Julia Wandelt enfrenta tribunal no Reino Unido após alegar ser Madeleine McCann por quase três anos

Redação
7 Min Read
Julia Wandelt enfrenta tribunal no Reino Unido após alegar ser Madeleine McCann por quase três anos
Madeleine McCann

Madeleine McCann – Foto: Reprodução

Julia Wandelt, polonesa de 24 anos, enfrenta julgamento no Tribunal de Leicester, na Inglaterra, por assediar a família McCann durante mais de dois anos. A acusada alegou ser Madeleine McCann, a britânica desaparecida em 2007 aos três anos em um resort no Algarve, Portugal, enquanto os pais jantavam próximo. Testes de DNA apresentados em corte confirmam que ela não tem vínculo biológico com Kate e Gerry McCann, pais de Madeleine.

O caso ganhou atenção em junho de 2022, quando Wandelt começou a afirmar publicamente possuir memórias da infância da menina sumida. Ela enviou centenas de mensagens, ligações e cartas à família, incluindo visitas não autorizadas à residência em Leicestershire.

A promotoria descreve as ações como uma campanha de harassment que causou alarme e distress sério aos McCann e aos gêmeos Sean e Amelie, de 20 anos. Wandelt nega as quatro acusações de stalking, iniciadas entre junho de 2022 e fevereiro de 2025.

Perfil da acusada e início das alegações

Julia Wandelt, originária de Lubin, na Polônia, iniciou as reivindicações em redes sociais, citando semelhanças físicas e supostas memórias evolutivas do desaparecimento de Madeleine em maio de 2007. Ela alegou ter sido sequestrada e levada para a Polônia, questionando sua própria identidade devido a lacunas na infância.

A polonesa atraiu apoiadores online, incluindo Karen Spragg, de 61 anos, co-ré no processo, acusada de auxiliar no assédio entre maio de 2024 e fevereiro de 2025. Ambas negam as imputações, mas evidências incluem mensagens manipuladas e contatos insistentes.

Wandelt apareceu em entrevistas, como no programa Dr. Phil em 2023, ampliando a visibilidade das alegações. Ela divulgou testes de DNA não oficiais, sugerindo compatibilidade de até 70%, mas autoridades policiais polonesas e britânicas descartaram consistência.

Julia Wandelt e Madeleine McCann
Julia Wandelt e Madeleine McCann – Foto: Reprodução

Evidências científicas derrubam a narrativa

Testes de DNA realizados pela polícia britânica, comparando amostras de Wandelt com material genético de Madeleine coletado em seu travesseiro logo após o sumiço, mostram ausência total de parentesco. A cientista Rosalyn Hammond afirmou em corte que o perfil genético da acusada indica herança polonesa, lituana e romena, sem ligação com os McCann.

O inspetor-chefe Mark Cranwell, da Operação Grange – investigação oficial sobre o caso Madeleine –, autorizou o exame em abril de 2025, contrariando protocolo para evitar precedentes. Ele informou Wandelt pessoalmente sobre o resultado negativo, na esperança de interromper os contatos.

  • Amostras de DNA de Madeleine: Coletadas em 2007, preservadas para análises futuras.
  • Perfil de Wandelt: Confirma idade real de nascimento em 2001, dois anos após Madeleine.
  • Comparações adicionais: Olhos, dentes e voz analisados, sem matches relevantes.

Procuradores destacam que Wandelt é quase dois anos mais velha que Madeleine seria hoje, aos 22 anos, e manipulou imagens para sugerir similaridades.

Ações de assédio documentadas

A família McCann recebeu mais de 200 contatos de Wandelt entre janeiro de 2024 e dezembro de 2024, incluindo WhatsApp para Kate e Gerry, além de Instagram para os filhos. Ela deixou voicemails insistindo em ser a filha perdida e enviou cartas descrevendo supostas interações familiares.

Em 2 de maio e 7 de dezembro de 2024, Wandelt visitou a casa dos McCann em Leicestershire, exigindo testes de DNA conjuntos. Kate McCann testemunhou que manteve o mesmo número de telefone desde antes de 2007, facilitando o rastreio das chamadas.

Amelie McCann relatou mensagens “sinistras” com fotos alteradas, enquanto Sean descreveu o impacto emocional das intrusões. A promotoria exibiu logs de chamadas e capturas de tela como provas irrefutáveis.

Gerry McCann expressou frustração com a persistência, notando que a família lida com o trauma original há 18 anos. As visitas ocorreram em datas próximas a eventos anuais de Madeleine, intensificando o distress.

Histórico de reivindicações anteriores

Wandelt já alegou ser outras crianças desaparecidas antes de focar em Madeleine, incluindo casos de sequestros famosos na Europa. Investigadores revelaram que ela se apresentou como vítima de tráfico humano em 2022, sem evidências corroboradas.

Autoridades polonesas investigaram sua infância em 2023, confirmando registros de nascimento e família biológica intacta. Apesar de desculpas públicas iniciais após testes negativos em 2023, ela retomou as alegações em 2024 com novos “exames” de fontes não verificadas.

  • Casos prévios: Alegações como desaparecida polonesa em 2021, desmentidas por DNA.
  • Motivação alegada: Busca por identidade, citando amnésia seletiva, mas sem diagnóstico médico oficial.
  • Suporte online: Campanha de arrecadação em 2023 rendeu fundos para viagens ao Reino Unido.

Psicólogos forenses, consultados pela promotoria, descrevem padrões de manipulação emocional em perfis semelhantes, sem endossar diagnósticos públicos.

Impacto na investigação original

O desaparecimento de Madeleine em 3 de maio de 2007 permanece sem resolução, com a Operação Grange custando milhões de libras em buscas. Suspeito principal, Christian Brückner, alemão de 47 anos, cumpre pena por outros crimes, mas não foi formalmente acusado no caso.

A família McCann mantém site oficial com apelos por informações, registrando mais de 13 reivindicações falsas desde 2007. Cranwell enfatizou que testes como o de Wandelt são raros, reservados a casos plausíveis para preservar recursos.

Kate McCann, em depoimento recente, indicou disposição para DNA familiar oficial, visando encerrar especulações, embora fotos iniciais já descartassem similaridades. O julgamento prossegue com testemunhas da polícia metropolitana de Leicester.

Declarações em corte e desdobramentos

Durante a audiência de 14 de outubro de 2025, Wandelt reagiu emocionalmente ao veredicto de DNA, questionando procedimentos. A juíza permitiu telas protetoras para testemunhas McCann, padrão em casos sensíveis.

Karen Spragg, acusada de encorajar visitas e mensagens, nega intenção de harm. Ambas permanecem em custódia, com júri deliberando sobre “alarme grave” causado. Promotores buscam sentenças que incluam ordens de restrição permanente.

O caso destaca desafios em investigações de longo prazo, com mais de 50 mil dicas processadas na Operação Grange até 2025. Família McCann agradeceu apoio público, reiterando foco na busca real por Madeleine.

logomixvale 1 Julia Wandelt enfrenta tribunal no Reino Unido após alegar ser Madeleine McCann por quase três anos

Share This Article