Serra Verde tem operações em Goiás e exporta para a China
Imagem: Divulgação
A mineração de terras raras em Goiás entrou de vez no radar estratégico internacional após a Serra Verde, única empresa do setor em operação no Brasil, anunciar que recebeu um financiamento bilionário ampliado por um banco americano ligado ao governo dos Estados Unidos. O aporte passou para US$ 565 milhões e ainda garante aos norte-americanos o direito de adquirir uma participação acionária minoritária na mineradora que atua no norte goiano.
- Cidade em Goiás é a única fora da Ásia a produzir comercialmente quatro elementos essenciais; saiba qual
O financiamento é concedido pela Development Finance Corporation (DFC), instituição estatal dos EUA. Em novembro, o compromisso anunciado era de US$ 465 milhões, sem previsão de compra de ações. Agora, além do aumento do valor, o novo acordo reforça a presença americana em um setor considerado estratégico para a transição energética e a indústria de defesa.
- Terras raras: conheça os minérios mais cobiçados por EUA, Japão e China em Goiás
A Serra Verde opera uma mina de terras raras no norte de Goiás e atualmente exporta 100% da produção para a China, país que domina cerca de 60% da extração global e 90% do refino desses minerais. Apesar disso, a empresa — controlada por dois fundos de investimento americanos e um britânico — informou no ano passado que readequou contratos para direcionar parte da produção a clientes ocidentais, sem detalhar quais países.
Mesmo enfrentando desafios operacionais, a mineradora ainda não opera em sua capacidade máxima, hoje estimada em 5 mil toneladas de óxido de terras raras por ano. A meta, segundo a empresa, é ampliar a produção para 6.500 toneladas até o fim de 2027.
- Terras raras em Goiás: saiba o valor do investimento bilionário dos EUA em projetos
“O anúncio representa um forte reconhecimento da importância estratégica da Serra Verde no cenário global”, afirmou o CEO da empresa, Thras Moraitis. Segundo ele, o apoio dos Estados Unidos fortalece a criação de novas cadeias de valor independentes. “O compromisso de quase US$ 600 milhões assegura um futuro promissor para a empresa e para diversas companhias downstream que dependem de nossas terras raras”, completou.
Ainda não está claro se o contrato prevê a obrigatoriedade de fornecimento da produção para empresas americanas, especialmente dos setores de carros elétricos e defesa, que utilizam ímãs feitos com elementos de terras raras. Especialistas, porém, afirmam que esse tipo de contrapartida é comum em acordos do gênero.
- Corrida por terras raras acirra disputa entre EUA, China e Japão por minerais de Goiás
O movimento reforça a estratégia do governo dos EUA de firmar acordos diretos com empresas brasileiras de minerais críticos, sem depender de negociações formais com autoridades locais. O Brasil, que detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, é visto como uma das principais alternativas globais à dependência chinesa.
Além da Serra Verde, o DFC também firmou, em setembro, um contrato de US$ 5 milhões com a Aclara, empresa que possui um projeto avançado de exploração de terras raras no norte de Goiás. Os recursos servirão para a conclusão do estudo de viabilidade da mina e poderão ser convertidos em ações futuramente.
A Aclara anunciou ainda que pretende construir, até 2028, uma refinaria nos Estados Unidos para processar o concentrado produzido no Brasil. O investimento previsto nos EUA é de US$ 277 milhões, enquanto o projeto em Goiás exige cerca de US$ 680 milhões. Segundo a empresa, a refinaria poderá suprir mais de 75% da demanda americana por elementos pesados de terras raras para veículos elétricos até 2028.
Nesta semana, o governo americano também anunciou novas alianças internacionais com países da União Europeia, Japão e México para fortalecer as cadeias de suprimento de minerais críticos. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, participou do evento, que contou ainda com representantes do Itamaraty.
- Alego aprova lei sobre terras raras que pode tornar Goiás destaque


