Palestinos criam gasolina a partir de plástico em meio à guerra na Faixa de Gaza

Palestino gasolina

Palestino gasolina – Foto: Mohammed al-Hajjar/Instagram (@mhmed_hajjar)

A Faixa de Gaza, assolada por conflitos, enfrenta escassez de combustíveis, levando jovens palestinos a produzir gasolina e biodiesel a partir de garrafas PET e sandálias descartadas. Em refinarias improvisadas, eles utilizam a pirólise, um processo termoquímico, para converter resíduos plásticos em bio-óleo, usado em carros, motos e geradores. No Brasil, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolvem projeto semelhante, buscando combustíveis sustentáveis a partir de plásticos e biomassa. A iniciativa, iniciada em 2022, visa reduzir a pegada de carbono e reaproveitar resíduos.

A produção em Gaza ocorre em condições precárias, com tonéis aquecidos por carvão e sem proteção adequada, gerando riscos à saúde. No laboratório da UFRN, o processo é controlado, utilizando resíduos industriais e mucilagem de sisal. A pesquisa brasileira já atrai atenção internacional, com testes em andamento para atender normas da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Gasolina palestino Foto: Mohammed al-Hajjar/Instagram (@mhmed_hajjar)
Gasolina palestino Foto: Mohammed al-Hajjar/Instagram (@mhmed_hajjar)
  • Principais matérias-primas usadas:
    • Resíduos plásticos de embalagens e pneus.
    • Biomassa de sisal, abundante no Nordeste.
    • Rebarbas industriais de baixa reciclabilidade.

A iniciativa palestina, apesar de arriscada, inspira soluções sustentáveis em contextos de crise.

Processo de produção em Gaza

Jovens em Gaza aquecem plásticos em tonéis a temperaturas de 450 a 650°C, sem oxigênio, para obter bio-óleo. O produto é resfriado com água e vendido a preços acessíveis. A fumaça gerada preocupa especialistas, que alertam para danos respiratórios devido à exposição prolongada.

Riscos à saúde dos trabalhadores

A ausência de equipamentos de proteção, como máscaras e luvas, expõe os palestinos a gases tóxicos. Médicos locais relatam aumento de problemas respiratórios entre os trabalhadores das refinarias. A fuligem das estações improvisadas contamina o ar em áreas urbanas. Organizações humanitárias buscam alternativas para melhorar a segurança no processo.

Pesquisa brasileira avança

No Brasil, o Laboratório de Tecnologia Ambiental (Labtam) da UFRN estuda a pirólise desde 2022. O projeto combina resíduos plásticos com biomassa de sisal, abundante no Nordeste. A meta é criar um combustível que possa ser misturado a gasolina e diesel convencionais. A pesquisa está em fase inicial, mas já mostra resultados promissores para testes em motores.

Sustentabilidade em foco

O Brasil produz 7 milhões de toneladas de plástico anualmente, segundo a Fundação Joaquim Nabuco. A pesquisa da UFRN oferece um destino sustentável a esses resíduos, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. A economia circular é o cerne do projeto, que reaproveita materiais descartados.

Impacto econômico local

A mucilagem de sisal, subproduto de baixa rentabilidade, ganha novo valor na produção de bio-óleo. Produtores rurais do Nordeste podem se beneficiar com a valorização do sisal.

Caminho para regulamentação

A ANP estabelece parâmetros rigorosos para combustíveis no Brasil. O bio-óleo da UFRN precisa atingir esses padrões para uso comercial. Testes em motores de combustão interna estão planejados para os próximos anos. A pesquisa pode inspirar políticas públicas de gestão de resíduos no país.

Solução global em vista

A iniciativa palestina, embora improvisada, destaca a urgência de soluções sustentáveis em contextos extremos. A UFRN colabora com pesquisadores em Zaragoza, na Espanha, para aprimorar o processo. O combustível sintético pode reduzir emissões e dar novo uso a plásticos descartados, alinhando-se a metas globais de sustentabilidade.

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