Menina de 2 anos é escolhida como nova Kumari no Nepal durante festival hindu

Redação
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Menina de 2 anos é escolhida como nova Kumari no Nepal durante festival hindu
Nepal

Nepal – Foto: Carlyle Adrian/Shutterstock.com

Menina de 2 anos e 8 meses, Aryatara Shakya, foi selecionada como a nova Kumari, a deusa viva reverenciada por hindus e budistas no Nepal. A escolha ocorreu em Katmandu, capital do país, durante o oitavo dia do festival Dashain, que marca a vitória do bem sobre o mal. A transição acontece porque a anterior, Trishna Shakya, atingiu 11 anos e a puberdade, retornando à vida comum conforme a tradição. Aryatara, do clã Shakya, substitui a predecessora em um ritual que envolve critérios rigorosos de seleção.

Familiares carregaram a criança de sua casa em um beco da cidade até o palácio-templo Kumari Ghar, onde ela residirá pelos próximos anos.

Devotos formaram fila para tocar os pés da nova Kumari com a testa, gesto de respeito entre hindus, e ofereceram flores e dinheiro.

Critérios para seleção da Kumari

A escolha de uma Kumari exige meninas entre 2 e 4 anos do clã Shakya, da comunidade Newar. Elas devem apresentar pele, cabelos, olhos e dentes impecáveis, sem marcas ou cicatrizes. Além disso, a candidata precisa demonstrar ausência de medo do escuro durante testes específicos.

O processo é conduzido por sacerdotes budistas e hindus, que verificam sinais divinos, como sonhos relatados pela família de Aryatara durante a gravidez da mãe.

Vida isolada no palácio-templo

Aryatara Shakya viverá reclusa no Kumari Ghar, saindo apenas em ocasiões especiais como festivais. Vestida de vermelho, com coques altos no cabelo e o terceiro olho pintado na testa, ela participará de procissões em carruagens decoradas.

A rotina inclui poucas interações com outras crianças e limitações de mobilidade, o que afeta o desenvolvimento social.

Autoridades, incluindo o presidente do Nepal, receberão bênçãos dela em eventos como o Dashain.

✨ A NOVA DEUSA VIVA DO NEPAL. Uma menina de apenas 2 anos, Aryatara Shakya, foi escolhida como a nova “Kumari”, ou “deusa viva”, de Katmandu, a capital do Nepal.

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— the news (@thenews_br) October 3, 2025

Transição da ex-Kumari para a vida comum

Trishna Shakya, que assumiu o cargo aos 3 anos em 2017, deixou o templo por uma entrada traseira em uma liteira carregada pela família. A puberdade marca o fim do status divino, conforme crenças antigas.

Ex-Kumaris enfrentam adaptações à rotina diária, como tarefas domésticas e frequência escolar.

O folclore local indica que maridos de ex-deusas morrem jovens, o que resulta em muitas permanecendo solteiras na idade adulta.

Mudanças recentes na tradição

O governo nepalês introduziu medidas para apoiar as Kumaris. Elas agora recebem educação por tutores privados dentro do palácio.

Acesso a televisão foi permitido para entretenimento e aprendizado.

Uma pensão mensal de cerca de US$ 110 é concedida às ex-Kumaris, valor acima do salário mínimo nacional.

Papel cultural da Kumari

A tradição da Kumari remonta a séculos, com evidências de culto a virgens desde o século 6. Ela representa a deusa hindu Durga ou Taleju, unindo hindus e budistas no Nepal.

O palácio Kumari Ghar foi construído no século 18, durante o reinado dos reis Malla.

Festivais como Indra Jatra incluem paradas com a deusa em carroças, atraindo devotos e turistas.

  • A Kumari abençoa fiéis tocando suas testas ou por meio de olhares.
  • O clã Shakya compete pelo prestígio da seleção, elevando o status familiar.
  • A reclusão dura até a puberdade, preservando a pureza ritual.
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