Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira (12), mesmo após a Agência Internacional de Energia anunciar a maior liberação coordenada de reservas estratégicas de sua história. A reação do mercado indica que investidores seguem duvidando da capacidade da medida de compensar, no curto prazo, o choque de oferta provocado pela guerra no Oriente Médio. 
O Brent avançou mais de 7% e voltou a tocar US$ 100 por barril, apesar do anúncio de liberação de 400 milhões de barris pela IEA. Às 6h30, o preço havia retornado para US$ 98, enquanto o WTI era negociado a pouco menos de US$ 93.
O principal motivo para a alta foi a intensificação dos ataques ligados ao conflito. Dois petroleiros do Iraque foram atacados em águas iraquianas por embarcações iranianas carregadas com explosivos, reacendendo os temores sobre interrupções prolongadas no transporte de energia pelo Golfo.
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A percepção de risco também aumentou após relatos de que o Irã lançou cerca de uma dúzia de minas navais no Estreito de Ormuz. A rota é uma das mais importantes do mundo para o comércio de petróleo e gás, e a mineração do canal reforçou a visão de que o bloqueio não é apenas uma ameaça retórica.
A IEA aprovou a liberação recorde de 400 milhões de barris para tentar conter a crise de oferta, com os Estados Unidos respondendo por 172 milhões de barris da operação. O volume americano começará a ser entregue na próxima semana, mas a distribuição completa deve levar cerca de 120 dias, o que limita o efeito imediato sobre os mercados.
Esse intervalo entre o anúncio e a chegada efetiva do petróleo ao mercado é um dos fatores por trás da reação cética dos investidores. A liberação funciona mais como um alívio temporário, já que o escoamento de energia continua comprometido, os fretes dispararam e parte do petróleo levará semanas para chegar aos principais compradores, especialmente na Ásia.
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Além do risco no estreito, a guerra também segue afetando a logística da região. O porto de Jebel Ali, em Dubai, continua operando, mas com redução no fluxo de navios de entrada por causa do conflito. O dado reforça que o problema não está apenas na produção, mas também na capacidade de circulação de cargas e combustíveis.
(com Reuters)

