Lula oficializa nomeação de Boulos na Secretaria-Geral após meses de especulações políticas

Redação
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Lula oficializa nomeação de Boulos na Secretaria-Geral após meses de especulações políticas
Guilherme Boulos e Lula

Guilherme Boulos e Lula – Foto: Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou o deputado federal Guilherme Boulos, do PSOL de São Paulo, como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República nesta segunda-feira, 20 de outubro de 2025. A decisão ocorre no Palácio do Planalto, em Brasília, substituindo Márcio Macêdo, do PT de Sergipe, que ocupava o cargo desde o início do mandato. A pasta coordena a articulação do governo com movimentos sociais e gerencia assuntos administrativos da Presidência.

A troca atende a uma estratégia do governo para intensificar o diálogo com entidades civis, em meio a preparativos para as eleições de 2026. Boulos, conhecido por sua liderança no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, participou de evento de lançamento do programa Reforma Casa Brasil ao lado de Lula mais cedo no dia.

Especulações sobre a mudança circulam desde o ano passado, ganhando força nas últimas semanas devido a ajustes na base aliada.

  • Boulos abre mão de candidatura em 2026 para integrar o Executivo federal.
  • Macêdo deve focar em campanha para deputado estadual em Sergipe.
  • Nomeação reforça aliança entre PT e PSOL no Congresso Nacional.

Trajetória política de Guilherme Boulos

Guilherme Boulos iniciou sua atuação política no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, onde se tornou uma das principais lideranças nacionais a partir de 2007. Formado em filosofia pela Universidade de São Paulo, ele concluiu mestrado em psiquiatria e atua como psicanalista e professor. Sua entrada formal na política ocorreu em 2018, quando concorreu à Presidência da República pelo PSOL e obteve 617 mil votos, posicionando-se em décimo lugar entre 13 candidatos.

Em 2020, Boulos integrou a chapa de Luiza Erundina como candidato a vice-prefeito de São Paulo, mas a dupla perdeu no segundo turno para Bruno Covas e Ricardo Nunes. Dois anos depois, ele desistiu de disputar o governo paulista para apoiar Fernando Haddad e foi eleito deputado federal com mais de um milhão de votos, o recorde no estado.

Nas eleições municipais de 2024, Boulos chegou ao segundo turno pela prefeitura de São Paulo, mas foi derrotado por Ricardo Nunes. Sua mobilização em protestos recentes, como contra a PEC da Blindagem, destacou sua capacidade de articular bases sociais.

Guilherme Boulos
Guilherme Boulos – Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Funções da Secretaria-Geral no governo

A Secretaria-Geral da Presidência gerencia a agenda administrativa do Planalto e mantém o diálogo com entidades civis. Criada em 2003 durante o primeiro mandato de Lula, a pasta ganhou relevância ao coordenar políticas de inclusão social e mobilizações de base.

Sob o comando anterior de Márcio Macêdo, a secretaria enfrentou críticas por distanciamento de movimentos populares, como na ausência de Lula em atos do Dia do Trabalhador deste ano. A estrutura inclui assessoria direta ao presidente e suporte a programas habitacionais.

Boulos assume em um momento de reorganização governamental, com foco em agendas nacionais de moradia e direitos trabalhistas.

Saída de Márcio Macêdo do ministério

Márcio Macêdo assumiu a Secretaria-Geral em janeiro de 2023, vindo de cargos no PT como tesoureiro nacional. Sergipano de 47 anos, ele integrou a equipe de transição de Lula após as eleições de 2022 e coordenou articulações iniciais com o Congresso.

A demissão de Macêdo foi negociada nas últimas semanas, com realocação possível para outro posto no Executivo ou no partido. Ele negou conversas prévias com Lula sobre a troca, mas reconheceu a prerrogativa presidencial para mudanças.

Articulação com movimentos sociais

Boulos coordenou manifestações contra projetos como a PEC da Blindagem e o PL da Anistia, reunindo mais de 42 mil pessoas na Avenida Paulista em setembro de 2025. Sua liderança no MTST fortaleceu laços com sindicatos e grupos de moradia popular.

O novo ministro planeja intensificar viagens pelo país para mapear demandas locais. A pasta já apoia iniciativas como o programa Minha Casa Minha Vida, com investimentos de R$ 18 bilhões em 2025.

  • Expansão de agendas em periferias urbanas.
  • Parcerias com federações de trabalhadores rurais.
  • Monitoramento de políticas de reforma agrária.

Expectativas para a base aliada

A nomeação de Boulos visa ampliar o apoio no Congresso, onde o PSOL detém oito deputados federais. Aliados destacam sua experiência em negociações multipartidárias, especialmente com a esquerda.

O governo busca estabilidade para aprovar reformas fiscais e sociais até 2026. Boulos deve participar de reuniões semanais com líderes partidários.

Essa integração reforça a coalizão PT-PSOL, observada desde as eleições de 2022.

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