La Niña em 2025 ameaça safra no Sul do Brasil e eleva chuvas no Sudeste

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la niña – Foto: AlinaMD/Shutterstock.comla niña – Foto: neenawat khenyothaa/Shutterstock.com

A formação do fenômeno La Niña no último trimestre de 2025 pode alterar significativamente o clima e a produção agrícola no Brasil e em outras regiões do mundo, segundo relatório da StoneX. A analista Carolina Jaramillo Giraldo aponta que o resfriamento das águas do Pacífico, típico do fenômeno, deve provocar secas no Sul do Brasil e chuvas intensas em áreas como o Sudeste e o Centro-Oeste. O evento, previsto para se consolidar entre setembro e novembro, pode se estender até 2026, impactando culturas como soja, milho e café. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima que a La Niña será fraca, mas não descarta cenários de neutralidade climática.

O relatório destaca que o fenômeno já apresenta sinais claros, com anomalias de temperatura no Pacífico indicando resfriamento nas regiões Niño 3.4 e Niño 3. Essas condições, combinadas com o aquecimento no Pacífico oeste, configuram um padrão clássico de La Niña. No Brasil, os impactos variam por região, com riscos de déficit hídrico no Sul e chuvas acima da média em outras áreas. A seguir, os principais efeitos esperados:

  • Sul do Brasil: Risco de seca, afetando milho e soja de primeira safra.
  • Sudeste e Centro-Oeste: Chuvas intensas, com benefícios e riscos para lavouras.
  • Nordeste: Temperaturas acima da média, pressionando culturas sensíveis.
  • Norte: Janeiro mais quente, com desafios para a agricultura.

Padrões climáticos globais

As projeções indicam que a La Niña afetará diversas regiões do mundo. Chuvas abaixo da média são esperadas no sul da Europa, Ásia Central e leste da África, enquanto Índia, norte da Ásia e América Central devem registrar precipitações intensas. No Pacífico, a OMM prevê chuvas acima da média no Sudeste Asiático, especialmente nas Filipinas, com até 70% de probabilidade. Já a Austrália oriental pode enfrentar condições mais secas.

Efeitos regionais no Brasil

No Sul do Brasil, a redução de frentes frias, influenciada pela Oscilação Antártica positiva, deve intensificar períodos de seca. Regiões como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem sofrer com a falta de chuvas na primavera e no verão. No Centro-Oeste, as chuvas esperadas acima da média podem favorecer a soja, mas o excesso de umidade aumenta o risco de doenças fúngicas. No Sudeste, temperaturas elevadas no Espírito Santo e Minas Gerais podem acelerar a evapotranspiração, impactando cafezais. Entre dezembro e janeiro, o Centro-Sul deve ter temperaturas médias, favorecendo o enchimento de grãos, desde que as chuvas sejam bem distribuídas.

Céu nublado, nuvens carregadas
Céu nublado, nuvens carregadas – Foto: Anant_Kasetsinsombut/ Istockphoto.com

Interações atmosféricas

A interação entre La Niña e a Oscilação de Madden-Julian (MJO) pode intensificar os efeitos climáticos. Quando a MJO se posiciona sobre a Indonésia, chuvas intensas se concentram no oeste do Pacífico, enquanto o Sul do Brasil enfrenta bloqueios atmosféricos. Esse cenário reduz a entrada de frentes frias, agravando a seca em áreas agrícolas. No Brasil Central, a convecção intensificada pode beneficiar lavouras, mas prejudica a cana-de-açúcar devido à alta nebulosidade. A MJO, com ciclos de 30 a 60 dias, amplifica os contrastes climáticos entre regiões tropicais e extratropicais. Esses padrões reforçam a necessidade de monitoramento contínuo pelos produtores.

Histórico e duração do fenômeno

A La Niña costuma durar de três a quatro trimestres, mas eventos prolongados já foram registrados, como em 1984 (11 trimestres) e 2017 (6 trimestres). A atual configuração sugere continuidade até o início de 2026, com impactos prolongados na agricultura.

Riscos para a safra agrícola

O fenômeno eleva os riscos para culturas sensíveis, como milho e soja, especialmente no Sul do Brasil, onde a seca pode comprometer a produtividade. No Sudeste, chuvas intensas podem beneficiar lavouras, mas exigem cuidados com doenças fúngicas.

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