Operação no Rio resgata homem torturado em cativeiro do CV na Vila Kennedy e apreende drogas em escola

Redação
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Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro resgataram um homem mantido em cativeiro na Vila Kennedy, zona oeste da capital, nesta quarta-feira (19). A ação integra a nova fase da Operação Contenção, que visa conter o avanço territorial do Comando Vermelho (CV). A vítima, identificada como mototaxista, apresentava sinais de tortura e estava amarrada no local controlado pela facção.

O resgate ocorreu por volta das 8h, durante incursões em comunidades dominadas pelo crime organizado. Equipes especializadas localizaram o homem em um bunker improvisado, preservado para perícia técnica. Ele recebeu atendimento médico imediato e foi transferido para hospital na região, onde permanece sob observação.

A operação mobilizou cerca de 200 agentes, incluindo a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). O objetivo principal é desarticular redes de roubo e desmanche de veículos, atividades ligadas ao CV na área. Até o momento, o balanço registra avanços significativos na repressão ao grupo.

Detalhes do confronto inicial

Agentes cercaram a Vila Kennedy nas primeiras horas da manhã. Criminosos tentaram fugir em veículo pela Avenida Brasil, em Realengo, o que levou a um tiroteio. Dois suspeitos morreram no local, e outros dois ficaram feridos, sem baixas entre os policiais.

A polícia apreendeu dois fuzis, uma pistola e duas granadas durante a perseguição. Os armamentos foram encontrados no carro usado na fuga, que também era produto de roubo. Investigadores confirmam que os envolvidos atuavam no tráfico local e buscavam refúgio em complexos rivais.

Polícia Civil
Polícia Civil – Foto: Instagram

Apreensões em estrutura escolar

Polícias encontraram grande quantidade de drogas escondida na Escola Municipal Joaquim Edson de Camargo. O local funcionava como ponto de distribuição do CV, com entorpecentes como cocaína e crack armazenados em salas fechadas.

A descoberta motivou a suspensão de aulas em 16 unidades escolares na região. Equipes de inteligência da PM mapearam o uso irregular do prédio, que incluía barricadas internas para proteção. A remoção do material demandou apoio de peritos para catalogação.

Autoridades destacam que a escola servia de base logística para o tráfico. Além das drogas, rádios comunicadores e munições foram recolhidos. A ação reforça o monitoramento de espaços públicos ocupados por facções.

O governador Cláudio Castro acompanhou o desenrolamento por meio de relatórios em tempo real. Ele enfatizou a necessidade de ações contínuas para restaurar a ordem na zona oeste. A operação segue com buscas em imóveis suspeitos.

Impacto nos serviços locais

A mobilização policial alterou o tráfego na Vila Kennedy desde o amanhecer. Pelo menos 25 linhas de ônibus foram desviadas para evitar riscos a passageiros e motoristas, conforme o Rio Ônibus.

Duas unidades de saúde suspenderam atendimentos temporariamente. Uma delas reabriu parcialmente à tarde, priorizando emergências. A Secretaria Municipal de Saúde monitora a situação para normalizar o fluxo.

Moradores relataram fechamento de acessos principais na comunidade. Equipes de engenharia removeram 14 toneladas de barricadas, incluindo pneus e entulhos usados como obstáculos. O processo facilitou a entrada de viaturas e ambulâncias.

Histórico da operação no estado

A Operação Contenção começou em 28 de outubro de 2025, com foco inicial nos complexos do Alemão e da Penha. Essa etapa resultou em 121 mortes, elevando o total para 123 com os eventos de hoje, tornando-a a mais letal registrada no país.

Ao todo, 2.500 agentes participaram das ações iniciais, cumprindo 100 mandados de prisão. Apreensões incluíram 91 fuzis e toneladas de drogas, além de bloqueios em vias como a Avenida Brasil. O governo estadual formou o Consórcio da Paz com outros governadores para integrar forças de segurança.

Investigações apontam que o CV expandiu operações para lavagem de dinheiro via ferros-velhos clandestinos. Na fase anterior, oito desses pontos foram interditados, com bloqueio de R$ 217 milhões em contas ligadas à facção. Transferências para presídios federais ocorreram para líderes capturados.

Estrutura do cativeiro desmantelada

O bunker no cativeiro media 10 metros quadrados, com paredes reforçadas por tijolos e grades. A vítima relatou privação de alimentos desde domingo (16), quando foi sequestrada por dívida relacionada a corridas de aplicativo.

Peritos coletaram vestígios de amarras e instrumentos de contenção no local. A polícia investiga possíveis cúmplices que fugiram durante o cerco. Imagens de câmeras de segurança próximas auxiliarão na identificação.

A facção usava o espaço para punir supostos rivais ou devedores. Relatos indicam que o mototaxista operava na região e recusou extorsão pelo CV. O resgate evitou agravamento das lesões observadas.

Balanço parcial e próximos passos

Até o início da tarde, 18 prisões foram registradas, elevando o total da operação para 40 mandados cumpridos. Suspeitos incluem gerentes de desmanches e transportadores de drogas, com históricos de tráfico.

Apreensões somam ainda um carro roubado e equipamentos de comunicação. Equipes da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) lideram as diligências. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, informou que novas fases estão planejadas para a semana.

A operação prioriza a desarticulação financeira do CV. Analistas estimam que a rede movimenta milhões anualmente em roubos de veículos na zona oeste. Ações semelhantes ocorrerão em áreas adjacentes para prevenir retaliações.

  • Prisões: 18 confirmadas, foco em núcleo armado.
  • Mortes: Dois criminosos em confronto inicial.
  • Feridos: Dois suspeitos hospitalizados.
  • Apreensões: Dois fuzis, pistola, granadas e drogas.
  • Barricadas removidas: 14 toneladas de material.
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