Arthur da Rosa Carneiro – Foto: Cedida pela família
Um pescador identificou o corpo de Arthur da Rosa Carneiro, de 2 anos, às margens do Rio Tibagi em Tibagi, nos Campos Gerais do Paraná, nesta terça-feira (14). O menino desapareceu na manhã de quinta-feira (9) de dentro da residência familiar, e o achado ocorreu após cinco dias de operações coordenadas por bombeiros e polícia. A distância entre a casa e o local é de cerca de 500 metros, onde uma mamadeira da criança havia sido localizada inicialmente.
A Polícia Militar confirmou a identidade do corpo com base em características físicas e depoimentos familiares. Equipes de resgate haviam intensificado varreduras aquáticas e terrestres desde o primeiro dia, motivadas pela pista da mamadeira. A operação envolveu mergulhadores e voluntários locais, que cobriram áreas de mata e o rio principal.
A mãe de Arthur, de 15 anos, relatou que o menino estava na sala da casa quando ela saiu brevemente para o banheiro. Familiares e vizinhos iniciaram buscas imediatas nas proximidades da residência no bairro Bela Casa 2. A avó mencionou que o garoto já havia sido encontrado sozinho em vegetação densa dias antes do incidente.
- Principais pistas iniciais: mamadeira achada a 500 metros da casa, em margem do rio.
- Hipóteses em análise: saída autônoma da criança ou envolvimento de terceiros.
- Recursos mobilizados: drones com câmeras térmicas e cães farejadores.
Alertas ativados para mobilizar buscas
O caso de Arthur da Rosa Carneiro entrou no sistema Alerta Amber logo após o desaparecimento, notificando usuários de redes sociais em um raio de 160 km ao redor de Tibagi. Essa ferramenta, parceria entre Ministério da Justiça e a Meta, visa agilizar divulgações de crianças extraviadas. Autoridades pediram que qualquer informação fosse repassada para os números 190 ou 197.
Voluntários da comunidade se juntaram às equipes profissionais desde o sábado (11), percorrendo trilhas e margens do rio apesar de chuvas recentes que complicaram o terreno. O delegado Guilherme Barbosa de Lima destacou que oitivas com testemunhas ocorreram na segunda-feira (13), sem descartar linhas de investigação.
A Polícia Civil do Paraná deslocou o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) de Curitiba para auxiliar nas diligências locais. Imagens de câmeras de segurança próximas à residência foram coletadas para análise técnica.
Esforços de resgate no terreno
Mergulhadores do Corpo de Bombeiros realizaram varreduras subaquáticas no Rio Tibagi desde a tarde de quinta-feira (9), usando sonar para mapear o leito. O equipamento detectou obstáculos naturais, como galhos, que retardaram o avanço em trechos mais profundos. Equipes terrestres, por sua vez, cobriram uma faixa de mata de 250 metros adjacente à casa.
O Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost) de Curitiba enviou especialistas no domingo (12) para operar drones equipados com sensores térmicos, úteis em condições de baixa visibilidade. Cães farejadores rastrearam trilhas olfativas a partir da mamadeira, guiando buscas para setores específicos do rio.
Chuva intermitente na região dos Campos Gerais elevou o nível d’água, forçando pausas em mergulhos durante o fim de semana. Autoridades coordenaram rotinas diárias para maximizar cobertura, com turnos que se estendiam até o anoitecer.
Relatos de moradores indicaram movimentações incomuns na área na sexta-feira (10), mas perícias iniciais não confirmaram ligações diretas com o caso. A Polícia Militar isolou perímetros para preservar vestígios potenciais.
Procedimentos após o achado
O corpo de Arthur da Rosa Carneiro foi removido do local pelo 26º Batalhão de Polícia Militar e transportado para a unidade de Polícia Científica em Ponta Grossa. Peritos realizaram coleta inicial de amostras no rio, focando em condições ambientais que afetaram a preservação.
A necropsia está agendada para determinar a causa da morte, com ênfase em análise de afogamento ou outros fatores. Equipes da Polícia Científica fotografaram o trecho do rio onde o pescador fez a descoberta, a 20 metros da mamadeira.
Investigadores mantêm sigilo sobre marcas observadas no corpo, priorizando laudos técnicos. Familiares foram notificados imediatamente após a confirmação visual, e apoio psicológico foi oferecido pela rede municipal de saúde.
- Etapas periciais: exame externo inicial, análise de tecidos e reconstrução temporal.
- Colaboração interinstitucional: Polícia Civil, Militar e Bombeiros em relatórios conjuntos.
- Preservação de cena: isolamento do rio por 48 horas para coletas adicionais.
Investigação em curso pela delegacia
A Polícia Civil ouviu mais de dez testemunhas até segunda-feira (13), incluindo vizinhos que relataram rotinas da família. Celulares de parentes foram apreendidos para extração de dados de geolocalização e mensagens. O delegado enfatizou que nenhuma linha é priorizada prematuramente.
Vestígios biológicos, como fios de cabelo na mata, foram enviados para laboratório em Curitiba. Análises de DNA visam correlacionar com amostras da criança. O Sicride coordena cruzamento de informações com bancos nacionais de desaparecidos.
A residência da família passou por vistoria na sexta-feira (10), com foco em acessos laterais que poderiam facilitar uma saída não percebida. Relatos indicam que Arthur demonstrava curiosidade por áreas externas, o que reforça uma das vertentes investigativas.
Histórico de incidentes na região
Tibagi registra média de três casos de extravio infantil por ano, segundo dados da Polícia Civil de 2024. Rios como o Tibagi contribuem para 40% dos incidentes, devido à proximidade de residências rurais. Campanhas locais de conscientização sobre segurança aquática foram intensificadas após eventos semelhantes em 2023.
A avó de Arthur descreveu o neto como ativo e atraído por água, com episódios prévios de exploração solitária na mata. Esses padrões foram incorporados ao perfil comportamental usado nas buscas. Autoridades planejam reuniões comunitárias para discutir medidas preventivas, sem vincular diretamente ao caso atual.
Registros mostram que o Alerta Amber resolveu 70% dos disparos no Paraná desde sua implementação em 2024. No caso de Arthur, o sistema alcançou milhares de notificações, ampliando o escopo de informações recebidas.
Papel da comunidade nas operações
Moradores de Tibagi formaram grupos informais de apoio desde o primeiro dia, distribuindo panfletos com foto de Arthur em estradas regionais. Um pescador local, que frequentava o rio diariamente, relatou ter notado correntes alteradas no trecho do achado. Sua observação diária facilitou a identificação rápida.
Voluntários coordenados pela prefeitura percorreram fazendas vizinhas, coletando depoimentos de trabalhadores rurais. Contribuições incluíram lanches para equipes e veículos para transporte de equipamentos. A igreja central da cidade organizou vigílias noturnas, mantendo o caso em destaque.
Essa mobilização coletiva estendeu o raio de buscas para além das áreas iniciais, cobrindo pontes e trilhas secundárias. Autoridades agradeceram a participação, que acelerou a cobertura de 15 km lineares ao longo do rio.

