Mais de oito em cada dez jovens de Goiás estudavam, trabalhavam ou conciliavam as duas atividades em 2023. Ao mesmo tempo, dados históricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, no Brasil, aumentou a proporção de adultos de 25 a 34 anos que permanecem na casa dos pais. Para o economista Marcelo Marques, mais tempo de formação e o custo para manter uma residência ajudam a explicar por que emprego e independência financeira nem sempre chegam juntos.
Em Goiás, 44,7% das pessoas de 15 a 29 anos trabalhavam e não estudavam, 21% estudavam sem trabalhar e 17,6% conciliavam as duas atividades. Outros 16,7% não estudavam nem estavam ocupados, segundo levantamento do IBGE.
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Na soma, 83,3% dos jovens estavam ligados ao trabalho, aos estudos ou às duas atividades.
A mudança aparece em uma série histórica nacional do IBGE. Em 2005, 21,7% dos brasileiros de 25 a 34 anos viviam com pelo menos um dos pais. Em 2015, o percentual chegou a 25,3%, segundo a Síntese de Indicadores Sociais.
A maioria dos que permaneciam na residência familiar trabalhava. Em 2015, 71,7% estavam ocupados. Entre os jovens que não moravam com os pais, o percentual era de 75,1%.
Os números são nacionais e históricos. Não há, nas bases utilizadas nesta reportagem, um dado recente que indique a idade média em que os jovens de Goiás deixam a casa dos pais.
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Para Marcelo Marques, a comparação entre gerações precisa considerar as mudanças na formação e na renda.
“Não podemos comparar apenas a idade em que o pai saiu de casa com a idade em que o filho está saindo. Precisamos comparar quantos anos de formação eram exigidos, quanto cada um ganhava, quanto conseguia poupar e em que momento alcançava estabilidade profissional.”
Formação ocupa mais anos
O tempo dedicado aos estudos também aumentou. No Brasil, a taxa ajustada de frequência líquida ao ensino superior entre jovens de 18 a 24 anos chegou a 25,9% em 2023, ante 24,7% em 2019, segundo o IBGE.
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Para quem ingressa em uma graduação, a formação pode ocupar quatro ou cinco anos depois do ensino médio. Dependendo da profissão, estágio, residência, especialização ou preparação para concursos acrescentam novas etapas antes da consolidação profissional.
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Em Goiás, 17,6% dos jovens conciliavam estudo e trabalho em 2023.
“Existe diferença entre independência profissional e independência financeira. O jovem pode ter renda, contribuir com a família e ainda estar formando reserva e estabilidade para manter uma residência”, afirma Marques.
Aluguel pesa na saída de casa
O custo da moradia também entra na conta. Em junho de 2026, o aluguel residencial anunciado em Goiânia custava, em média, R$ 43,11 por metro quadrado, segundo o Índice FipeZAP de Locação Residencial.
Pelo valor médio, um imóvel de 50 metros quadrados teria aluguel anunciado de aproximadamente R$ 2.155 por mês. O cálculo não inclui condomínio, IPTU, água, energia, alimentação e outras despesas.
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Em 2025, o rendimento domiciliar per capita de Goiás foi de R$ 2.407 mensais, segundo o IBGE.
Os indicadores têm metodologias diferentes e não representam o salário e o aluguel de uma mesma pessoa. Eles ajudam, porém, a dimensionar o custo necessário para manter uma residência.
Emprego e independência não chegam juntos
Os dados disponíveis mostram dois movimentos. Em Goiás, a maior parte dos jovens estudava, trabalhava ou conciliava as duas atividades em 2023. No país, aumentou historicamente a parcela de adultos jovens que permaneciam na casa dos pais.
Para Marques, a diferença entre as gerações está no tempo necessário para transformar formação e trabalho em estabilidade financeira.
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“Existe diferença entre independência profissional e independência financeira. O jovem pode ter renda, contribuir com a família e ainda estar formando reserva e estabilidade para manter uma residência.”

