Menina que guardou DNA para denunciar tio foi agredida e colocada de castigo após revelar abusos para família, em Anápolis

Redação
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Menina que guardou DNA para denunciar tio foi agredida e colocada de castigo após revelar abusos para família, em Anápolis

Família desacreditou da vítima, ignorou flagrante feito pela tia e pode responder por omissão, segundo a Polícia Civil

criança x abuso

Menina que guardou DNA para denunciar tio foi agredida e colocada de castigo após revelar abusos para família, em Anápolis (Foto: Ilustrativa/Pixabay)

Além de não receber apoio da família para denunciar o tio por abuso sexual, a menina de 7 anos que guardou o DNA do agressor para comprovar o crime foi agredida e colocada de castigo pelos avós após revelar as violências pela primeira vez, em Anápolis. Segundo a Polícia Civil, mesmo após contar o que sofria, ela enfrentou omissão e maus-tratos dentro de casa, onde vivia com os avós, o tio e a esposa dele. A investigação também apontou que a tia já havia flagrado o marido violentando a criança, mas não tomou nenhuma providência.

Esses fatores podem levar os familiares a responderem por omissão. De acordo com a apuração, a vítima contou aos familiares sobre os abusos, mas teve o relato tratado como mentira. Parentes chegaram a dizer que ela estava “inventando histórias”.

“Os pais não são presentes, e sim, os familiares tentaram descredibilizar a criança mesmo depois de saber da prisão do tio, das provas que nós tínhamos. Antes de saber das provas, na verdade, eles diziam que a menina era mentirosa, que era muito difícil, que ela dava muito trabalho. Inclusive, depois da primeira vez que ela contou, ela foi agredida. Ao que consta, ela vem sofrendo maus-tratos por parte do avô e foi agredida por ele quando contou. Foi colocada de castigo pela avó”, afirmou a delegada Aline Lopes, responsável pela investigação.

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A investigação também revelou que a própria tia da menina, esposa do investigado de 25 anos, já havia flagrado o homem em situação suspeita com a criança, mas não tomou nenhuma atitude. “A esposa do investigado chegou a flagrar o marido nu com a menina. Houve choro, mas nenhuma providência foi tomada. As pessoas preferiram fingir que não sabiam ou não acreditavam”, destacou a delegada.

Criança reuniu provas para acreditarem nela

Sem apoio, a criança decidiu reunir provas por conta própria e pedir ajuda da escola, que acionou a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Após um novo episódio de abuso, ela coletou material biológico do agressor em um copo e entregou para a família. Só então os parentes passaram a considerar a denúncia.

A delegada ressaltou que a omissão da família pode ter contribuído diretamente para a continuidade dos crimes, que começaram quando a menina tinha apenas 5 anos. “Todos os elementos indicam essa omissão. Ao final do inquérito, eles podem ser responsabilizados pelo crime na forma omissiva, porque essa falta de ação permitiu que os abusos acontecessem e continuassem”, explicou.

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Aline Lopes destacou a gravidade da situação enfrentada pela vítima. “É muito difícil imaginar o que essa menina passou. Além do abuso, ela ainda teve que se submeter a tudo isso para conseguir ser ouvida. Nosso choque não se compara ao que ela viveu. Agora, nossa prioridade é garantir um mínimo de justiça e que ela tenha o acompanhamento necessário”, afirmou.

Tio confessou

O suspeito, de 25 anos, foi preso preventivamente na sexta-feira (27). Em depoimento, ele inicialmente negou o crime, mas confessou após descobrir que havia provas. “Ele negou até o momento que ele soube que nós tínhamos o material genético, que ela tinha colhido o material genético, aí ele confessou”, relata a delegada.

O suspeito segue preso à disposição da Justiça pelo crime de estupro de vulnerável.

O caso segue sob investigação.

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