Jovem morre após Ser atacado por leoa em Zoológico na Paraíba

Um trágico incidente chocou a cidade de João Pessoa, na Paraíba, no último sábado, resultando na morte de Gerson de Melo Machado, de 19 anos. O jovem, que sofria de esquizofrenia e tinha histórico de tratamento psicológico interrompido, invadiu a jaula de uma leoa no Parque Zoológico Arruda Câmara, conhecido popularmente como Bica. O ataque do animal foi fatal, e o óbito foi confirmado no local por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). O caso, ocorrido por volta das 19h30, mobilizou diversas equipes, incluindo a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, que responderam à ocorrência no zoológico. A fatalidade levanta questões sobre a segurança em parques zoológicos e o suporte oferecido a indivíduos com transtornos mentais.

Tragédia na Bica: Detalhes do Incidente

Invasão e Ataque Fatal

O incidente ocorreu quando Gerson de Melo Machado conseguiu transpor as barreiras de segurança e invadir a área restrita da jaula da leoa. Segundo informações da administração do parque, o jovem escalou dois muros de aproximadamente três metros de altura para ter acesso ao recinto do animal. Uma vez dentro da jaula, ele foi imediatamente atacado pela leoa, sofrendo ferimentos que se provaram fatais. A equipe do SAMU, ao chegar ao local, constatou o óbito do jovem.

A Vítima e seu Diagnóstico

Gerson de Melo Machado era diagnosticado com esquizofrenia, uma condição que, segundo relatos de familiares, o fazia sentir medo constante de ser agredido por pessoas na rua. Esse receio o levava a buscar refúgio em locais que considerava seguros, como o Presídio do Roger, onde já havia sido detido diversas vezes. A família também mencionou que Gerson frequentemente interrompia o tratamento psicológico, o que agravava seus sintomas e aumentava sua vulnerabilidade.

O Contexto Familiar e Social

Histórico de Transtorno Mental e Relação com a Família

O histórico de transtorno mental de Gerson é complexo e marcado por idas e vindas no tratamento. A família relatou que ele mantinha contato intermitente com os parentes, buscando principalmente a mãe, que também sofre de transtornos mentais. A prima de Gerson, Ícara Menezes, mencionou que ele apresentava uma mentalidade equivalente à de uma criança de quatro anos, buscando proteção em situações de vulnerabilidade.

A Prisão como Refúgio

Um aspecto peculiar da história de Gerson é sua visão sobre o sistema prisional. Ele já acumulava 16 passagens pela polícia, principalmente por atos como arremesso de pedras em viaturas. A família explicou que ele cometia esses atos intencionalmente para ser detido, pois via o Presídio do Roger como um local seguro, onde recebia alimentação regular e se sentia protegido de possíveis agressões externas. Ele mantinha uma relação próxima com o diretor da unidade, considerando o ambiente prisional mais acolhedor do que as ruas.

Desafios no Acesso à Saúde Mental e o Suporte Insuficiente

A Luta por Tratamento e a Falta de Suporte

A família de Gerson enfrentou grandes dificuldades para garantir um acompanhamento psicológico regular para o jovem. A prima Ícara Menezes destacou que o poder público não ofereceu suporte adequado ao longo dos anos, e que apenas uma assistente social e o diretor do presídio prestaram algum auxílio pontual. Essa falta de continuidade no tratamento é um problema recorrente no sistema de saúde mental, e a família de Gerson acredita que um suporte mais consistente poderia ter evitado a tragédia.

Barreiras no Acesso à Saúde Mental

Ícara Menezes também relatou que enfrenta barreiras semelhantes com o próprio filho de oito anos, diagnosticado com transtorno do espectro autista. O atendimento na rede pública apresenta filas longas e falta de continuidade, o que dificulta o acesso a um tratamento adequado. A família de Gerson afirma que fez o possível dentro de suas limitações, mas que manter uma pessoa adulta com transtorno grave em casa permanentemente se mostrava inviável.

Conclusão

A morte de Gerson de Melo Machado no zoológico da Bica é uma tragédia que levanta questões importantes sobre a segurança em parques zoológicos, o suporte oferecido a indivíduos com transtornos mentais e as dificuldades no acesso à saúde mental. A história de Gerson revela um sistema falho, que não conseguiu oferecer o suporte necessário para um jovem vulnerável, levando a um desfecho trágico. É fundamental que a sociedade e as autoridades reflitam sobre esse caso e implementem medidas para garantir que outras famílias não passem pela mesma dor.

FAQ

1. Qual era a condição médica de Gerson de Melo Machado?
Gerson de Melo Machado era diagnosticado com esquizofrenia e tinha histórico de interrupção no tratamento psicológico.

2. Como Gerson conseguiu acessar a jaula da leoa?
Segundo a administração do parque, Gerson escalou dois muros de aproximadamente três metros de altura para ter acesso ao recinto do animal.

3. Qual era a relação de Gerson com o sistema prisional?
Gerson via o Presídio do Roger como um local seguro, onde recebia alimentação regular e se sentia protegido de possíveis agressões externas. Ele cometia pequenos delitos para ser detido e se sentia mais acolhido na prisão do que nas ruas.

Você ou alguém que você conhece está lidando com problemas de saúde mental? Não hesite em buscar ajuda. Entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 188 ou procure um profissional de saúde mental. Sua saúde e bem-estar são importantes.