Levantamento aponta que maioria das empreendedoras são negras, com idade média de 43 anos e responsável pelo sustento da família
44% dos pequenos negócios em Goiás são liderados por mulheres, mostra estudo do Sebrae (Foto: Ilustração/FreePik)
Quase metade dos pequenos negócios em Goiás é liderada por mulheres. Um levantamento divulgado pelo Sebrae Goiás mostra que 44% das empresas ativas no Estado são comandadas por empreendedoras. O estudo também revela que a maioria dessas mulheres são negras, têm idade média de 43 anos e 53% são chefes de família, responsáveis pela principal renda do lar. Entre as atividades mais comuns estão serviços ligados à beleza e estética, comércio de roupas e produtos diversos e negócios voltados à alimentação, como restaurantes e produção de comidas.
Os dados fazem parte do estudo “Perfil da Mulher Empreendedora”, lançado no início de março. A pesquisa reúne informações sobre características sociais, econômicas e profissionais das mulheres que abriram ou administram negócios no estado.
Autonomia financeira
Segundo o levantamento, 374 mil mulheres empreendem em Goiás, o que representa cerca de 12% da população feminina em idade de trabalhar. Entre os aproximadamente 1 milhão de pequenos negócios ativos no estado, cerca de 435 mil são liderados por mulheres.
De acordo com o Sebrae, esse movimento está ligado não apenas à busca por autonomia financeira, mas também ao desejo de independência profissional e necessidade de geração de renda para as famílias.
Perfil das empreendedoras goianas
O estudo mostra que as mulheres que empreendem em Goiás têm, em média, 43 anos e são majoritariamente negras, grupo que representa 53% das empresárias. Outro dado destacado é o nível de escolaridade. Cerca de 38% das empreendedoras possuem ensino superior, o que demonstra um perfil cada vez mais qualificado.
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Desigualdade de gênero
Mesmo com maior escolaridade, a desigualdade de renda ainda aparece como desafio. De acordo com a pesquisa, os homens ainda têm rendimento médio mensal 35% maior que o das mulheres. Entre profissionais com ensino superior, a diferença pode chegar a 56%.
Apesar dessa desigualdade, a renda média das mulheres que empreendem cresceu ao longo dos últimos anos. Atualmente, o ganho médio mensal chega a R$ 3.723, valor que representa aumento de 44% na última década.
Mais da metade sustenta a família
A pesquisa também aponta que 53% das mulheres são chefes de família, ou seja, responsáveis pela principal fonte de renda do lar. Muitas s também precisam conciliar o trabalho com atividades domésticas. Por esse motivo, uma parcela significativa de 38% mantém o próprio negócio dentro de casa.
Crescimento da formalização
Outro avanço observado é o aumento da formalização dos negócios. Em 2016, apenas 30% das mulheres empreendedoras estavam formalizadas. Já em 2025, esse índice chegou a 45%.
A regularização do negócio tem impacto direto na renda. Segundo o estudo, mulheres que atuam com empresas formalizadas ganham, em média, 1,5% a mais do que aquelas que trabalham na informalidade.
Grande parte das empresas lideradas por mulheres em Goiás está registrada na categoria de Microempreendedora Individual (MEI). Atualmente, 214.121 empreendedoras atuam nesse formato, número que representa 49% dos negócios comandados por mulheres no estado.
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A maioria dessas empresas ainda é recente: cerca de 60% estão em estágio inicial, com até três anos e meio de funcionamento. Já 40% atingiram níveis mais maduros, sendo que 10% operam há mais de uma década.
Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis e Rio Verde concentram aproximadamente metade das empresas lideradas por mulheres no estado.

