Uma pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha nesta sexta-feira (5) aponta que 32% dos entrevistados consideram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como ótimo ou bom. Por outro lado, 37% classificam a gestão como ruim ou péssima, enquanto 30% a veem como regular. O levantamento ocorreu entre terça-feira (2) e quinta-feira (4), ouvindo 2.002 eleitores em 113 municípios brasileiros, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Comparado ao levantamento anterior, realizado em setembro, os números mostram pouca variação. Na ocasião, 33% avaliavam o governo como ótimo ou bom, 38% como ruim ou péssimo e 28% como regular. Essa estagnação reflete um cenário de equilíbrio nas opiniões, sem avanços significativos na percepção positiva da administração federal.
Os dados indicam diferenças regionais e demográficas na avaliação. No Nordeste, por exemplo, o índice de ótimo ou bom chega a 43%, acima da média nacional. Entre os idosos acima de 60 anos, 40% aprovam a gestão, e entre os católicos, o percentual é de 40%. Já em grupos como evangélicos e moradores do Sul, a reprovação é mais elevada, alcançando 49% e 45%, respectivamente.
Detalhes da metodologia adotada
O instituto utilizou entrevistas presenciais para coletar as respostas. Os participantes foram selecionados a partir de 16 anos de idade, garantindo representatividade nacional.
A margem de erro aplicada permite interpretações cautelosas sobre pequenas oscilações.
Comparações com pesquisas anteriores
Em setembro, a aprovação registrava 33%, com reprovação em 38%.
Agora, a queda de um ponto na aprovação e na reprovação sugere um platô.
Analistas observam que fatores econômicos influenciam essas métricas.
Perfil dos entrevistados e variações
Entre aqueles com menor escolaridade, 44% consideram o governo ótimo ou bom.
No recorte de renda entre dois e cinco salários mínimos, houve alta de quatro pontos na aprovação, embora dentro da margem de erro.
Grupos com ensino superior apresentam reprovação de 46%.
Moradores do Sul e evangélicos mantêm taxas elevadas de rejeição.
Impactos de medidas econômicas recentes
A isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil foi implementada recentemente.
Entre os beneficiados diretos, a reprovação caiu oito pontos, de acordo com recortes específicos.
No entanto, o efeito geral na aprovação nacional ainda não se consolida.
Outras políticas, como ajustes fiscais, são monitoradas para futuros impactos.
Avaliação pessoal do presidente
A aprovação pessoal de Lula atinge 49%, um ponto acima do levantamento anterior.
A desaprovação permanece em 48%.
Esses números superam ligeiramente a avaliação do governo como um todo.
Tendências eleitorais se alinham com esses padrões, especialmente em bases tradicionais do PT.
Diferenças por região e grupos sociais
No Nordeste, a aprovação é mais robusta, refletindo apoio histórico ao partido. Os menos escolarizados e idosos também demonstram maior adesão à gestão atual, com percentuais que ultrapassam a média. Em contrapartida, regiões como o Sul exibem maior ceticismo, influenciado por composições sociais diversificadas.
Entre evangélicos, a reprovação chega a 49%, um grupo que historicamente apresenta resistências a certas pautas progressistas. Já católicos registram 40% de ótimo ou bom, indicando uma divisão confessional na percepção política.
Rendas mais altas, de cinco a dez salários mínimos, mostram rejeição de 53%, possivelmente ligada a debates sobre reformas tributárias. Esses recortes destacam como variáveis socioeconômicas moldam as opiniões sobre o desempenho governamental.
Contextualização histórica dos índices
Comparado ao mesmo período do mandato anterior de Jair Bolsonaro em 2021, Lula apresenta números mais favoráveis. Naquela época, Bolsonaro registrava 53% de ruim ou péssimo e apenas 22% de ótimo ou bom. Essa diferença sublinha evoluções no cenário político brasileiro ao longo dos anos.
O terceiro mandato de Lula, iniciado em 2023, enfrenta desafios econômicos globais, como inflação e recuperação pós-pandemia. Medidas como a correção da tabela do IR visam aliviar pressões sobre classes médias, mas os efeitos demoram a se refletir em pesquisas amplas.
Outros presidentes, em períodos semelhantes, variaram em aprovação: Dilma Rousseff em 2013 tinha índices mais altos inicialmente, mas enfrentou declínios posteriores. Esses paralelos ajudam a entender a dinâmica atual de estabilidade.
Análises setoriais detalhadas
- Por gênero: Homens e mulheres apresentam avaliações equilibradas, com leves variações na reprovação.
- Por raça: Grupos autodeclarados pretos e pardos mostram aprovação acima da média em alguns recortes.
- Por idade: Jovens entre 16 e 24 anos registram maior neutralidade, com 35% considerando regular.
- Por renda: Baixas rendas favorecem o governo, enquanto altas inclinam para críticas.
Perspectivas eleitorais associadas
Em simulações de segundo turno, Lula aparece à frente de potenciais adversários. Contra Flávio Bolsonaro, o petista lidera com 51% contra 36%. Diante de Tarcísio de Freitas, a vantagem é de 47% a 42%.
Esses cenários hipotéticos indicam resiliência do presidente, apesar da estagnação na aprovação geral. Fatores como alianças partidárias e eventos econômicos podem alterar essas projeções.
A pesquisa também capta influências de políticas recentes, como o tarifaço em energia, que pode ter freado ganhos na popularidade.
Recortes específicos por renda e educação
Entre trabalhadores com renda de dois a cinco salários mínimos, a aprovação subiu quatro pontos, mas permanece dentro da margem. Essa faixa é diretamente afetada pela isenção fiscal, o que sugere potencial para melhoras futuras se a economia responder positivamente.
Níveis educacionais influenciam: Ensino fundamental registra 44% de ótimo ou bom, enquanto superior cai para índices mais baixos. Essa disparidade reflete acessos diferenciados a informações e impactos de políticas sociais.
Regiões urbanas versus rurais também variam, com capitais apresentando maior polarização nas opiniões.


