Além disso, pesquisadores da Índia e dos Estados Unidos encontraram uma forma inusitada de reaproveitar fezes humanas: transformá-las em biocarvão para substituir parte do cimento usado na produção de concreto. Dessa forma, em testes de laboratório, a técnica aumentou a resistência do material quando 5% ou 10% do cimento foi substituído pelo biocarvão.
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Com isso, O estudo foi liderado pelo engenheiro civil Raghuvesh Tiwari, da Universidade Manipal de Jaipur, na Índia, em parceria com pesquisadores da Universidade Tecnológica da Luisiana, nos Estados Unidos. Nesse sentido, os resultados foram publicados na revista Scientific Reports. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a fezes humanas continuam sendo acompanhados com atenção.
Portanto, A pesquisa busca uma alternativa para reduzir o impacto ambiental do cimento, componente do concreto responsável por uma parcela significativa das emissões de carbono associadas à sua produção. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de fezes humanas nos últimos dias.
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Como as fezes foram transformadas em biocarvão
Em seguida, para os testes, os pesquisadores utilizaram lodo fecal tratado em uma estação de tratamento de Warangal, na Índia. De acordo com as apurações, O material foi seco e aquecido entre 350°C e 450°C em um ambiente com pouco oxigênio, até ser transformado em biocarvão.
Depois, o produto foi moído e peneirado para formar um pó que pudesse ser incorporado ao concreto. Foram produzidas amostras com substituição de 5%, 10% e 15% do cimento.
As misturas passaram por testes de resistência, absorção de água, porosidade e retração durante um período de cura de até 91 dias.
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Mistura com 10% teve melhor resultado
Após 91 dias, a amostra com 10% de biocarvão apresentou aumento de 21% na resistência à compressão e de 42% na resistência à flexão em comparação com o concreto convencional.
Na mistura com 5%, os ganhos foram de 20% e 36%, respectivamente. Já a concentração de 15% apresentou desempenho inferior às formulações com 5% e 10%, indicando que o aumento da quantidade de biocarvão não significa necessariamente um material mais resistente.
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Por que as fezes podem fortalecer o concreto?
Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores está na estrutura porosa do biocarvão. Seus pequenos poros conseguem reter água e liberá-la durante o endurecimento do concreto, o que pode favorecer as reações químicas responsáveis pela cura.
O material também contém sílica, que participa de reações capazes de contribuir para o fortalecimento do concreto. Além disso, suas partículas finas podem preencher pequenos espaços da mistura e deixá-la mais compacta.
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Pesquisa ainda está em fase de testes
Apesar dos resultados, o material ainda não está pronto para ser utilizado em obras. Os pesquisadores afirmam que são necessários novos estudos para avaliar seu comportamento em condições reais, como exposição a temperaturas extremas e ambientes salinos. A pesquisa também não calculou o impacto da técnica sobre as emissões de carbono.
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