PF confisca R$ 230 milhões em bens de suspeitos de fraudes no Master e BRB

A Polícia Federal (PF) apreendeu R$ 230 milhões em bens, incluindo joias, carros, obras de arte e uma aeronave, na Operação Compliance Zero, deflagrada na terça-feira (18/11). A ação investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), com prejuízos estimados em R$ 12,2 bilhões. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso ao tentar deixar o país. A operação mira a venda de títulos de crédito falsos, que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master.

Entre os alvos, estão executivos do Master e dirigentes do BRB, suspeitos de gestão fraudulenta. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 12,2 bilhões em contas ligadas aos envolvidos. A PF também apura investimentos bilionários de fundos de previdência de estados e municípios no Banco Master. O caso expõe fragilidades no sistema financeiro e levanta questionamentos sobre a fiscalização de operações de crédito.

  • Bens apreendidos: Incluem uma aeronave de R$ 200 milhões e R$ 12,4 milhões em obras de arte.
  • Prisões: Sete pessoas foram detidas, incluindo Vorcaro e diretores do Master.
  • Afastamentos: Dois dirigentes do BRB foram suspensos por 60 dias.

Detalhes da operação

A Operação Compliance Zero cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em cinco estados. A PF identificou que o Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) sem lastro financeiro.

Os investigadores apontam que o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025. A maior parte, R$ 12,2 bilhões, envolve operações fraudulentas, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

Envolvimento do BRB

O Banco de Brasília tentou adquirir o Banco Master em março de 2025, mas o Banco Central vetou a operação. A PF apura se a compra era uma tentativa de encobrir fraudes.

Documentos falsos foram apresentados ao Banco Central para justificar transações. O BRB pagou à vista por carteiras de crédito inexistentes, segundo a investigação.

O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado por decisão judicial. Ele nega irregularidades e afirma que o banco revisou operações suspeitas.

Polícia federal
Polícia federal – Foto: PF

Perfil de Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro, 42 anos, é conhecido por sua gestão agressiva no Banco Master. Ele prometia retornos de até 140% do CDI, atraindo investidores.

A PF apreendeu uma aeronave avaliada em R$ 200 milhões em seu nome. Vorcaro foi detido em Guarulhos, ao tentar embarcar para Dubai, segundo sua defesa.

Vorcaro também investiu no Atlético-MG, adquirindo 20,2% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A origem dos recursos é investigada por possível ligação com lavagem de dinheiro.

Impacto nos fundos de previdência

A PF investiga aportes bilionários de fundos de previdência no Banco Master. Esses investimentos podem ter colocado em risco recursos de servidores públicos.

A operação revelou que o Master adquiria carteiras de crédito sem pagamento, revendendo-as ao BRB. A prática visava inflar o patrimônio da instituição.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em 18/11. A medida interrompeu negociações de venda para o grupo Fictor Holding.

A investigação pode levar a novas prisões e bloqueios de bens. A Justiça Federal autorizou acesso a documentos e celulares apreendidos.

Medidas judiciais

A Justiça bloqueou R$ 12,2 bilhões em contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema. O objetivo é ressarcir os prejuízos causados.

O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, determinou o afastamento de dirigentes do BRB. A decisão visa evitar interferências nas investigações.

Próximos passos

A PF continua analisando materiais apreendidos para identificar outros envolvidos. O Banco Central também conduz auditorias no BRB.

O caso destaca a necessidade de maior rigor na regulação do sistema financeiro. A liquidação do Master pode impactar investidores e credores.