sido feita para dificultar a identificação do veículo. Segundo ele, tanto essa circunstância quanto o histórico do proprietário são aspectos periféricos para a apuração conduzida pela Depai.
Depai investiga adolescente
A delegacia concentra a investigação na conduta do adolescente de 17 anos que dirigia a caminhonete no momento do atropelamento. Eventuais crimes atribuídos a adultos envolvidos no caso deverão ser apurados por outras unidades da Polícia Civil.
“Nós vamos investigar tão somente os atos relacionados ao ato infracional. Toda e qualquer circunstância que necessite ser investigada envolvendo maior de idade, ao término do nosso procedimento, a gente pega e encaminha ou para a Dict, delegacia de trânsito, ou, se for crime comum, para a delegacia da área”, explicou Rômulo.
Segundo o delegado, entre os adultos envolvidos estão o proprietário da caminhonete, o pai do adolescente e outra pessoa que estava no veículo. Caso sejam identificados elementos que indiquem a necessidade de investigação, as informações serão encaminhadas às unidades responsáveis.
“Se tiver alguma circunstância necessária criminal para investigar eles, nós na Depai não vamos investigar. A gente conclui o inquérito, manda uma cópia para a delegacia da área ou para a delegacia de trânsito e sugere a eles a adoção das providências necessárias”, afirmou.
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