Morte de dono do Bar Medellín é cercada por acusações de violência e disputa patrimonial

Redação
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Morte de dono do Bar Medellín é cercada por acusações de violência e disputa patrimonial

A morte do empresário Ricardo Bruno de Medina Lobo, de 40 anos, proprietário do Bar Medellín, ampliou a repercussão de um caso que já vinha sendo marcado por acusações de violência doméstica, disputa patrimonial e versões conflitantes apresentadas por familiares e pela ex-esposa. O homem morreu na quinta-feira (30), em Goiânia, após permanecer internado em estado gravíssimo desde domingo (26), quando tentou tirar a própria vida.

O Hospital São Lucas concluiu o protocolo de morte encefálica, e os órgãos do empresário serão doados. A informação foi confirmada pelo perfil oficial do Bar Medellín.

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Dias antes da internação, Ricardo publicou um vídeo nas redes sociais em que falou sobre o fim do casamento com Sabrina Ferreira de Sousa. Na gravação, afirmou que construiu o patrimônio da família, disse que parte dos bens estava registrada em nome da ex-esposa e relacionou o desgaste da separação a questões financeiras.

Após a divulgação do vídeo, Sabrina passou a tornar públicas acusações de violência doméstica que, segundo ela, motivaram o fim do relacionamento. A advogada que representava Ricardo Bruno de Medina Lobo, Jordane Mota, contestou as acusações feitas pela ex-esposa e afirmou que já adotou medidas judiciais para questionar parte dos fatos divulgados (leia a íntegra ao final).

Em nota, a defesa de Sabrina afirmou que a entrada na residência do ex-casal ocorreu por determinação da Vara de Família de Goiânia, durante o cumprimento de uma decisão que decretou liminarmente o divórcio e autorizou a retirada de seus pertences pessoais (leia a íntegra ao final).

Sabrina Sousa postou vídeo nas redes sociais se defendendo de acusações e falsas notícias (Foto: Redes sociais)
Sabrina Sousa postou vídeo nas redes sociais se defendendo de acusações e falsas notícias (Foto: Redes sociais)

Medida protetiva

Na última semana, a Justiça de Goiás concedeu medidas protetivas de urgência em favor de Sabrina, com base na Lei Maria da Penha. A decisão foi assinada pelo juiz plantonista Danilo Farias Batista Cordeiro em 22 de julho, após pedido formulado pelo Ministério Público. 

Na decisão, o magistrado registra que Sabrina relatou ter vivido um relacionamento de aproximadamente três anos com Ricardo, sendo um ano de casamento, e apontou um histórico de violência doméstica, inclusive com registro policial anterior, o que teria motivado a separação. 

O documento também descreve que, segundo o relato da mulher, Ricardo não aceitava o término e passou a procurar familiares de forma insistente. Ela afirmou que, em 21 de julho, ele foi até a casa dos pais dela, bateu repetidamente à porta e desligou o padrão de energia do imóvel na tentativa de fazê-la sair. 

Ao conceder a medida, o juiz entendeu que os fatos narrados justificavam a proteção para preservar a integridade física e psicológica da vítima.

A decisão proibiu Ricardo de se aproximar de Sabrina e de seus familiares em um raio inferior a 300 metros, além de impedir qualquer tipo de contato, inclusive por telefone, mensagens de texto, áudio ou vídeo. O magistrado também determinou o encaminhamento do caso à Patrulha Maria da Penha. 

Vídeo e imagens de supostas agressões:

Além da medida protetiva, Sabrina divulgou um vídeo de uma câmera de segurança que, segundo ela, registra uma agressão ocorrida na residência do casal em 10 de julho de 2026, por volta das 16h22.

Ela também publicou fotografias nas quais aparecem lesões em diferentes partes do corpo e afirmou que deixou a casa após esse episódio. Em outro vídeo divulgado nas redes sociais, Sabrina declarou que não pretende permanecer em silêncio após a morte do ex-marido.

“Não vão me intimidar por conta da situação dele. É uma situação triste? Muito. Mas não vão me calar porque não foi uma situação que provoquei. Ele fez isso porque eu não quis voltar? Era para ser a minha vida, era para ter feito comigo”, afirmou.

Sabrina Ferreira publicou fotografias nas quais aparecem lesões em diferentes partes do corpo e afirmou que deixou a casa após esse episódio (Foto: Reprodução)
Sabrina Ferreira publicou fotografias nas quais aparecem lesões em diferentes partes do corpo e afirmou que deixou a casa após esse episódio (Foto: Reprodução)

Pessoas próximas a Ricardo, por outro lado, sustentam uma versão diferente. Segundo elas, a discussão registrada teria começado depois que o empresário encontrou supostas conversas de Sabrina com outro homem.

Retirada de bens

Durante a internação de Ricardo, familiares afirmaram que Sabrina foi até a residência onde o casal vivia e retirou uma Porsche, bolsas, joias e outros objetos de valor. A irmã do empresário disse ter filmado a movimentação e alegou ter sido agredida durante a diligência.

Sabrina contesta essa versão. Segundo ela, a retirada ocorreu no dia 28 de julho durante o cumprimento de uma ordem judicial expedida no processo de divórcio, acompanhada por oficial de Justiça e por policiais militares.

A irmã do empresário Ricardo Medina disse ter filmado a movimentação e alegou ter sido agredida durante a diligência na casa para retirada de bens da Sabrina (Foto: Reprodução)
A irmã do empresário Ricardo Medina disse ter filmado a movimentação e alegou ter sido agredida durante a diligência na casa para retirada de bens da Sabrina (Foto: Reprodução)

Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela afirmou que retirou apenas roupas, objetos pessoais e outros bens expressamente autorizados pela Justiça.

A ex-esposa também negou qualquer agressão contra a irmã de Ricardo e afirmou que ela sequer foi autorizada a entrar na residência. Sabrina declarou ainda que a familiar discutiu com policiais e quase foi detida por desacato. Até o momento, essa informação não foi confirmada oficialmente pelas autoridades.

Disputa patrimonial

O conflito entre as partes também envolve questões financeiras. No vídeo gravado antes da internação, Ricardo afirmou que havia construído seu patrimônio ao longo dos anos e disse que parte dos bens estava registrada em nome da então esposa.

Já pessoas próximas ao empresário alegam que ele teria contraído dívidas utilizando o CNPJ de Sabrina durante o casamento. Até o momento, não foram apresentados publicamente documentos que comprovem os valores dessas dívidas, sua origem ou eventual responsabilidade de cada uma das partes.

Defesa do Ricardo

Segundo a defesa, a irmã do empresário, Lorena, foi orientada a procurar a Corregedoria da Polícia Militar para denunciar uma suposta agressão praticada por um policial militar durante o cumprimento da ordem judicial na residência do ex-casal.

A advogada também afirma que a diligência foi realizada sem que ela pudesse acompanhá-la. De acordo com Jordane Mota, antes de Ricardo entrar em coma, havia solicitado no processo que fosse comunicada com antecedência de 72 horas para acompanhar a retirada dos bens pessoais de Sabrina.

Ainda segundo a defesa, durante o cumprimento da ordem judicial teriam sido retirados diversos bens que não estavam autorizados pela Justiça. Em razão disso, a advogada informou que pediu a nulidade do mandado de busca e apreensão.

Sobre a disputa patrimonial, Jordane Mota afirmou que Ricardo e Sabrina eram casados sob o regime de separação total de bens e que o divórcio foi decretado liminarmente antes da morte do empresário. Segundo ela, o Bar Medellín foi transferido para o nome de Sabrina por exigência da própria ex-esposa.

A defesa também sustenta que a Porsche retirada da residência está registrada em nome de Sabrina, mas teria sido adquirida com recursos de Ricardo. Conforme a advogada, o veículo deverá integrar o inventário litigioso do empresário.

Em relação às imagens divulgadas por Sabrina mostrando ferimentos pelo corpo, Jordane Mota afirma que os machucados teriam sido provocados pela própria ex-esposa com um abridor de latas. A advogada disse ainda que ingressou com ações judiciais em diferentes esferas relacionadas ao caso.

A defesa também afirma que Ricardo nunca descumpriu a medida protetiva concedida à ex-esposa porque, segundo ela, ele não chegou a ser intimado oficialmente da decisão judicial.

Por fim, Jordane Mota rebate a versão de que o empresário tentava reatar o relacionamento. Segundo a advogada, Ricardo estava emocionalmente abalado em razão da disputa pelos bens, e não pelo fim do casamento. Ela acrescentou ainda que não há histórico de violência doméstica envolvendo Ricardo em seu relacionamento anterior.

Defesa da Sabrina

Segundo a advogada Thais Souza, a diligência foi acompanhada por oficial de Justiça e pela Polícia Militar, e todos os itens retirados foram relacionados em auto circunstanciado. A defesa também sustenta que o processo em tramitação trata exclusivamente do divórcio e da retirada de objetos pessoais, sem discussão sobre partilha de bens, apesar de o casal ter sido casado sob o regime de separação total de bens.

Sobre as acusações de violência doméstica, os advogados informaram que Sabrina registrou boletim de ocorrência, passou por exame de corpo de delito e obteve medida protetiva. Por fim, negaram que ela tenha agredido a irmã de Ricardo e afirmaram que não têm conhecimento de qualquer registro nesse sentido.

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