Padre Luciano – Foto: Rede Social
A Diocese de Diamantino, em Mato Grosso, afastou o padre Luciano Braga Simplício das funções na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Nova Maringá, após um vídeo registrar o religioso com a noiva de um fiel na casa paroquial. O episódio ocorreu na noite de sábado, 11 de outubro de 2025, e as imagens começaram a circular nas redes sociais na segunda-feira seguinte. A medida visa preservar a integridade da Igreja enquanto uma investigação interna avança.
O caso ganhou repercussão na cidade de cerca de 5 mil habitantes, localizada a 392 km de Cuiabá. A jovem envolvida, de 21 anos e acólita da paróquia, foi encontrada escondida no banheiro durante o flagrante, registrado pelo pai do noivo. Autoridades eclesiais confirmaram o afastamento imediato para apurar a conduta do sacerdote de 39 anos.
Circunstâncias do episódio na casa paroquial
O vídeo captura o momento em que o pai do noivo invade o imóvel após o padre recusar abrir a porta. A jovem aparece chorando sob a pia do banheiro, vestindo pijama curto. O registro ocorreu por volta das 22h, horário em que atividades paroquiais já haviam encerrado.
Em áudio divulgado online, Luciano Braga Simplício nega qualquer relação íntima. Ele afirma que a mulher pediu permissão para usar o quarto externo após trabalhar na igreja pela manhã e alega que ela mencionou um assalto recente para justificar o pedido de abrigo.
A Diocese emitiu nota oficial no dia 14 de outubro, informando que medidas canônicas estão em curso. O documento reforça o compromisso com o bem da comunidade e o povo de Deus.
Investigação diocesana e procedimentos canônicos
A apuração segue sob sigilo, conforme normas internas da Igreja Católica. O bispo Vital Chitolina supervisiona o processo, que pode envolver restrições adicionais ao clero. Casos semelhantes preveem avaliação por tribunal diocesano ou encaminhamento ao Vaticano.
- Medidas preventivas incluem proibição de residência na paróquia durante a análise.
- O cânone 1722 permite afastamento cautelar para evitar prejuízos pastorais.
- Sanções variam de advertência a redução ao estado laical, dependendo da gravidade.
O padre atuava na região desde 2023, após transferência de São José do Rio Claro. A paróquia mantém celebrações com substituto temporário, o padre Pedro Hagassis, de 76 anos.
Repercussão na comunidade local
Moradores de Nova Maringá relataram surpresa com o episódio, dada a proximidade entre fiéis e o clero em uma cidade pequena. Redes sociais da paróquia foram desativadas para conter comentários. A jovem e o noivo optaram por silêncio público até o momento.
Perfis online gerenciados pelo padre, como o Instagram “Alô, Meu Deus”, com 1.700 seguidores, pararam de postar. O conteúdo focava em orações diárias e reflexões espirituais. A interrupção visa mitigar ataques virtuais.
A situação afeta diretamente as rotinas religiosas da comunidade. Missas e confissões prosseguem, mas com ajustes na liderança paroquial. Familiares da jovem monitoram o impacto emocional do vazamento das imagens.
Ação policial e registro de ocorrência
A Polícia Civil de Mato Grosso instaurou inquérito na Delegacia de São José do Rio Claro. O boletim de ocorrência, lavrado em 13 de outubro por familiar da jovem, investiga divulgação indevida de imagens íntimas. O caso tramita no bairro Jardim Europa.
Autoridades buscam depoimentos de envolvidos para esclarecer o contexto. O noivo e seu pai prestaram esclarecimentos iniciais. A investigação criminal avança paralelamente à eclesial, sem interferência mútua.
- Foco inicial recai sobre o vazamento do vídeo nas redes.
- Possíveis crimes incluem violação de privacidade e difamação.
- Encaminhamento depende de provas coletadas nos próximos dias.
A ocorrência destaca tensões em comunidades isoladas, onde eventos locais ganham projeção nacional rapidamente.
Trajetória do padre na Diocese de Diamantino
Luciano Braga Simplício ingressou no clero em agosto de 2012 e recebeu ordenação em novembro do mesmo ano. Sua atuação incluiu paróquias em áreas rurais de Mato Grosso, com ênfase em evangelização digital. Antes de Nova Maringá, serviu em São José do Rio Claro por meses.
O religioso mantinha presença ativa nas redes, promovendo conteúdos devocionais matinais. O perfil “Alô, Meu Deus” acumulava interações diárias de fiéis locais. A estratégia visava aproximar a Igreja de públicos jovens.
Durante sua gestão na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, eventos comunitários cresceram em frequência. Celebrações como novenas e retiros atraíam centenas de participantes. O afastamento interrompe projetos em andamento, como reformas no espaço litúrgico.
A Diocese gerencia 28 paróquias no total, cobrindo municípios do norte mato-grossense. Casos disciplinares representam fração mínima das atividades anuais, segundo registros internos. O episódio reforça protocolos de conduta para presbíteros.
Medidas preventivas na Igreja Católica
A Igreja adota protocolos rigorosos para preservar a credibilidade clerical. Formações anuais abordam celibato e ética pastoral desde a ordenação. Seminários incluem módulos sobre limites em interações com fiéis.
Em Mato Grosso, a Diocese de Diamantino realiza auditorias periódicas em paróquias. Orientação enfatiza transparência em residências clericais, como uso compartilhado de espaços. Violações levam a intervenções rápidas para mitigar danos.
- Treinamentos obrigatórios ocorrem a cada dois anos para clérigos.
- Denúncias anônimas facilitam apurações iniciais via canais diocesanos.
- Cooperação com autoridades civis é padrão em casos sensíveis.
Essas práticas visam fortalecer a governança eclesial em regiões de influência rural.

