Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Goiás

“Maior incêndio em curso no Brasil”, fogo em Terra Ronca expõe ação humana como principal causa de queimadas em Goiás

Incêndio em Terra Ronca consome vegetação

Além disso, O incêndio no Parque Estadual Terra Ronca, no Nordeste de Goiás, completa 9 dias nesta segunda-feira (17), com mais de 13 mil hectares consumidos – o parque não era impactado pelo fogo de maneira expressiva desde 2021. Dessa forma, A combustão, já considerada ‘a maior queimada florestal em andamento no Brasil‘ pelo Corpo de Bombeiros, ocorre antes do período historicamente mais crítico para a região – setembro e outubro.

Com isso, os focos registrados pela corporação têm a ação humana como principal causa. Nesse sentido, A avaliação é do major Paulinelli Damasceno, que ressalta o comportamento das pessoas como fator que, em 2026, colabora para antecipação do período crítico de incêndios no estado.

“A ação humana é o principal fator causador de incêndios. Terra Ronca, por exemplo, não era atingida por um evento tão grande há cinco anos. O histórico de incêndios para a região é focos em setembro e outubro, mas esse ano tivemos uma antecipação. A ação humana, aliada aos fortes ventos e a falta de chuvas, fez com que a situação se agravasse”, explica o major Paulinelli Damasceno.

LEIA TAMBÉM

  • Incêndio no Parque Terra Ronca chega ao 7º dia com fogo na Serra Geral e reforço nas equipes
  • Policiais chegam ao Parque Terra Ronca para investigar incêndio que dura cinco dias

Apenas entre janeiro e o início de julho, o Corpo de Bombeiros atendeu 4,2 mil ocorrências de fogo em vegetação e áreas urbanas no estado — uma a cada hora, em média. Apesar dos eventos em vegetação serem mais graves, eles representam apenas 9,6% desse total, enquanto o restante, 90,4% – relativos a 3,8 mil ocorrências -, são representados por chamados urbanos.

Incêndio no Parque Terra Ronca já atinge 13 mil hectares de vegetação (Foto: CMBGO)
Incêndio no Parque Terra Ronca já atinge 13 mil hectares de vegetação (Foto: CMBGO)

Obstáculos do combate a incêndios

Segundo o bombeiro, o cenário climático enfrentado por Goiás em 2026 exige atenção permanente das instituições e da população, a fim de evitar o aumento de incêndios no estado. A combinação entre estiagem prolongada, temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, ventos intensos e grande quantidade de material vegetal seco cria condições favoráveis à ocorrência e à rápida propagação do fogo. 

“A maior dificuldade no combate são as temperaturas elevadas. No combate direto, é preciso chegar bem próximo a chama, mas isso pode variar. No incêndio atual, em Terra Ronca, por exemplo, a maior dificuldade são os ventos e o tipo de vegetação, que gera um fogo maior. Há áreas muito arenosas e o deslocamento das equipes gera grandes esforços físicos”, explica o major.

Cenário de cerrado consumido por queimada florestal em Goiás (Foto ilustrativa: Jucimar de Sousa)
Até julho, Goiás registrou cerca de 1,8 mil queimadas em região de vegetação (Foto ilustrativa: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

Decreto suspende uso do fogo

Paulinelli lembra ainda que está em vigor, desde 24 de julho, o decreto estadual Nº 10.962, que proíbe o uso do fogo em vegetação no restante do ano de 2026, em razão do risco e alta probabilidade de ocorrência de incêndios florestais. Com isso, a população deve evitar qualquer prática capaz de produzir fontes de ignição, especialmente em áreas rurais e de vegetação seca, o que pode gerar pena de dois a quatro anos e multa. 

“Existe a cultura do uso do fogo para o capim de rebrota, como uma técnica agropastoril. A gente recomenda que as pessoas evitem o uso do fogo para limpar lotes, em pastos e áreas urbanas. Pedimos também que, ao ver qualquer sinal de fogo, acionem os bombeiros por meio do 193”, concluiu.

Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

Avatar photo

Redação Foco Goiás