Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi preso nesta quarta-feira pela Polícia Federal durante a Operação Unha e Carne. A ação investiga o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, que resultou na prisão do ex-deputado TH Joias em setembro. O deputado estadual, filiado ao União Brasil, é suspeito de obstruir as investigações ao alertar TH Joias sobre a operação iminente.
A PF cumpriu um mandado de prisão preventiva contra Bacellar, expedido pelo Supremo Tribunal Federal. Além disso, foram executados oito mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar, incluindo sua residência e gabinete na Alerj. Um mandado de intimação para medidas cautelares foi cumprido em outro local.
O vazamento teria ocorrido dias antes da deflagração da Operação Zargun, permitindo que TH Joias fugisse temporariamente de sua residência na Barra da Tijuca. Bacellar e TH Joias mantinham uma relação próxima, com o ex-deputado atuando como aliado político na Alerj.
As investigações apontam que o vazamento comprometeu a prisão imediata de TH Joias, acusado de integrar o braço político do Comando Vermelho. A facção é investigada por tráfico de armas e drogas.
Detalhes da prisão de Bacellar
Agentes da PF chegaram ao gabinete de Bacellar na Alerj por volta das 8h. O deputado foi levado para a superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
A operação mobilizou cerca de 50 policiais. Nenhum outro político foi preso na ação desta quarta-feira.
Bacellar foi encaminhado para audiência de custódia no final da manhã. A defesa do deputado negou as acusações e afirmou que prestará esclarecimentos à Justiça.
Conexão com TH Joias
TH Joias, cujo nome real é Thiego Raimundo dos Santos Silva, foi preso em setembro durante a Operação Zargun. Ele é acusado de usar o mandato para favorecer o Comando Vermelho, incluindo a intermediação de vendas de armas.
A amizade entre Bacellar e TH Joias era pública. O ex-deputado acompanhava o presidente da Alerj em agendas oficiais e foi nomeado para a Comissão de Defesa Civil.
Documentos da PF mostram trocas de mensagens entre os dois dias antes da operação de setembro. Nelas, Bacellar teria alertado sobre a ação policial.
TH Joias permaneceu foragido por horas após o início da Zargun, o que reforça a suspeita de vazamento.

Impacto na Alerj
A prisão de Bacellar gera instabilidade na Assembleia Legislativa. Ele assumiu a presidência em 2023 e é aliado próximo do governador Cláudio Castro.
Deputados da oposição cobram a instalação de uma comissão para investigar o caso. A base governista defende a presunção de inocência.
A Alerj emitiu nota afirmando que coopera com as autoridades. O vice-presidente assumiu interinamente as funções de Bacellar.
Avanços nas investigações
A Operação Unha e Carne é desdobramento da Zargun. A PF analisou quebra de sigilos bancário e telefônico para identificar o responsável pelo vazamento.
Outros agentes públicos podem ser intimados nos próximos dias. O STF acompanha o caso de perto.
TH Joias permanece preso em penitenciária federal. Ele nega as acusações e alega perseguição política.
Medidas judiciais aplicadas
O STF determinou a prisão preventiva de Bacellar para evitar obstrução de justiça. Buscas foram realizadas em endereços no Rio e em Campos dos Goytacazes, reduto eleitoral do deputado.
Documentos e aparelhos eletrônicos foram apreendidos. A análise deve durar pelo menos 30 dias.
Bacellar está proibido de contatar outros investigados. Ele responderá em liberdade após o julgamento, se concedida.
Repercussão política no Rio
Partidos de oposição, como o PT e o PSOL, pedem cassação do mandato de Bacellar. O União Brasil ainda não se posicionou oficialmente.
O governador Cláudio Castro evitou comentários. Ele destacou a independência das investigações policiais.
Entidades como a OAB-RJ defendem investigação rigorosa para preservar a imagem das instituições.
Próximos passos da operação
A PF deve ouvir testemunhas nas próximas semanas. Relatórios preliminares indicam possível envolvimento de assessores de Bacellar.
O MPF analisa denúncia contra o deputado. Acusações incluem obstrução de justiça e associação criminosa.
O caso pode se estender até 2026, ano eleitoral. Bacellar planejava disputar reeleição.


