Moraes decreta prisão de Ramagem nos EUA por trama golpista; extradição depende de tratados bilaterais

Redação
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Moraes decreta prisão de Ramagem nos EUA por trama golpista; extradição depende de tratados bilaterais

O Supremo Tribunal Federal determinou nesta sexta-feira a prisão preventiva do deputado federal Alexandre Ramagem, do PL-RJ, condenado por participação em tentativa de golpe de Estado. Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, deixou o Brasil de forma irregular em setembro e reside atualmente em North Miami, na Flórida. A decisão do ministro Alexandre de Moraes ocorre às vésperas do trânsito em julgado da pena de 16 anos, um mês e 15 dias de reclusão em regime fechado, por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

A saída do país violou restrições impostas pelo STF, que reteve seus passaportes e proibiu viagens internacionais durante a investigação. A Polícia Federal monitorou os deslocamentos e confirmou a localização via cooperação preliminar com autoridades americanas. O caso ganhou urgência após a Primeira Turma negar recursos dos réus no núcleo da trama golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Detalhes da condenação e pena aplicada

A Primeira Turma do STF julgou Ramagem culpado em setembro por ações que incluíam articulação para subverter instituições democráticas.

A pena totaliza 16 anos e um mês, com perda imediata do mandato parlamentar, que a Câmara dos Deputados deve formalizar.

O processo investigou reuniões e comunicações que visavam anular resultados eleitorais de 2022.

Medidas judiciais imediatas em curso

O ministro Alexandre de Moraes atendeu a pedidos da Procuradoria-Geral da República e de partidos como PSOL e PT.

A inclusão na difusão vermelha da Interpol representa o próximo passo para notificação global.

Autoridades brasileiras preparam comunicação formal ao Departamento de Justiça dos EUA.

Tratado de extradição Brasil-EUA em foco

O acordo bilateral de 1961 regula pedidos de extradição entre os países, exigindo dupla tipicidade dos crimes.

  • Os delitos atribuídos a Ramagem, como tentativa de golpe e organização criminosa, equivalem a conspiração sediciosa no código americano.
  • O tratado permite recusa se o crime for político, mas juristas destacam que ações violentas contra o Estado não se enquadram nessa exceção.
  • Processos semelhantes, como o de Carla Zambelli na Itália, demoram meses para análise inicial.

A cooperação depende de avaliação do Departamento de Estado, que verifica fundamentos jurídicos antes de proceder.

Análise de juristas sobre viabilidade da cooperação

Juristas consultados apontam que o peso da condenação fortalece o pedido brasileiro. O professor Davi Tangerino, da Uerj, afirma que a natureza criminal ativa do envolvimento de Ramagem diferencia o caso de invocações de liberdade de expressão em outros bolsonaristas.

A relação diplomática atual, marcada por sanções americanas ao ministro Moraes via Lei Magnitsky, pode complicar o trâmite. Especialistas como Vladimir Aras, da UnB, observam que extradições para os EUA priorizam deportações em vez de julgamentos prolongados. No entanto, a inclusão na lista da Interpol restringe movimentações de Ramagem no exterior.

Obstáculos políticos na relação bilateral

Sanções impostas pelo governo Trump a Moraes e familiares, por suposta violação de direitos humanos, geram tensões.

O secretário de Estado Marco Rubio criticou publicamente o julgamento da trama golpista como perseguição.

Esses elementos podem elevar o escrutínio sobre o pedido de extradição em Washington.

A Procuradoria-Geral da República avalia estratégias para superar barreiras, incluindo apelos diretos ao Itamaraty.

Casos comparados de fugitivos bolsonaristas

Deputados como Carla Zambelli enfrentaram prisão na Itália após fuga similar, com extradição em andamento.

  • Zambelli cumpre pena de dez anos por invasão ao CNJ e emissão de mandado falso.
  • Allan dos Santos reside nos EUA sem condenação final, o que trava processos.
  • Eduardo Bolsonaro viaja livremente, mas sem restrições equivalentes.

Esses precedentes mostram variação na resposta internacional a investigados brasileiros.

A experiência de Zambelli indica que prisões preventivas aceleram cooperações, apesar de demoras administrativas.

Passos processuais para execução da pena

O trânsito em julgado deve ocorrer até segunda-feira, com possível rejeição de novos recursos.

A Mesa Diretora da Câmara notificará a cassação do mandato de Ramagem em sessão plenária.

O Ministério da Justiça coordenará o envio de documentos ao tratado bilateral.

Posição da defesa e silêncio oficial

A defesa de Ramagem optou por não se manifestar sobre a localização ou a ordem de prisão.

O PL, partido do deputado, não retornou contatos da imprensa até o momento.

Representantes do governo americano confirmaram recebimento de alertas iniciais da Interpol.

Avanços na investigação da trama golpista

O núcleo um da ação penal abrangeu 14 réus, com penas variando de oito a 17 anos.

Provas incluíram áudios, mensagens e depoimentos de colaboradores que detalharam planos de intervenção militar.

A Polícia Federal expandiu buscas por ativos ocultos de condenados no exterior.

O STF prioriza cumprimento de penas para preservar a ordem institucional.

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