Justiça suspende concurso da Câmara de Rio Verde por suspeita de fraude e ligação com instituto de delegado preso

Justiça determinou bloqueio de contas e suspensão imediata do concurso organizado por instituto associado a Dannilo Proto

Suspeito de jogar bomba na casa de vereador fica ferido ao trocar tiros com a PM em Rio Verde

Suspeito de jogar bomba na casa de vereador fica ferido ao trocar tiros com a PM em Rio Verde (Foto: Câmara Municipal de Rio Verde)

A Justiça suspendeu o concurso público da Câmara Municipal de Rio Verde após o Ministério Público de Goiás (MPGO) apontar suspeitas de irregularidades no exame, devido à contratação do Instituto Delta Proto, empresa ligada ao delegado Dannilo Proto, preso desde agosto de 2025 por fraudes em contratos públicos e desvio de recursos. Também foi identificado uma possível repetição de um esquema criminoso já apurado em concursos anteriores e falhas graves de transparência no processo. A decisão foi proferida pelo Juízo da Vara das Fazendas Públicas do município.

Segundo o MP, não houve justificativa para a contratação do Instituto Delta Proto, já que a prova seria realizada pelo Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (Idib). Além de suspender o concurso, a Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias que receberam valores das taxas de inscrição para impedir novas movimentações e garantir a futura devolução do dinheiro aos candidatos. Também foi ordenado que a banca organizadora divulgue, em até 48 horas, a lista completa de inscritos em seu site oficial, garantindo transparência e acesso público às informações.

O Idib ficou responsável por comunicar formalmente a suspensão do concurso. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada a 30 dias.

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Mesmos agentes investigados

A denúncia ocorre durante as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Sul), no âmbito da Operação Regra Três – Quarta Fase: Contrapartida. Conforme as apurações, há indícios de que os mesmos servidores e agentes públicos investigados e presos por fraudes em um concurso realizado em 2023 voltaram a ocupar posições estratégicas no novo certame, influenciando a escolha da banca, a elaboração dos atos preparatórios e a fiscalização do processo.

“A permanência desses agentes em funções decisórias compromete de forma relevante a lisura do procedimento”, diz trecho da decisão, que também aponta irregularidades na Dispensa de Licitação nº 4653/2025, utilizada para contratar a banca organizadora.

Outro ponto destacado pelo MPGO e acolhido pela Justiça foi o descumprimento do dever de publicidade. Conforme apontado, o Idib restringiu o acesso dos candiatos a lista de inscritos apenas na “área do candidato”, sem divulgação ampla, o que viola princípios básicos da administração pública.

Ligação com delegado preso

Delegado suspeito de desviar dinheiro da educação em Rio Verde ficará em cela especial
Delegado suspeito de desviar dinheiro da educação em Rio Verde, Danilli Proto Foto: Reprodução)

As investigações do Ministério Público apontam que o concurso está relacionado a um esquema mais amplo envolvendo a contratação do Instituto Delta Proto, gerenciada pelo delegado Dannilo Proto e a esposa, Karen Proto. O delegado segue preso desde agosto de 2025 por suspeita de fraudes em contratações públicas e desvio de que mais de R$ 2,2 milhões dos cofres públicos, incluindo valores destinados à educação em Rio Verde.

De acordo com o MPGO, o esquema teria começado em 2020 e se expandido para diferentes contratos, incluindo a organização de concurso público da Câmara Municipal. No mês seguinte à prisão, Dannilo Proto foi denunciado à Justiça.

A quarta fase da operação também resultou na prisão do então presidente da Câmara de Rio Verde, Idelson Mendes (PRD), além de servidores responsáveis por licitações. Segundo o MP, eles repassavam informações sigilosas ao delegado para favorecer a empresa em contratos públicos, incluindo dados sobre valores e datas de concorrência.

Histórico de suspensões e devolução de taxas

Não é a primeira vez que um concurso da Câmara de Rio Verde enfrenta problemas. Em fevereiro de 2024, a Justiça já havia suspendido um concurso após constatar irregularidades na contratação direta da banca, sem licitação. Quase um ano depois, em março de 2025, foi determinada a devolução das taxas de inscrição aos candidatos, após o MP constatar que os valores não haviam sido restituídos.

O concurso acabou sendo anulado pela própria administração da Câmara, por meio da Portaria nº 59/2024.

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Defesas se manifestam

Em nota, a defesa de Idelson Mendes afirmou que ainda não teve acesso completo aos autos da investigação e que está adotando medidas jurídicas para buscar a soltura do vereador, alegando que a prisão é injusta neste momento do processo.

Já a defesa de Dannilo Proto declarou que não analisou integralmente os documentos relacionados a licitação do concurso e classificou o caso como uma “acusação excessiva”, afirmando que os esclarecimentos serão prestados no momento oportuno.

Até o momento, a Câmara dos Vereadores de Rio Verde não se manifestou sobre a suspensão do concurso.