PGR assume perícia de celulares apreendidos em operação contra fraudes no Banco Master por ordem de Toffoli

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Procuradoria-Geral da República assuma a guarda e a análise dos materiais digitais apreendidos na operação contra supostas fraudes no Banco Master. A medida abrange 39 celulares e 31 computadores coletados pela Polícia Federal em mandados cumpridos em diversos estados.

A decisão ocorreu nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, em Brasília. Ela atende manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que destacou a capacidade técnica da PGR para o trabalho.

Internamente, procuradores veem a ordem como reforço às prerrogativas investigativas do Ministério Público Federal. Historicamente, MPF e PF disputam espaço em apurações de grande porte.

A Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026. Agentes cumpriram 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de familiares e sócios.

A ação mirou suspeitas de fraudes bilionárias em fundos de investimento. A PF bloqueou cerca de R$ 5,7 bilhões em ativos e apreendeu bens de alto valor.

Entre os itens recolhidos estão veículos de luxo avaliados em R$ 16 milhões. Também foram localizados relógios de marcas premium, R$ 645 mil em espécie e uma arma de fogo.

Banco Master
Banco Master – Divulgação Banco Master

Detalhes das apreensões realizadas

A operação identificou 23 carros de luxo em diferentes endereços. Modelos como Land Rover Discovery e BMW foram transportados para depósitos da PF.

Autoridades recolheram dezenas de relógios de colecionador. O material inclui ainda documentos financeiros e dispositivos eletrônicos.

  • 39 aparelhos celulares de investigados
  • 31 computadores e notebooks
  • 23 veículos de alto padrão
  • Quantia de R$ 645 mil em dinheiro vivo
  • Uma arma registrada

Esses bens permanecem sob análise para comprovar movimentações suspeitas. A PF reuniu o material em vários estados antes da transferência parcial.

Capacidade técnica da Secretaria de Perícia da PGR

A Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise da PGR recebe os dispositivos digitais. O setor conta com softwares especializados para extração de mensagens, arquivos e registros.

Profissionais do órgão já realizaram perícias semelhantes em casos anteriores. A estrutura inclui espaço adequado para armazenamento seguro de equipamentos sensíveis.

A Sppea atuou em investigações de grande volume de dados. O trabalho garante cadeia de custódia intacta durante todo o processo.

Histórico de tensão entre MPF e Polícia Federal

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal mantêm relação de cooperação em inquéritos. No entanto, disputas sobre condução de investigações surgem periodicamente em operações complexas.

Casos de grande repercussão expuseram diferenças de abordagem. Delegados e procuradores defendem competências específicas em fases distintas das apurações.

A Constituição atribui ao MPF o controle externo da atividade policial. Essa prerrogativa gera debates sobre autonomia em diligências sensíveis.

Destino dos bens não digitais

Veículos e outros itens de luxo devem permanecer sob custódia da Polícia Federal. A PGR não dispõe de estrutura física para guarda de bens volumosos como automóveis.

Procuradores consultados indicaram que a PF já mantém depósitos adequados. Essa divisão segue padrão adotado em operações anteriores.

O bloqueio judicial de valores continua em vigor. Autoridades buscam recuperar ativos desviados em supostas fraudes financeiras.

Contexto da investigação no Banco Master

A apuração envolve esquema de ciranda financeira em fundos de investimento. Investigados teriam causado prejuízos elevados a cotistas e instituições.

Daniel Vorcaro e parentes figuram como alvos centrais. Sócios como Fabiano Zettel também tiveram endereços vasculhados pela PF.

A operação representa ampliação de fase anterior autorizada pelo STF. Novas diligências foram solicitadas pela própria Polícia Federal ao relator.

Transferência logística dos materiais

O material digital ainda não havia chegado à PGR até o início da tarde de 15 de janeiro. A logística envolve transporte de diferentes unidades da federação.

Agentes federais organizam a entrega para preservar integridade das provas. O processo segue protocolos rigorosos de cadeia de custódia.

A medida evita dispersão de elementos probatórios. Todo o conteúdo passará por extração profissional no âmbito da procuradoria.

Expertise consolidada em perícias digitais

A Secretaria de Perícia da PGR desenvolveu ferramentas próprias para análise forense. Equipes realizam recuperação de dados apagados e cruzamento de informações.

O setor participou de apurações sobre eventos de 8 de janeiro de 2023. Na ocasião, centenas de dispositivos foram examinados com sucesso.

Técnicas incluem quebra de senhas e reconstrução de conversas. Resultados alimentam denúncias e processos judiciais em curso.

Implicações processuais da decisão

A transferência reforça participação direta do Ministério Público na fase investigativa. Procuradores ganham acesso imediato a conteúdo extraído dos aparelhos.

A medida não altera competência da PF em outras diligências. Cooperação institucional permanece necessária para avanço do inquérito.

O STF continua como instância supervisora do caso. Decisões futuras dependem de relatórios produzidos pela PGR.