Ideia é adaptar projeto nacional à realidade do Estado e discutir medidas de segurança
Foto: Reprodução rede social e Victor Garcia
A discussão sobre o retorno das torcidas visitantes aos clássicos volta ao centro do debate no futebol brasileiro e pode ganhar força também em Goiás. A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (ANATORG) elaborou uma proposta para o fim gradual da torcida única, modelo adotado em vários estados desde 2016 por questões de segurança pública. O documento será entregue às autoridades competentes e prevê a realização de jogos-testes com presença controlada de torcedores visitantes.
A ideia surgiu a partir da realidade de São Paulo, onde a medida foi implementada após episódios de violência em clássicos como Palmeiras x Corinthians. Desde então, confrontos entre os grandes clubes paulistas passaram a ter torcida única.
A proposta da ANATORG prevê, inicialmente, que visitantes ocupem até 10% da capacidade dos estádios, com controle rígido de acesso, prioridade para sócios e membros cadastrados, além do uso de reconhecimento facial, tecnologia que passou a ser obrigatória em estádios com mais de 20 mil lugares. A defesa é de que a punição deixe de ser coletiva e passe a ser individual, responsabilizando apenas quem cometer infrações.
E em Goiás?
No estado, clássicos como Goiás x Vila Nova , Atlético Goianiense x Goiás e Vila Nova x Atlético Goianiense também seguem, em determinados contextos, sob restrições de torcida visitante, definidas pela Secretaria de Segurança Pública.
Segundo Cleomar Marques, vice-presidente da ANATORG e um dos fundadores da torcida organizada Força Jovem do Goiás, o objetivo é adaptar o projeto à realidade goiana.
“Então essa é a proposta apresentada lá em São Paulo. Inicialmente, a ideia da ANATORG é replicá-la para todo o Brasil, em todos os estados e cidades que têm torcida única. Aqui em Goiás o histórico é diferente do de São Paulo, mas a proposta é analisar o projeto apresentado lá e, a partir disso, construir algo dentro da nossa realidade”, explica.
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Cleomar destaca que o próximo passo será dialogar com o Batalhão Especializado de Policiamento em Eventos (BEP), Ministério Público, federação e clubes.
“A ideia é debater. Se for necessário, fazer audiência pública. Trazer o tema para discussão com todas as partes envolvidas. Aqui em Goiás, queremos iniciar esse trabalho e essa campanha pelo fim da torcida única”, completou.
O tema promete reacender discussões sobre segurança, direito de torcer e a cultura das arquibancadas no futebol goiano. Resta saber se o debate sairá do papel e avançará para testes práticos nos estádios do estado.

