Djavan, cantor e compositor alagoano de 75 anos, lançou seu 26º álbum de estúdio, intitulado Improviso, em 11 de novembro de 2025, via Luanda Records e Sony Music. O disco reúne 12 faixas autorais, sendo 11 inéditas, e marca o primeiro lançamento de músicas novas desde o álbum D, de 2022. Gravado no estúdio Em Casa, no Rio de Janeiro, o trabalho reflete o processo criativo do artista, que levou dois anos para compor e produzir as canções.
O álbum chega em um momento simbólico, às vésperas dos 50 anos de carreira de Djavan, celebrados em 2026 com a turnê Djavanear – 50 Anos. Só Sucessos. A produção, direção artística e arranjos são do próprio músico, que reuniu instrumentistas de longa data para capturar uma aura de leveza e contemporaneidade nas gravações.
Improviso destaca temas de relacionamentos e vida cotidiana, com influências de jazz, samba e ritmos africanos. O disco está disponível em plataformas digitais, em Dolby Atmos, e em edição limitada em vinil, com arte visual assinada por Giovanni Bianco e fotos da dupla Mar+Vin.
- Principais faixas: “Um Brinde”, “O Vento” e “Pra Sempre”.
- Homenagens: A Michael Jackson e Gal Costa.
- Duração total: Aproximadamente 45 minutos.
Processo de criação em foco
Djavan inicia as composições pela base musical, seguida da letra e da voz. Ele utiliza cadernos para anotações ou dispositivos digitais, preferindo horários como a madrugada ou o fim de tarde em sua casa de praia em Alagoas.
O estúdio funciona como espaço integral para tocar, cantar e arranjar, gerando um fluxo criativo que o artista descreve como prova de vitalidade. As gravações ocorreram entre 2024 e 2025, com ênfase em experimentações harmônicas.
Faixas que marcam o repertório
“Um Brinde” abre o disco com a linha “Ir atrás do amor é um jazz”, comparando o sentimento a uma forma musical complexa e imprevisível. A faixa estabelece o tom de celebração aos afetos inesperados.
“Pra Sempre” resgata uma melodia composta nos anos 1980 para Michael Jackson, a pedido de Stevie Wonder, mas nunca enviada. Djavan adaptou a letra para homenagear o cantor, adicionando camadas emocionais à estrutura original.
“O Vento”, parceria com Ronaldo Bastos, é uma regravação de canção lançada por Gal Costa em 1987. Djavan incluiu versos próprios sobre uma morena de Alagoas, transformando a faixa em tributo póstumo à intérprete.
A faixa-título “Improviso” entrelaça música e amor, explorando o improviso como estado de graça, oposto a algo apressado. Outras canções, como “Falta Ralar!” e “O Grande Bem”, incorporam metais e percussão para ritmos dinâmicos.
Equipe e produção refinada
Torcuato Mariano e Marcelo Mariano, pai e filho, assumem guitarras e baixo, respectivamente, em faixas centrais. Paulo Calasans e Renato Fonseca tocam teclados, enquanto Felipe Alves e João Viana cuidam da bateria.
- Contribuições especiais: Jessé Sadoc no trompete, Marcelo Martins no sax e Rafael Rocha no trombone em cinco faixas.
- Percussão: Marcos Suzano adiciona texturas em várias músicas.
- Guitarra extra: João Castilho em “Um Brinde”.
O time reflete relações construídas ao longo de décadas, permitindo que Djavan extraia sons intuitivos com poucas indicações. A mixagem final garante clareza em múltiplos formatos.
Influências que moldam o som
Djavan absorve elementos de bolero, valsa, flamenco e ritmos africanos, herdados de viagens a Cuba e Angola nos anos 1980. Esses elementos libertaram sua composição de críticas iniciais, ampliando o alcance para públicos diversos.
O álbum seduzir, de 1981, representou uma virada, incorporando complexidades rítmicas semelhantes às suas raízes. Hoje, ele ouve repertórios de seu filho Inácio, da banda Trivia, e de netos, mantendo o contato com gerações novas.
Improviso evita repetições no tema amoroso, navegando por águas renovadas a cada canção. A produção visual, com figurino de Claudia Kopke, complementa a estética sofisticada do projeto.
Destaque na mídia e agenda futura
Djavan aparece na capa da edição especial Música da revista Bravo!, com entrevista exclusiva realizada em sua residência no Rio de Janeiro. A conversa aborda o disco e marcos da carreira, como o abandono do futebol juvenil pelo violão aos 16 anos.
A turnê de 2026 estreia em 9 de maio no Allianz Parque, em São Paulo, focando em sucessos rearranjados. O artista também participa de encontros com Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso em defesa de causas democráticas.
O disco reforça o papel da música como ferramenta política e terapêutica, usada em tratamentos para câncer e bem-estar. Djavan credita à mãe, que criou cinco filhos sozinha, a base de alegria que impulsiona sua trajetória.

